Jornalista diz que Wilder Morais recebeu R$ 24 milhões em emendas antes de votação para indicar Messias ao STF
06 maio 2026 às 08h00

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O jornalista Oswaldo Eustáquio, que se intitula como blogueiro bolsonarista, divulgou um vídeo nas suas redes sociais onde acusa o senador por Goiás, Wilder Morais – pré-candidato ao governo pelo PL -, de ter recebido R$ 24 milhões de emendas parlamentares às vésperas da sabatina e votação que ocorreram no Senado e que culminaram na rejeição do nome de Jorge Messias para uma vaga do Supremo Tribunal Federal (STF).
Vale destacar que, apesar da comemoração nas redes sociais, Wilder Morais não registrou o seu voto no escrutínio e nem registrou presença no processo.
Na gravação, Eustáquio questiona: “Você sabe por que o Wilder Moraes não foi votar na sabatina do Messias?”. Em seguida, aparece um trecho do vídeo do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (UB), dizendo que nem Wilder Morais e nem o senador Marcos Pontes (PL) não iriam votar.
O jornalista continua. “Wilder Morais não foi votar porque recebeu R$ 24 milhões, e eu provo, de emendas na calada noite que antecedeu a votação. Isso é um escândalo. Ele não apareceu pra votar porque recebeu a emenda.”
Em um determinando momento da gravação, Oswaldo traz um fato de 2017, quando Alexandre de Moraes, descrito pelo jornalista como um dos “algozes do capitão” – ao se referir ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) – estava se preparando para a sabatina da vaga do STF no Senado. “Quando o Alexandre de Moraes teve a sua sabatina pra ser ministro do STF, foi no barco de Wilder Moraes que costuraram os acordos”, destaca.
Em outro trecho do vídeo, o jornalista afirma que o MDB é um partido importante para que Flávio Bolsonaro (PL), que é pré-candidato à Presidência da República, vença nas urnas. Entretanto, Oswaldo afirma que Wilder Morais, “por interesses pessoais, saiu comprando todo mundo. Goiás, ele quer ser candidato por interesses privados”.
Oswaldo aponta ainda que a eleição do pré-candidato ao Senado pelo PL, Gustavo Gayer, pode estar em risco devido ao episódio.
“Se Wilder mantiver os seus interesses privados, a eleição do nosso querido Gustavo Gayer, que vai ao Senado, um local importante e que a gente precisa dele, pode ficar em risco […] Meus amigos, precisamos ter a cabeça no lugar desse momento e ir pelo caminho mais importante, que é eleger Flávio, Gayer… Agora, Wilder, com interesses particulares, fazendo toda essa confusão que ele tá fazendo, desculpa, mas não dá. Ele se vendeu, e nos vendeu, todos os exilados que foram presos no 8 de Janeiro, e o capitão que não rouba e não deixa roubar.”
No fim, o jornalista coloca o print de uma matéria da coluna do jornalista Octávio Guedes, da GloboNews, em que destaca uma listagem do PT sobre os possíveis votos que poderiam mudar para a aprovação o nome de Messias. Entre os sete nomes de quem ainda estavam em dúvida, um deles era o de Wilder Morais. Ao finalizar, o jornalista refere-se ao senador como traidor.
Procurado no dia da votação pelo Jornal Opção, Wilder admitiu não ter registrado voto e disse que já “tinha manifestado” sua posição contrária a Messias. “Eu queria deixar claro que eu não votava no indicado, porém, o voto é secreto. Qual era a outra maneira?”, argumentou, se referindo ao vídeo publicado nas redes.
Entretanto, o valor de emendas recebido pelo senador pode ser ainda maior. O painel Siga Brasil traz que o Wilder Morais conta com 17 emendas, totalizando um empenho de 28,71 milhões referentes ao mês de abril deste ano.

Emenda expressa
Uma matéria do dia 1º de meio feita pelo Jornal O Globo traz que o governo federal acelerou a liberação de R$ 2,3 bilhões em emendas individuais, das comissões do Senado e da Comissão Mista do Congresso. O montante vai do dia 10 a 29 de abril.
Ainda de acordo com a publicação, entre os senadores que mais receberam emendas em abril está Weverton Rocha (PDT-MA), aliado de primeira ordem de Davi Alcolumbre e que foi o relator da indicação do AGU na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). Como o voto é secreto, não é possível saber quem votou contra a indicação de Messias.
No ano passado, não houve empenho no período. Com o Orçamento aprovado apenas em março, o governo demorou a começar a liberar os recursos. Já em 2024, o desembolso chegou a R$ 2 bilhões reajuste pelo IPCA (índice inflacionário). E em 2023, a quantia empenhada no mesmo período foi R$ 7,9 milhões.
Mesmo assim, as ações do governo não impediram a derrota de Messias, que teve a sua indicação ao STF rejeitada com 42 votos contra e 34 a favor, sete a menos que o necessário. Ele foi o sexto nome recusado pelo Senado para o STF em toda a história da República — todas as outras ocorreram no século XIX.
Leia também: Wilder Morais não vota, mas comemora rejeição do Senado ao nome de Messias para o STF

