Jornal britânico sugere que Dilma continue no poder

Financial Times noticia a “crescente insatisfação” com a presidente, mas argumenta que, no caso de impeachment, ela seria substituída por outro “político medíocre”

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No site do jornal, a reportagem “A crescente insatisfação no Brasil com Dilma Rousseff”. Lê-se no olho: “A presidente deve permanecer no cargo apesar dos pedidos de impeachment” | Foto: Reprodução

O jornal britânico “Financial Times” divulgou no último domingo (16/8) uma reportagem analisando a situação atual da presidente Dilma Rousseff (PT). Destacando a “crescente insatisfação” com a petista, o periódico sugeriu que, mesmo com sua “posição precária”, ela deveria continuar na Presidência.

Na análise, o jornal argumenta que da mesma forma como o Brasil é criativo economicamente, é também para remoção de presidentes do poder. “Getúlio Vargas foi levado ao suicídio; Jânio Quadros foi forçado a fazer as malas; João Goulart foi deposto em um golpe militar; e Fernando Collor de Mello sofreu impeachment por denúncias de corrupção”, escreve.

A reportagem considera claras as razões para a “posição precária” de Dilma: o escândalo de corrupção na Petrobras, que revelou, de acordo com o jornal, quão corrupto os políticos brasileiros, em especial o partido da presidente, se tornaram; e afirma que a petista pode, no mínimo, ser acusada de “total incompetência” por ter sido diretora de Petrobras em um período em que o esquema do “Petrolão” já estava instalado.

O texto afirma ainda que o histórico econômico da gestão de Dilma é “sombrio”, sendo necessário “pisar no freio” com a previsão de recessão até pelo menos 2016. “A moeda está escorregando, os investimentos entraram em colapso, a inflação é o dobro da meta oficial, a confiança dos investidores evaporou e o desemprego está crescendo. Não admira que houve protestos em massa em todo o Brasil neste domingo”, diz o jornal.

Apesar de tudo o que foi exposto, o “Financial Times” ressalta que a presidente ainda não foi acusada de corrupção e repetiu várias vezes que não vai renunciar. “Impeachment requer que dois terços do Congresso o apoie e esse apoio não existe. Os políticos, que também são culpados de corrupção, estão relutantes em puxar o gatilho”, defende.

Segundo o jornal, o PSDB estaria feliz em ver Dilma nessa situação por esperar que as eleições de 2018 com um PT desacreditado para poder chegar ao poder e implementar reformas liberais. “Mesmo que Dilma seja removida, ela provavelmente seria substituída por outro político medíocre — que em seguida tentaria implementar a mesma estabilização econômica que ela está tentando fazer”

Com uma frase do ex-presidente Lula (PT), em que ele diz que o século 21 é o século do Brasil, o periódico defende que ainda faltam 85 anos para essa profecia se provar certa — e destaca que Lula também pode ser indiciado por corrupção. “Raramente a arrogância atingiu níveis tão espetaculares”, conclui.

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