Justiça solicita que corpo de recém-nascida morta pela mãe seja enterrado após 7 anos

A professora Márcia Zaccarelli foi condenada no dia1º/8 por um júri popular a 18 anos e 8 meses de prisão, em regime fechado

O juiz Jesseir Coelho de Alcântara, da 3ª Vara dos Crimes Dolosos Contra a Vida e Tribunal do Júri da comarca de Goiânia solicitou ao Ministério Público Estadual (MP-GO) e à defesa da professora Márcia Zaccarelli, condenada pela morte da filha recém-nascida que teve o corpo escondido em escaninho, em Goiânia, que o corpo da recém-nascida seja sepultado de forma “digna”.

O ofício com o pedido, divulgado nesta sexta-feira (10/8), mostra que o magistrado só descobriu durante o júri de Márcia que o corpo da recém-nascida não havia sido enterrado. Ele entende que, com o paradeiro do corpo sendo agora localizado, “não se justifica eternizar naquele local, num verdadeiro descaso o corpo da menina.” Ele revelou ainda que nunca se deparou com uma situação dessa natureza em sua vida profissional”.

Consta do laudo do IML que, desde 9 de agosto de 2016, o cadáver encontra-se no órgão sem que qualquer providência fosse tomada por parte da família. O corpo foi encontrado pelo marido de Márcia, que sentiu um forte odor ao entrar no escaninho onde ela havia escondido os restos mortais da criança envolvidos em sacos plásticos e acondicionados em caixa de papelão. A polícia foi chamada, ocasião em que os restos mortais foram levados ao Instituto Médico Legal.

Condenação

A professora Márcia Zaccarelli foi condenada no dia1º/8 por um júri popular a 18 anos e 8 meses de prisão, em regime fechado, na Penitenciária Odenir Guimarães, antigo Cepaigo.Os jurados entenderam que a ré é culpada pelo crime, uma vez que agiu com frieza, de forma cruel tampou o nariz da própria filha recém-nascida causando-lhe a morte.

O interrogatório de Márcia durou cerca de uma hora e, em alguns momentos, ela chorou. Ela afirmou que a morte da bebê foi acidental e que a ideia de esconder o corpo foi do ex-companheiro, Glaudson de Souza Costa. Segundo ela, a recém-nascida morreu em seus braços enquanto ela a segurava contra o peito para que o marido não a tomasse de seu colo.

Relembre o caso

Conforme denúncia oferecida pelo Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO), Márcia Zacarelli deu à luz uma menina no dia 15 de março de 2011, após ter escondido a gravidez de familiares e amigos. A criança seria fruto de um relacionamento extraconjugal. Como seu marido já havia feito vasectomia, não havia como dizer que a criança era dele.

No dia do nascimento da filha, Márcia, ao sentir as contrações, ligou para um amigo que a levou para o hospital. O amigo ainda pagou para que ela fizesse o parto. Ao receber alta no dia seguinte, ela tampou o nariz da recém-nascida, matando-a por asfixia. Em seguida, colocou o cadáver dentro de uma bolsa, e o levou para o apartamento onde morava.

Chegando no local, segundo a peça acusatória, Márcia envolveu o cadáver com pano e saco plástico, depois colocou dentro de uma caixa de papelão e o escondeu no escaninho de seu apartamento. Os restos mortais foram encontrados muitos anos depois, quando seu ex-marido voltou ao prédio para buscar alguns objetos e estranhou o odor de uma das caixas. (Com informações da Assessoria de Comunicação Social do TJGO)

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