Kátia Abreu: “Não sou obrigada a fazer o que o PMDB acha que tenho que fazer”

Senadora pelo Tocantins é a entrevista das páginas amarelas de Veja: ela nega que tenha mudado de lado, critica aliados de Temer e manda recado ao partido

Kátia Abreu | Foto:Marcos Oliveira/Agência Senado

Kátia Abreu | Foto:Marcos Oliveira/Agência Senado

Goiana por nascimento, a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) foi, sem dúvidas, uma das mais aguerridas defensoras do mandato da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Em entrevista nas páginas amarelas de Veja, ela reiterou plena confiança na petista e não considera ter “mudado de lado”.

“É engraçado. O meu partido pertencia à base aliada do governo. Na reeleição de Dilma, o senhor Romero Jucá [senador por Roraima] e o senhor Geddel Vieira Lima [ex-deputado federal pela Bahia] apoiaram quem? Aécio Neves [PSDB]. Os que estão agora usufruindo o governo de Michel foram os que brigaram para que ele não fosse vice. E eu é que mudei de lado?”, questionou.

Uma das poucas (e poucos) peemedebistas que foram contrários ao processo de impeachment, Kátia Abreu garante que não tem interesse em mudar de partido. Aliás, ela manda um recado ao presidente da República (e também do PMDB): “Quero ver se a democracia interna funciona ou é da boca para fora”.

Não há, propriamente, um movimento para expulsar a senadora da legenda, mas especula-se que, isolada, ela acabe saindo. “Não fui apoiar outro presidente, não desobedeci à convenção nacional, como o senhor Jucá, o senhor Geddel, os Picciani e companhia limitada, que apoiaram o Aécio [em 2014]. Então, por que só comigo? Quero ver se são democratas. Durante esse tempo, não fiz nenhum ataque pessoal ao Michel ou ao partido”, rebateu.

Durante a entrevista, Kátia Abreu relembrou seu trabalho como ministra da Agricultura de Dilma — a quem é muito grata por ter dado “total liberdade” e a apoiado em “todas as ações”. “Ela me conquistou pelo atendimento que deu ao meu setor, a começar pela aprovação do Código Florestal, que pôs fim a 17 anos de desespero dos produtores rurais, criminalizados, humilhados”, disse.

Questionada se Dilma poderia concorrer a algum cargo público — já que não ficou inelegível por decisão do Senado –, a senadora revelou que brincou uma vez com a ex-presidente sobre a possibilidade dela se candidatar no Tocantins com seu apoio. Dilma respondeu de pronto: “Kátia, nunca mais”.

O repórter satirizou a defesa intransigente de Dilma pela senadora dizendo que ela tinha um “fraco por mulheres forte”. Kátia Abreu não deixou por menos: “É verdade. Tenho uma identificação muito grande com Dilma, inclusive na braveza. Somos bem parecidas, da mesma estirpe”.

 

 

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