Lobby de empresários impediu trabalhos da CPI do Carf, denunciam deputados

Comissão que investigou venda de sentenças a grandes empresários pode ser reaberta em 2017 

Pedro Fernandes e | Foto: Antônio Cruz/ ABr

Pedro Fernandes e João Carlos Bacelar na CPI | Foto: Antônio Cruz/ ABr

O presidente e o relator da CPI que investigou a venda de sentenças no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), Pedro Fernandes (PTB-MA) e João Carlos Bacelar (PR-BA), criticaram o fim dos trabalhos sem um relatório final.

Eles denunciam manobras para impedir a convocação de grandes empresários, suspeitos de envolvimento no caso. Mais de 170 requerimentos sequer chegaram a ser votados: André Gerdau, presidente da Metalúrgica Gerdau, e executivos como Luís Carlos Trabucco, presidente do banco Bradesco, foram poupados.

“Acho que fomos vencidos pelo lobby dos empresários”, lamentou Fernandes.

O Carf é o órgão do Ministério da Fazenda que julga recursos de empresas autuadas pela Receita Federal. Segundo a Polícia Federal, o esquema causou prejuízo de quase R$ 20 bilhões aos cofres públicos.

A CPI foi aberta em março, prorrogada duas vezes e encerrada em agosto sem votar o parecer do deputado João Carlos Bacelar (PR-BA). O relator pediu o indiciamento de 57 pessoas por crimes como corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. Nas últimas reuniões da CPI, deputados criticaram o andamento das investigações e apontaram “blindagem” de empresários e agentes políticos.

Entre os indiciados no relatório estavam André Gerdau; Carlos Alberto de Oliveira Andrade, do Grupo Caoa; e o executivo Robert Richtter, presidente da Mitsubishi do Brasil. A maioria dos indiciados já foi denunciada à Justiça pelo Ministério Público a partir de investigações da Operação Zelotes, da Polícia Federal.

Para o então relator, houve um trabalho de integrantes da comissão para esvaziar as investigações.

“Não conseguimos trazer [para depor] nenhum beneficiário. E quando apresentei meu plano de trabalho, eu dizia que tínhamos de ouvir os agentes políticos, os beneficiários, os intermediários e os empresários envolvidos no processo. Mas nenhum empresário veio. E isso teve, queira ou não queira, um trabalho feito para poder tentar diminuir a CPI”, destacou.

 

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Sede do Carf, no Ministério da Fazenda

Sede do Carf, no Ministério da Fazenda

Bacelar acredita ser possível a criação de uma nova CPI para investigar o Carf. Segundo ele, depois do fim da comissão, houve indiciamento de grandes bancos e empresas, além do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de seu filho Luís Cláudio por tráfico de influência. Os novos desdobramentos da investigação sobre o Carf justificariam uma nova comissão.

O deputado baiano apresentou requerimento para uma nova CPI, com 198 assinaturas confirmadas. A expectativa é retomar os trabalhos a partir de fevereiro. (As informações são da Agência Câmara)

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