Iris não foi consultado para eleição de comissão provisória do PMDB metropolitano

Colegiado a ser presidido pelo deputado Bruno Peixoto vai funcionar por 90 dias. Intuito é dissolver diretório da região, antes dirigido por Mizair Lemes Júnior

Nos bastidores, foi dito que o maior líder do PMDB não foi consultado por Bruno Peixoto (à esquerda) | Fotos: Assembleia Legislativa e Fernando Leite/Jornal Opção

Nos bastidores, foi dito que o maior líder do PMDB, Iris Rezende (à direita), ficou alheio à discussão | Fotos: Assembleia Legislativa e Fernando Leite/Jornal Opção

O deputado estadual Bruno Peixoto foi eleito presidente da Comissão Executiva Provisória dPMDB que vai substituir o atual diretório metropolitano, na tarde desta segunda-feira (22/12). Integrantes da executiva estadual estiveram por quase duas horas na sede do partido, no Setor Aeroporto, em Goiânia. O encontro foi acalorado: da sala de recepção do diretório da sigla era possível escutar discussões em alto e bom som.

Duas chapas foram apresentadas. Por nove votos contra um, a de Bruno Peixoto venceu a disputa. O grupo é composto pelo também deputado neoeleito José Nelto — incluído de última hora no lugar do deputado Wagner Siqueira –, o vice-prefeito de Goiânia, Agenor Mariano, e os vereadores da capital Paulo Borges e Denício Trindade.

A maior polêmica esteve na briga por nomes para a presidência da comissão. Inicialmente, Agenor havia formado uma chapa para o pleito. Nos bastidores, comentou-se que o vice de Paulo Garcia (PT), bancado pelo ex-prefeito Iris Rezende, confrontava diretamente com Bruno Peixoto na disputa pela cabeça de chapa.

Agenor Mariano havia apresentado sua candidatura inicialmente, mas teve de recuar. “Se o deputado fosse conversar com Iris Rezende sobre a disputa, ele iria dizer que o melhor nome era o de Agenor Mariano”, informou um peemedebista. O deputado lançou-se sem informar informar sua intenção ao maior líder do partido, pois sua certeza, conforme relatou um peemedebista, era a de que o ex-governador negaria sua postulação.

Chegou-se a possibilitar a ruptura entre PT e PMDB, com o imediato afastamento do vice do Paço Municipal e a entrega de cargos em secretarias indicadas pela legenda. Porém, ainda não há consenso sobre a debandada.

A outra chapa apresentada era liderada pelo advogado Ênio Salviano da Costa, ex-secretário geral do diretório metropolitano. O derrotado afirmou ao Jornal Opção Online que apresentou-se como candidato porque estava havendo “discussões de nomes, e não de ideias”. Segundo ele, sua proposta de abrir diálogo com setores da sociedade para discussões na área da saúde, transporte coletivo e economia foi rejeitada pelo grupo vencedor. No entanto, Bruno Peixoto negou a informação em coletiva à imprensa.

Represália a Mizair

Os peemedebistas negam que a reunião tenha a ver com o apoio declarado do extinto diretório metropolitano, Mizair Lemes Júnior, à candidatura vitoriosa de Anselmo Pereira (PSDB) à nova mesa diretora da Câmara Municipal de Goiânia, no último dia 11.

Em entrevista ao Jornal Opção Online, Mizair disse que ficou sabendo da reunião desta tarde pelo presidente estadual do partido, o deputado Samuel Belchior, no evento que comemorou nesta manhã os 81 anos do ex-governador Iris Rezende, no Setor Marista. Como havia marcado compromisso, ele não foi ao diretório. “Eu creio que o assunto sobre meu apoio entre na pauta sim. E quero que seja nomeado um novo presidente, com uma chapa que tenha condições de disputar e ganhar as eleições [à Prefeitura de Goiânia em 2016], formando uma bancada forte na Câmara”, indicou.

O vereador vê com naturalidade a formação da nova comissão, ao mesmo tempo que reconhece a possibilidade de expulsão dele do PMDB, assim como nos casos de  Frederico Jayme, Júnior Friboi e Robledo Resende. “Vou continuar no partido, mas não como presidente. Apenas vou manter meu mandato”, resumiu.

Possibilidade remota

Presidente estadual do partido, Samuel Belchior analisa que a possibilidade de expulsão de Mizair Lemes Júnior é mínima. “Isso não tem relação direta com a eleição da mesa diretora da Câmara de Goiânia”, avaliou o parlamentar. Com a extinção do diretório metropolitano, os processos do conselho de ética protocolados naquele colegiado serão encaminhados à executiva estadual. A situação vai demandar tempo maior de análise, já que existem outros encaminhamentos na fila.

A comissão vai funcionar por 90 dias, prazo máximo para que sejam realizadas novas eleições para o cargo. A decisão de prorrogar o prazo dos mandatos exercidos pelos dirigentes estaduais e municipais partiu de uma deliberação nacional da sigla, que recai sobre todos os Estados. No entanto, a executiva do PMDB goiano resolveu por não estender as gestões dos diretórios municipais goianos. “Em Goiás, como passamos por uma eleição e não tivemos êxito, temos a necessidade de reformular o partido em todos os municípios”, resumiu.

Convergência

De acordo com Bruno Peixoto, sua principal missão frente à comissão é buscar a convergência no partido. Além disso, pretende buscar novos filiados e a aproximação com setores segmentados. Para isso, vai propor levantamento sobre o que os integrantes do PMDB pensam em áreas como a saúde e educação em Goiânia e Região Metropolitana, com foco nas eleições de 2016. “O PMDB tem que apresentar um projeto para a cidade. Não temos que pensar em nomes para a disputa, mas sim em um projeto para Goiânia daqui a dois anos”, informou.

Questionado sobre como a aliança com o PT e desgastes enfrentados pela gestão de Paulo Garcia poderia interferir no processo, o deputado foi curto e grosso: “Eu defendo que o PMDB tenha candidatura própria em todo o Estado em 2016, inclusive em Goiânia.” A intenção, relata, é a de formar bancada competitiva e numerosa na Câmara de Goiânia, com cerca de 12 a 13 vereadores.

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