Lava Jato revela esquema de propina na obra do novo Aeroporto de Goiânia

23ª fase da operação revelou, por meio de depoimento de executivos da Odebrecht, que houve pagamento de R$ 1,4 milhão

Obras do novo aeroporto de Goiânia, no final do ano passado | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Obras do novo aeroporto de Goiânia, no final do ano passado | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

A força-tarefa responsável pelas investigações da Operação Lava Jato identificou, dentro da estrutura organizacional da empreiteira Odebrecht, um setor inteiramente destinado ao pagamento de propinas, com funcionários dedicados e um sistema eletrônico desenvolvido especificamente para este fim, disseram delegados da Polícia Federal e procuradores da República em entrevista nesta terça-feira (22/3), na sede da Polícia Federal, em Curitiba.

Em planilhas apreendidas ainda na 23ª fase da Lava Jato, chamada Acarajé, foram identificados pagamentos em espécie a centenas de recebedores. O dinheiro, de acordo com as investigações, seria fornecido por meio de até oito contas mantidas por doleiros em favor da Odebrecht. Em apenas uma das contas, foram identificados R$ 66 milhões disponíveis para o pagamento de propinas.

Segundo avaliação dos procuradores do Ministério Público Federal, os pagamentos foram aprovados por diretores responsáveis pela supervisão de obras como as da Arena Corinthians, em São Paulo, uma das sedes da Copa do Mundo de 2014; de metrôs no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul e do novo Aeroporto de Goiânia.

Nas tabelas, constavam valores, endereços e codinomes de recebedores de propina e dos executivos de alto escalão da Odebrecht que autorizavam os pagamentos, entre eles a sigla MBO, que segundo a equipe responsável pela investigação, corresponde a Marcelo Bahia Odebrecht, presidente-executivo da companhia.

No caso do Aeroporto de Goiânia, a Folha de S. Paulo informa que o diretor de contrato da empresa, Ricardo Ferraz, aparece em planilhas como responsável por solicitação de pagamentos de R$ 1 milhão a alguém identificado como “Padeiro” e de R$ 400 mil a um certo “Comprido”. Os valores teriam sido repassados em 2014.

Operação

A 26ª fase da Lava Jato é chamada Operação Xepa e envolveu cerca de 380 policiais federais, no cumprimento de 110 ordens judiciais nos estados de São Paulo, Rio de janeiro, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Bahia, Piauí, Distrito Federal, Minas Gerais e Pernambuco. Estão sendo cumpridos 67 mandados de busca e apreensão, 28 mandados de condução coercitiva, 11 mandados de prisão temporária e 4 mandados de prisão preventiva.

O procurador da República Carlos Fernando Lima afirmou que não há agentes política alvos de mandados nesta fase da Lava Jato. Foram presos temporariamente ou preventivamente diversos executivos da Odebrecht e operadores financeiros do esquema na empresa. (As informações são da Agência Brasil)

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