Kajuru denuncia que Iris já tem R$ 1 bilhão em caixa e vereadores se revoltam

Parte dos recursos seria fruto de convênios e empréstimos feitos pela gestão passada

Vereador Jorge Kajuru durante fala na tribuna na manhã desta terça-feira | Foto: Eduardo Nogueira

O vereador Jorge Kajuru (PRP) ocupou a tribuna da Câmara Municipal na manhã desta terça-feira (27/6) para denunciar que a gestão Iris Rezende (PMDB), apesar de propagar uma situação de crise financeira, já teria cerca de R$ 1 bilhão em caixa. Segundo ele, o prefeito estaria segurando os recursos para realizar obras em 2018, ano das eleições estaduais.

“Iris vai manter o colapso durante o ano todo, deixando para cumprir promessas de campanha só no ano que vem e por que? Porque é ano eleitoral. Goiânia continuará na mesma situação, sem prioridades, e ouviremos a mesma chorumela de que não há caixa, de que Paulo Garcia [ex-prefeito] deixou herança maldita”, alertou.

A suposta manobra da gestão municipal já havia sido aventada por outro parlamentar, Elias Vaz (PSB), que inclusive cobrou pessoalmente do decano peemedebista e do secretário de Finanças (Oseias Pacheco) os balanços do Paço. Goiânia vive caos em diversas áreas, como a Saúde e Educação — déficit de vagas de UTI, falta de médicos especialistas nos Cais, escolas municipais servindo arroz puro como merenda, bem como milhares de crianças fora da sala de aula.

Os quase R$ 1 bilhão descritos por Kajuru seriam frutos de empréstimos e convênios celebrados pela gestão passada, que estão chegando durante todo 2017, mas que estariam sendo contingenciados. “As informações que recebi são de um importante senador da República, que esteve com o prefeito. São recursos, como por exemplo, os 100 milhões de dólares para recapeamento asfáltico de toda a cidade [conseguidos pelo ex-prefeito Paulo Garcia junto ao Banco de Desenvolvimento da América Latina] e do BRT Norte-Sul”, detalhou.

Ante a possibilidade, o parlamentar do PRP entrou com requerimento para ter acesso à projeção de fluxo de caixa da prefeitura até dezembro de 2017.

Após a denúncia, outros vereadores pediram a palavra para manifestar incredulidade ante tamanho disparate. “Está desmascarando essa forma de governar que não convence mais a ninguém. Iris deixa o povo padecer enquanto junta dinheiro. Goiânia está pior do que estava no ano passado. A lógica da prefeitura é perversa, com o recurso que está em caixa, aliás, que é usado para fazer mutirão, poderia ter servido para concluir o Cais do Urias Magalhães, que estaria atendendo a população 24 horas por dia, sete dias por semana. E não por um fim de semana”, lamentou a tucana Dra. Cristina.

Lucas Kitão e Sabrina Garcêz comentam denúncia de Kajuru | Fotos: Eduardo Nogueira

Sabrina Garcêz (PMB) também condenou a gestão municipal, que, segundo ela, governa como se ainda estivesse no século passado. “Prefeito administra a cidade como se fosse 1960. Prefere investir em concreto do que no social, tem sangue nas mãos todos os dias. Infelizmente, Goiânia esperava um gestor de qualidade, que valorizasse o ser humano, mas Iris só pensa em dinheiro na conta bancária”, criticou.

O jovem Lucas Kitão (PSL) aproveitou sua intervenção para questionar o verdadeiro sentido dos mutirões promovidos pela gestão do PMDB: “Iris inverteu a ordem. Se preocupa com política na hora de estar trabalhando, tinha que deixar a politicagem e propaganda para o ano que vem e administrar agora. Tanto é assim que o mutirão virou fato político: os pré-candidatos, como Ronaldo Caiado e Daniel Vilela, estavam lá se promovendo.”

Elias Vaz (PSB), notório oposicionista, cobrou do Executivo a data-base dos servidores, o pagamento dos hospitais conveniados ao Imas (Instituto Municipal de Assistência Social). “O prefeito segurando dinheiro em cima da desgraça alheia. É uma irresponsabilidade tamanha e essa casa precisa fazer uma reflexão. Iris tem que parar de enganar a população! Chega de ‘Mentirão'”, bradou.

Base para que te quero

Vice-presidente da Casa, Vinícius Cirqueira, fez defesa do prefeito da mesa diretora | Foto: Eduardo Nogueira

Como estava no começo da sessão, os vereadores considerados como “base aliada” — indefinida até hoje pois Iris Rezende não tem sequer líder na Câmara — não rebateram as críticas ao decano peemedebista.

Apenas dois parlamentares, Carlin Café (PPS), que apesar de dizer que não “tem procuração para falar pelo prefeito”, e Vinícius Cirqueira, do PROS — que tem cargos e secretaria no Paço –, fizeram uma tímida defesa: elogiando os mutirões.

Resposta

O Jornal Opção entrou em contato com a Secretaria Municipal de Finanças, que trata denúncia de Kajuru como “questão meramente política” e não respondeu sobre o volume de recursos em caixa.

Veja na íntegra:

A Prefeitura esclarece que não tem como responder questões meramente políticas. Ressalta, no entanto, que o trabalho desenvolvido pelo prefeito Iris Rezende e sua equipe busca, sobretudo, reequilibrar as contas públicas do município, as quais apresentavam déficits gigantescos ao final do exercício de 2016, ao passo que desenvolve ações para melhorar a vida dos cidadãos goianienses. Os esforços e a responsabilidade administrativa da atual gestão foram fundamentais para que a máquina pública continuasse operando e respostas como pavimentação asfáltica, chamamento de concursados da educação, credenciamento de novos médicos para a saúde municipal e os próprios mutirões, além da retomada de obras paralisadas por falta de contrapartida da prefeitura pudessem ser dadas à toda comunidade. Os resultados fiscais do último quadrimestre apresentados à câmara são provas de que a administração caminha aliando esforços, responsabilidade e competência administrativa para devolver Goiânia aos goianienses.

Ascom da Prefeitura de Goiânia

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Roberto Menta

Mais do que polêmico, Kajuru desconhece o medo e já provou isso, vale o “doa a quem doer” em suas denúncias, não vai sobrar pedra sobre pedra. Vai pra cima que é disso que o pais precisa neste momento.