Kátia Abreu será primeira a interrogar Dilma Rousseff em sessão de julgamento no Senado

Um dos momentos mais importantes do processo de impeachment, discurso da presidente afastada será seguido por questionamentos dos senadores

O grupo de senadores que compõem a base de apoio da presidente afastada Dilma Rousseff (PT) decidiu, em comum acordo, que a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) será a primeira oradora a inquir a presidente durante interrogatório no plenário do Senado Federal na próxima segunda-feira (29/8), durante sessão de julgamento do impeachment.

Às 9 horas, deve ter início um dos momentos mais importantes do processo, o comparecimento de Dilma para falar pessoalmente aos senadores antes da votação final.

Em sua fala no Senado, a presidente terá 30 minutos para apresentar sua defesa. O tempo poderá ser estendido a critério do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski. Em seguida, ela responderá aos questionamentos dos senadores.

A ex-ministra e senadora Kátia Abreu assume o lugar de Paulo Paim (PT-RS), originalmente inscrito para usar a palavra em primeiro lugar. Paim cedeu a oportunidade à Kátia Abreu uma vez que a senadora é amiga pessoal e uma das principais aliadas de Dilma Rousseff, permanecendo no governo da petista mesmo após o rompimento do PMDB com a presidente em março.

Cada parlamentar terá até cinco minutos para seus questionamentos. Mais de 40 parlamentares estavam inscritos para questionar a presidente afastada. O tempo de resposta de Dilma é livre e não será permitida réplica e nem tréplica. Dilma também poderá deixar de responder as indagações dos senadores. Ela também responderá a eventuais questões formuladas pela acusação e pela defesa.

O depoimento da presidente afastada na segunda-feira (29) encerra a fase da instrução do processo de impeachment. A partir daí, o julgamento entra na etapa final com os debates entre a acusação e a defesa, as manifestações dos senadores e o voto — que será nominal e aberto.

Articulação

Este domingo (28/8) tem sido dedicado à reuniões entre as bases contrária e a favor do impeachment para traçar as estratégias para a oitiva de Dilma Rousseff segunda-feira (29), às 9h, no Senado.

Os senadores que apoiam o impeachment de Dilma Rousseff disseram que o tom dos questionamentos que serão feitos à petista dependerá das respostas dela. Segundo o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), se Dilma errar no tom, as respostas serão à altura. “Nós estamos preparados para fazer os questionamentos com absoluto respeito a presidente afastada. Obviamente que ela dará o tom. Esperamos que seja um tom a altura desse momento difícil que passa o Brasil”, disse.

O senador, adversário de Dilma nas eleições de 2014, classificou a ida de Dilma ao Senado como “adequada”. Ele disse ainda que o momento político é delicado, não é de festa. “Não é um momento de festa, nem para aqueles que apoiam o impeachment, nós sabemos que esse processo deixa traumas não apenas no Congresso, mas na própria sociedade”, disse.

Os aliados de Dilma também devem se reunir para tratar do depoimento da petista na fase final do julgamento. A expectativa é que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que se reuniu na sexta-feira (26) com Dilma, no Palácio da Alvorada, retorne a Brasília para ajudar na articulação contra o impeachment. Já a presidente afastada fecha os detalhes do discurso que fará.

O depoimento de Dilma será acompanhado no plenário por cerca de 30 convidados dela. São esperadas a presença de Lula, do presidente do PT, Rui Falcão, vários ex-ministros de seu governo, além de assessores e pessoas próximas. (Com Agência Senado e Agência Brasil)

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