Jornal internacional destaca deputados goianos como políticos honestos do Brasil

“The Globe and Mail”, periódico de maior circulação do Canadá, entrevistou Pedro Chaves (PMDB) e Fábio Sousa (PSDB) sobre atual crise no país

O jornal “The Globe and Mail”, periódico de maior circulação do Canadá, publica nesta terça-feira (23/5) uma análise sobre o atual momento vivido no Brasil.

Ante o escândalo envolvendo o presidente da República, Michel Temer (PMDB), e as inúmeras operações policiais que levaram políticos e grandes empresários à cadeia, as repórteres Stephanie Nolen e Elisângela Mendonça saíram em busca de deputados e senadores honestos.

Segundo a matéria, não foi fácil encontrar: apenas uma senadora e 81 deputados não estão sendo investigados, nem foram condenados por uso indevido de dinheiro público. Destes, só sobraram 12 que realmente vão às sessões, participam dos debates e apresentam projetos.

Dos quatro entrevistados escolhidos pelo jornal, dois são goianos: Pedro Chaves (PMDB) e Fábio Sousa (PSDB). Os dois foram selecionados porque são representantes de dois grandes partidos; Chico Alencar (PSOL-RJ), considerado um “unicórnio” de tão raro que é no Congresso, e a senadora Regina Sousa (PT-PI), também são personagens da matéria.

Ilustração de Pedro Chaves

Apelidado de “O defensor do sistema”, Pedro Chaves, que está no quinto mandato por Goiás, criticou a quantidade de partidos no país que, para ele, incentiva a corrupção. Nega que tenha sido oferecido qualquer tipo de propina e garante que “não tinha ideia” do tamanho do esquema de desvio de dinheiro.

“Não posso dizer que para ter um projeto aprovado ou ter relevância você precisa participar do ‘sistema’. Eu não tenho problema em fazer minhas propostas avançarem”, disse. No entanto, o próprio jornal destaca que o peemedebista só propõe dar nome de rodovias e prédios públicos e teve apenas uma lei aprovada nos 20 anos em que está na Câmara.

As repórteres se assustaram com uma surpreendente (e não solicitada) defesa de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ex-deputado federal preso na Lava Jato, feita por Pedro Chaves. Elas relatam que o goiano elogiou a liderança do correligionário, dizendo que a Casa não trabalha com a mesma eficiência e tranquilidade desde que Cunha foi preso. “Como líder, você não pode reclamar dele”, afirmou.

Otimista

Ilustração feita pelo jornal

Por outro lado, o deputado tucano Fábio Sousa — último a ser entrevistado pelo jornal — apresentou uma versão mais “otimista” do futuro do Brasil aos canadenses.

Segundo ele, o problema não é apenas o sistema de financiamento de campanha por empresas. “Temos um ditado popular que diz que a oportunidade faz o ladrão. Eu acho que o ladrão faz a oportunidade. Há vários políticos que não cometeram apenas um erro nesta eleição, eles têm agido dessa maneira há muitos anos. Tanto os que compram quanto os que vendem projetos de lei: a corrupção está em todo o processo”, avaliou.

O goiano criticou a quantidade de lobistas em Brasília, que passeiam livremente pelos corredores do Congresso — mesmo a prática sendo ilegal no país. Inclusive, conta um episódio em que um deles o tentou corromper: apareceu em seu gabinete no primeiro dia da legislatura para perguntar se ele tinha alguma dívida de campanha, se poderia ajudar de alguma maneira. “Lhe disse que se não parasse naquele momento, continuaríamos a conversa com a polícia do lado”, revelou.

De acordo com a reportagem, a única coisa que chocou Fábio Sousa nos últimos dias foi o nível dos desvios “Depois que comecei a descobrir os valores envolvidos, percebi que R$ 3 milhões é muito pouco mesmo”, lembrou em referência a um episódio em que um executivo lhe disse que havia recebido uma “pequena quantia” em propina.

Por fim, o goiano defende mudança no sistema eleitoral, na qual os eleitores votem direto nos candidatos — e não em partidos — e uma limpeza em todas as siglas, incluindo o PSDB, para que os corruptos deixem o comando dos diretórios.

“O sistema está se quebrando… Agora as pessoas vão pensar duas vezes antes de pegar e oferecer propina. Eu não acredito que vai parar, mas a sensação de impunidade vai…”, arrematou.

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