Justiça determina realização de exame de insanidade mental em acusada de matar filha

Juiz quer saber se Márcia Bersanetti sofria de alguma doença ou perturbação mental na época em que matou bebê

Márcia Bersanetti foi denunciada por homicídio e ocultação de cadáver | Foto: Aline Caetano / TJGO

Márcia Bersanetti foi denunciada por homicídio e ocultação de cadáver | Foto: Aline Caetano / TJGO

O juiz da 1ª Vara Criminal de Goiânia, Jesseir Coelho de Alcântara, pediu, por ofício, a instauração de incidente de insanidade mental a Márcia Zacarelli Bersanetti. A intenção é descobrir, por meio desse instrumento, se a mulher, na época em que matou a filha recém-nascida, tinha plena capacidade de entender a ilicitude do crime.

O magistrado quer esclarecimentos sobre estado puerperal, prazo de duração e como uma mãe age nessa situação, além de saber se ela matou a filha para esconder a situação, entre outros quesitos. Além disso, quer saber se Márcia era, na época do crime, portadora de doença mental, apresentava desenvolvimento mental incompleto ou retardado, apresentava perturbação mental ou não.

Também foi determinada pela Justiça a suspensão do processo contra Márcia por 45 dias e intimou o Ministério Público de Goiás (MPGO) e a defesa da acusada a apresentarem quesitos, caso achem necessário. O exame será realizado pela Junta Médica do Poder Judiciário.

O crime

Márcia Zaccarelli Bersanetti foi denunciada pelo MPGO por homicídio e ocultação de cadáver. Ela é acusada de matar a filha recém-nascida, em 2011, e de ter escondido o corpo do bebê dentro do escaninho do prédio onde morava por mais de cinco anos. A ré está presa preventivamente desde o último dia 11 de agosto, um dia após a polícia encontrar o cadáver, mediante denúncia do ex-marido da denunciada.

De acordo com o documento do MPGO, assinado pelo promotor Maurício Gonçalves de Camargos, Márcia confessou ter matado a filha por asfixia, tampando o nariz da criança. A ré teria escondido a gravidez, fruto de um relacionamento extraconjugal, de amigos e familiares. Após a alta hospitalar, a mulher se dirigiu a uma praça no Setor Coimbra, onde cometeu o crime.

Depois, Márcia colocou o corpo em sacos plásticos e caixas de papelão e o ocultou no escaninho, dentro da garagem. O cadáver do bebê foi encontrado pelo ex-marido da acusada em agosto deste ano, quando ele foi buscar algumas coisas no apartamento, que seria vendido. Ao encontrar a caixa lacrada e abri-la, ele sentiu um cheiro forte e chamou a polícia.

Márcia prestou depoimento em audiência preliminar criminal na última segunda-feira (26/9) e respondeu perguntas do juiz, do representante do MPGO e dos advogados. Em muitos momentos, a ré chorou e deu detalhes do que teria acontecido, mas disse não saber explicar como o bebê morreu. “Eu não matei minha filha. Eu não asfixiei”, declarou.

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