A Justiça de Goiás determinou a soltura do motorista suspeito de atropelar dois servidores da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) no Parque Santa Rita, em Goiânia, no último sábado, 27. A decisão foi proferida pelo desembargador Maurício Profírio Rosa durante o plantão judicial nesta segunda-feira, 29, após a audiência de custódia. O suspeito estaria com sinais de embriaguez ao volante no momento em que foi preso da Polícia Militar (PM).

A DPE representou o suspeito durnate a audiência de custódia e entrou com o pedido de habeas corpus. Segundo nota encaminhada ao Jornal Opção, o pedido foi acolhido pelo TJGO “cumprindo seu dever legal e constitucional de garantir a defesa de pessoas que não tenham condições de pagar por um profissional particular, e não comentará o caso. Destaca ainda que após esses atos, deverá ser iniciado o processo criminal e será oportunizado prazo para o acusado constituir sua defesa que poderá ser realizada pela Defensoria Pública ou por um profissional particular.”

A reportagem apurou que teria sido arbitrado fiança no valor de R$ 5 mil para soltura do suspeito, mas o valor foi dispensado pelo desembargador já que o suspeito não teria condições de pagá-la.

No documento, o desembargador entendeu que o próprio juiz que homologou a prisão em flagrante concluiu que não estavam presentes os requisitos legais para decretar a prisão preventiva, já que o investigado é réu primário, possui bons antecedentes e não representa risco concreto à ordem pública, à investigação ou ao cumprimento da eventual pena.

Sobre revogar a fiança, o juiz entendeu que o suspeito “sofre manifesto constrangimento ilegal, haja vista ser hipossuficiente financeiramente. Afirma que ele exerce a profissão de motorista de aplicativo e aufere renda variável e módica, não possuindo condições de arcar com o valor fixado a título de contracautela sem o prejuízo de seu próprio sustento e de sua família (possui um filho de 10 anos)”.

O caso

Aparecida Alves da Silva foi atropelada junto com outra colega de serviço enquanto trabalhavam no Parque Santa Rita, em Goiânia. Ela foi encaminhada em estado gravíssimo para o Hospital de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), onde teve o protocoloco de morte encefálica iniciado neste domingo, 28.

Ao Jornal Opção, filho único de servidora da Comurg atropelada, Fernando Henrique, cobra justiça ao confirmar protocolo de morte encefálica. Fernando contou que a mãe trabalhava havia cerca de 13 anos na Comurg. Segundo ele, Aparecida atuou por um período na varrição, depois passou por outra área da empresa e havia retornado ao serviço de limpeza urbana. Ela cumpria escala de 12 horas por 36 horas, no período noturno.

“Ela é uma pessoa que não tem nem como descrever. Uma pessoa humana, religiosa, que ajudava todo mundo. Você pode ver pelos próprios companheiros de trabalho dela. Minha mãe é uma pessoa de índole, uma índole que hoje está difícil de achar no mundo”, disse Fernando.

Abalado, o filho cobrou responsabilização pelo atropelamento. “Eu quero justiça pela minha mãe. É um crime gravíssimo. As pessoas estão hospitalizadas. Ele tinha que ter ficado preso para ver como ia dar sequência na investigação”, afirmou.

No sábado, 27, Aparecida e um outro servidor foram atropelados. Ela foi imediatamente internada em estado gravíssimo e internada, enquanto o homem estava estável. O motorista foi preso no local, sob suspeita de embriaguez ao volante.

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