Lipedema pode estar presente em 93 mil mulheres de Goiânia; Câmara aprova atendimento especializado
13 agosto 2026 às 12h37

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A Câmara Municipal de Goiânia aprovou, em segunda votação, nesta quinta-feira, 13, o projeto de lei da vereadora Aava Santiago (PSB) que cria a Política Municipal de Atenção Integral à Saúde das Mulheres com Lipedema. A proposta segue agora para sanção do prefeito Sandro Mabel (União Brasil).
O lipedema é uma condição crônica que provoca acúmulo anormal de gordura, principalmente nas pernas, e pode causar dor, inchaço, sensação de peso e hematomas. Um estudo brasileiro identificou sintomas compatíveis com a doença em 12,3% das 253 mulheres analisadas. Se essa proporção fosse aplicada à população feminina de Goiânia, seriam cerca de 93 mil mulheres.
O projeto estabelece diretrizes para que a rede municipal esteja preparada para informar, identificar e acompanhar pacientes com lipedema. Entre as medidas previstas estão o incentivo ao diagnóstico precoce, o acolhimento humanizado, o tratamento multiprofissional, o acesso a informações sobre a doença e a realização de campanhas de conscientização.
Para Aava, um dos principais objetivos é fazer com que mulheres que convivem durante anos com dor, inchaço, sensação de peso nas pernas e hematomas tenham a possibilidade de investigar a origem dos sintomas. Segundo ela, ainda é comum que essas pacientes sejam orientadas apenas a emagrecer, sem que outras possibilidades sejam consideradas.
“Nosso papel é fazer com que essa mulher tenha informação, seja ouvida e tenha acesso ao cuidado adequado”, afirmou a vereadora.

A identificação da condição pode ser difícil porque alguns sinais se confundem com obesidade e outras condições. Por isso, a proposta aprovada na Câmara busca ampliar a preparação dos profissionais e o acesso das pacientes a informações e acompanhamento.
Estimativa de 93 mil mulheres e estudos futuros
Ainda não há um levantamento oficial que indique quantas mulheres têm lipedema em Goiânia ou em Goiás. Um estudo brasileiro publicado no Jornal Vascular Brasileiro, em 2022, avaliou 253 mulheres e estimou que 12,3% apresentavam sintomas compatíveis com lipedema.
Aplicada à população feminina de Goiânia, essa mesma proporção resultaria em cerca de 93 mil mulheres. O número, porém, é apenas uma projeção e não significa que essas mulheres tenham diagnóstico confirmado da doença.
Aava afirmou que pretende discutir com a Universidade Federal de Goiás (UFG) a realização de um diagnóstico sobre doenças que afetam predominantemente mulheres.
A vereadora cita fatores como alimentação, estresse e rotina de trabalho como elementos que precisam ser considerados para compreender a saúde feminina. A intenção, segundo ela, é que o levantamento não fique restrito ao lipedema.
“Eu tenho uma reunião na Universidade Federal de Goiás para a gente fazer um diagnóstico que aí não seria só sobre essa condição, mas sobre outras doenças que afetam mais mulheres”, afirmou.
Tratamento pelo SUS
De acordo com Aava, parte dos recursos necessários para o acompanhamento de pacientes com lipedema já está disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ela cita o diagnóstico, o tratamento medicamentoso e o acompanhamento por equipes multiprofissionais.
A vereadora afirma que ainda existem dificuldades relacionadas à oferta de espaços públicos para a prática de atividades físicas, embora Goiânia tenha áreas abertas que possam ser utilizadas para exercícios.
Para ela, entretanto, o primeiro passo é garantir que a condição seja reconhecida e investigada.
Projeto nasceu de estudos do mandato
Aava contou que a ideia de apresentar o projeto surgiu após acompanhar a discussão sobre lipedema entre mulheres conhecidas e profissionais de áreas como medicina e psicanálise. Segundo a vereadora, a equipe do mandato realizou um estudo sobre o tema antes de elaborar a proposta.
“Eu reuni a equipe e a gente produziu um estudo do mandato que deu origem a esse projeto de lei”, afirmou.
A parlamentar também citou relatos públicos de mulheres conhecidas, como Yasmin Brunet e Paolla Oliveira, que falaram sobre a condição nos últimos anos. Para Aava, se mulheres com maior acesso à informação e aos serviços enfrentaram dificuldades para lidar com o problema, a situação pode ser ainda mais difícil para trabalhadoras que dependem exclusivamente da rede pública de saúde.
“Imagina uma trabalhadora, uma mãe de família que muitas vezes depende do transporte coletivo, que depende do SUS. É pensando nessas mulheres que a gente propõe essa lei”, disse.
Com a aprovação em segunda votação, o projeto será encaminhado ao Executivo municipal. Caso seja sancionado, a política deverá orientar ações da rede municipal voltadas à prevenção, identificação e acompanhamento de mulheres com lipedema.
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