A Justiça norte-americana determinou, nesta segunda-feira, 19, a prisão do ex-presidente de Cuba Raúl Castro, de 94 anos, por seu suposto envolvimento na derrubada de duas aeronaves civis que resultou na morte de quatro pessoas em fevereiro de 1996. A decisão foi anunciada pelo procurador-geral da Flórida, James Uthmeyer, e ocorre em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre Estados Unidos e Cuba.

A decisão foi expedida por um tribunal de Miami e está sendo considerada acusações de homicídio, destruição de duas aeronaves e conspiração para matar cidadãos norte-americanos. Na época do episódio, Raúl ocupava o cargo de ministro da Defesa do governo de seu irmão, Fidel Castro, que comandou Cuba até 2008.

O procurador-geral atribuiu ao ex-presidente a responsabilidade pelo ataque e afirmou que as autoridades da Flórida continuarão buscando a responsabilização dos envolvidos nas mortes de Carlos Costa, Pablo Morales, Mario de la Peña e Armando Alejandre Jr.

Segundo as investigações, os quatro morreram após aviões militares cubanos abaterem duas aeronaves utilizadas pelo grupo Brothers to the Rescue, conhecido como Irmãos ao Resgate. A organização era formada por exilados cubanos contrários ao governo de Fidel Castro e atuava a partir dos Estados Unidos. Três das vítimas tinham cidadania norte-americana.

Caso marcou relações entre Cuba e Estados Unidos

O episódio de fevereiro de 1996 se tornou um dos principais pontos de conflito entre os dois países. A derrubada dos aviões provocou repercussão internacional e aprofundou as divergências entre Washington e Havana, em um período já marcado por sanções econômicas e disputas políticas.

Três décadas depois, o caso volta ao centro das discussões com a decisão judicial contra Raúl Castro, que presidiu Cuba entre 2008 e 2018, após suceder o irmão Fidel.

A medida também ocorre em um cenário de intensificação da pressão norte-americana sobre o governo cubano, atualmente liderado por Miguel Díaz-Canel. Além das divergências políticas, a ilha enfrenta uma crise econômica prolongada, acompanhada de dificuldades no abastecimento de energia e sucessivos apagões.

Paralelamente, os dois governos mantêm contatos diplomáticos discretos, enquanto crescem as especulações sobre uma possível intervenção militar dos Estados Unidos em território cubano.

Até a divulgação da decisão, o governo de Havana não havia apresentado manifestação oficial sobre a ordem de prisão anunciada pelas autoridades da Flórida.

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