“Desencontro” de Paulo Garcia e Jeovalter Correia é questionado por vereadores

Prefeito não repassou detalhes sobre o balanço das contas do segundo quadrimestre do ano. A responsabilidade foi transferida para o auxiliar, que se negou a fazer qualquer comentário a respeito do tema com a imprensa

Vereadores Dra. Cristina Lopes (PSDB) e Elias Vaz (PSB) - ao fundo - questionam desencontro de informações da prefeitura (Foto: Humberto Silva)

Vereadores Dra. Cristina Lopes (PSDB) e Elias Vaz (PSB) – ao fundo – questionam desencontro de informações da prefeitura (Foto: Humberto Silva)

O “desencontro” de informações a respeito da prestação de contas do segundo quadrimestre de 2014 da Prefeitura de Goiânia foi contestado por vereadores da oposição. Após a divulgação dos números, Elias Vaz (PSB) e Cristina Lopes (PSDB) questionaram o que foi apresentado pelo prefeito Paulo Garcia (PT) na sala da presidência da Câmara Municipal, nesta terça-feira (18/11).

A maior reclamação surgiu quando o petista disse em coletiva a jornalistas que mais detalhes sobre o balanço seriam repassados pelo secretário de Finanças (Sefin), Jeovalter Correia, que se negou a responder qualquer pergunta que se referia ao tema. Ao Jornal Opção Online, Elias Vaz afirmou que quando pontos “espinhosos” são questionados, o primeiro passa a responsabilidade para o segundo, que não esclarece nada. “Parece que é marca desta administração a falta de transparência”, comentou, se referindo a correção de erros contábeis anunciada pelo Paço Municipal, o que adiou a divulgação dos dados.

Segundo ele, tudo deveria ter sido esclarecido para que não recaísse suspeitas sobre as contas. O pessebista acredita na possibilidade de alteração de dados por parte do Poder Executivo e analisa que as contas estão sendo fechadas “na marreta”. “Esperamos que não tenha ocorrido e que o Tribunal de Contas do Município [TCM] esteja atento”, clamou.

Em entrevista coletiva, Jeovalter Correia relatou que “em breve” as informações seriam divulgadas, mas sem data agendada. Questionado por mais de cinco vezes por diferentes profissionais, o auxiliar se esquivou, dizendo que o que deveria ser falado foi anunciado pelo prefeito. Porém, o secretário respondeu questionamentos sobre o Programa de Parcelamento Incentivado (PPI 2). Ao dizer que detalhes da prestação de contas seriam tratados no “momento certo”, pediu ajuda ao assessor de imprensa do Paço Municipal, Luiz Carlos Lopes, para sair da encruzilhada dos repórteres.

Para Cristina Lopes, a prestação de contas foi uma conversa sem respostas objetivas e claras. De acordo com a vereadora, o que a aliviou foi a garantia dada por Paulo Garcia de que a situação financeira de hoje não vai interromper a prestação de serviços básicos, como a coleta de lixo. A capital passou por uma crise no sistema no último semestre. “Infelizmente, não posso acreditar. Me parece um bom começo para [se tomar uma] atitude, mas ele dizer que as finanças estão equilibradas… Equilibradas [só se for] tirando do bolso do servidor, pois a data-base não foi paga”, pontuou.

Adiamentos

Inicialmente, o balancete deveria ter sido publicado no Diário Oficial da União (DOU) no dia 30 de setembro. No entanto, isso ocorreu após as 22h da última segunda-feira (17). Nos bastidores, é dito que desde 2013 a prefeitura tem lançado irregularmente valores de outros gastos na folha de pagamento de servidores.

Isso teria feito com que o índice desses vencimentos ultrapassasse o permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), de 54%. Atualmente, encontra-se em 47%, mas as ações que levaram a redução não foram explicadas pelo titular da Sefin.

Ausências

A ausência de alguns vereadores na prestação de contas chamou a atenção. Por exemplo, a de Geovani Antônio (PSDB), que também não participou da audiência pública na manhã da última segunda-feira (17). O tucano é um dos que mais exercem pressão contra a prefeitura e a informação é a de que ele estaria em viagem ontem.

Já hoje, pediu que o colega Elias Vaz justificasse sua falta por problemas de saúde, pois teria passado mal “a noite inteira”. O líder do PT na Casa, Carlos Soares, foi outro que não esteve na da presidência. “Vamos falar sobre algo que sei? Não acompanhei a prestação”, vociferou o petista, diante de pergunta feita na sessão que sucedeu a divulgação dos dados.

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