Julgamento do caso Martha Cosac é adiado mais uma vez e acaba em briga no tribunal

Adiamento do júri popular ocorreu após recurso da defesa dos réus. Caso se arrasta na Justiça há 20 anos

Martha Cosac e Henrique Talone / Foto: Reprodução – TV Anhanguera

Martha Cosac e Henrique Talone / Foto: Reprodução – TV Anhanguera

O júri popular do homicídio da empresária Martha Maria Cosac e do menino Henrique Talone Pinheiro, marcado para a manhã desta terça-feira (15), acabou em confusão e bate-boca entre os familiares das vítimas e dos réus presentes na sessão. O tumulto teve que ser contido por policiais que acompanhavam a sessão.

A tensão teve início após o juiz Jesseir Coelho de Alcântara adiar o julgamento, que se arrasta há quase duas décadas na Justiça. Em pronunciamento, o magistrado informou sobre a existência de um habeas corpus impetrado pelos advogados dos réus Alessandri da Rocha Almeida e Frederico da Rocha Talone, deferido pelo desembargador Luiz Cláudio Veiga Braga.

A defesa dos acusados alegou que faltou a formulação de mais uma prova: um exame de DNA do sangue coletado num cartão bancário de Martha Cosac. Conforme o desembargador Veiga Braga, a apreciação do pedido deveria ser feita após a decisão de pronúncia para submissão do caso ao júri popular. Contudo, a análise não teria ocorrido no caso, já que, em primeiro grau, a questão foi considerada “superada e preclusa”.

Dessa forma, Veiga Braga justificou a necessidade de suspensão do julgamento, por falta de apreciação para indeferir ou conceder o pedido para a realização da perícia no material genético. O magistrado completou, ainda, que realização do júri popular está suspensa até que se julgue o habeas corpus, com previsão de apreciação para 15 dias.

O duplo homicídio, que aconteceu em 7 de outubro de 1996, já teve a data do julgamento adiada por três vezes. Nas outras oportunidades, recursos da defesa também impediram a instalação da sessão do júri.

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Relembre o caso

Martha Cosac e Henrique Talone foram mortos a facadas, no interior da confecção “Última Página”, de propriedade de Martha, no Setor Sul em Goiânia. Na época, o crime ganhou grande repercussão na mídia local e nacional pela brutalidade dos assassinatos.

Foram deferidas facadas em regiões vitais do corpo da mulher, que foi encontrada nua e com os pés e mãos amarrados. O garoto teria sido morto por presenciar o assassinato da tia. Ele foi encontrado com as mãos e pés amarrados, os olhos vendados e a boca amordaçada. O menino levou dois golpes de faca, que foi deixada cravada em seu corpo.

Segundo a denúncia do Ministério Públivo de Goiás (MPGO), Frederico da Rocha Talone, sobrinho de Martha, e Alessandri da Rocha Almeida teriam cometido o crime e em seguida roubaram um cheque preenchido, assinado e endossado por Martha, no valor de R$ 1,5 mil, a carteira de identidade, cartões de crédito e de banco dela, aparelho de som, joias e dinheiro.

Frederico era empregado de Martha, responsável por serviços de contabilidade da empresa, e tinha acesso à senha pessoal da conta dela. De acordo com a denúncia, no dia do crime Martha havia chegado de uma viagem e telefonado para Frederico, pedindo que ele fosse à confecção no dia seguinte para lhe entregar cheques de terceiros que estavam com ele.

Ainda de acordo com o MP, Frederico e Alessandri foram à confecção no mesmo dia, por volta das 23 horas. Martha abriu o portão de sua residência, onde também funcionava a confecção, e a partir daí a dupla teria praticado os assassinatos e fugido com o dinheiro e objetos. (Com informações assessoria TJGO)

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