JBS tinha planos para assumir saneamento de ao menos cinco estados, revela delator

Grupo J&F pretendia criar  “uma concessionária dos serviços de água e de esgoto pelo país”. Repercussão da Lava Jato, entretanto, teria freado esquema

Reportagem exclusiva do jornal “Folha de S. Paulo” desta segunda-feira (5/6) revela a intenção do grupo J&f, dono do frigorífico JBS, em assumir o saneamento dos estados do Rio Grande do Norte, Santa Catarina, Alagoas, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais mediante propina.

Segundo a reportagem, o delator Ricardo Saud, executivo do grupo, disse que, no ano de 2014, a empresa tentou se aproximar das administrações estaduais com objetivo de criar “uma concessionária dos serviços de água e de esgoto pelo país”.

Na delação, Saud afirma que as propinas pagas aos atuais governadores de Santa Cataria, Raimundo Colombo (PSD), e do Rio Grande do Norte, Robinson Faria (PSD), tinham esse propósito. Neste último Estado, o plano era indicar um secretário estadual para coordenador a privatização.

A J&F também teria procurado as campanhas dos governadores Renan Filho (PMDB-AL), Reinaldo Azambuja (PSDB-MS) e Fernando Pimentel (PT-MG). Conforme o delator, foram pagos R$ 10 milhões dentro deste plano, sendo parte em doação fiscal.

A multinacional entendeu que precisaria de facilitação nos editais, uma vez que não teria como competir com a OAS ou a Odebrecht neste tipo de contrato. A estratégia da empresa, entretanto, teria sido frustrada diante da crise nas empreiteiras por conta da Operação Lava Jato.

Procurada pela reportagem da “Folha”, o governadores citados negaram o recebimento de propina da empresa e garantiram que as doações do grupo foram legais.

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