Indústria de Goiás cria quase 20 mil vagas, mas contratações devem perder ritmo no segundo semestre
10 agosto 2026 às 15h36

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A indústria deve apresentar um ritmo menor de contratações em Goiás no segundo semestre de 2026, segundo análise da Gerência de Desenvolvimento Industrial (Gedin) da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg). O estudo, elaborado com base nos dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), aponta que o setor abriu 19.942 vagas líquidas entre janeiro e junho, mas destaca que o comportamento sazonal do mercado de trabalho pode reduzir o desempenho nos meses seguintes.
A economista da Gedin, Gabriela Parreira, afirma que a tendência de desaceleração não significa necessariamente uma reversão do mercado de trabalho industrial. “O mercado de trabalho da indústria tem um comportamento sazonal, e o segundo semestre normalmente apresenta um ritmo menor de contratações”, explica.
Segundo ela, a análise dos próximos meses deve considerar também a continuidade dos investimentos e da produção industrial. “Mais do que acompanhar os saldos mensais, é importante observar a continuidade dos investimentos e da produção industrial, pois são esses fatores que sustentam a geração de empregos no médio e longo prazo”, afirma.
Entre janeiro e junho, o estoque de trabalhadores da indústria em Goiás cresceu 4,77%, acima da média nacional de 2,62%. Com isso, o Estado ficou na sexta posição entre as unidades da Federação no crescimento relativo do emprego industrial. A maior parte das novas vagas veio da indústria de transformação e da construção. Juntos, os dois segmentos responderam por 17.814 postos de trabalho, aproximadamente 89% do saldo industrial registrado em Goiás no período.
A indústria de transformação abriu 10.022 vagas, enquanto a construção registrou saldo de 7.792 empregos. Outros segmentos também apresentaram crescimento no período. Eletricidade e gás teve a maior expansão proporcional do estoque de trabalhadores, de 11,28%, seguido pelas indústrias extrativas, com 6,44%, e pelo segmento de água, esgoto e gestão de resíduos, com 4,54%.
Entre as atividades industriais, obras de infraestrutura lideraram a geração de empregos, com saldo de 4.510 vagas. Na sequência aparecem fabricação de produtos alimentícios, com 4.060, e fabricação de derivados de petróleo e biocombustíveis, com 3.819.
Construção e infraestrutura concentram contratações
O desempenho de obras de infraestrutura também se destaca quando considerado o crescimento proporcional do estoque de trabalhadores. A atividade registrou expansão de 16,61% no semestre. Na sequência aparecem fabricação de derivados de petróleo e biocombustíveis, com crescimento de 14,36%, e eletricidade, gás e outras utilidades, com 11,28%.
As atividades diretamente relacionadas à construção civil também tiveram participação relevante. Serviços especializados para construção e construção de edifícios somaram 3.282 vagas no período, sendo 1.745 e 1.537 postos, respectivamente. Apesar do resultado geral positivo, quatro atividades registraram saldo negativo de empregos no primeiro semestre.
A maior redução ocorreu na fabricação de produtos farmoquímicos e farmacêuticos, com 123 vagas a menos. Em seguida aparecem captação, tratamento e distribuição de água e fabricação de produtos diversos, ambas com redução de 56 postos, e fabricação de móveis, com 42 vagas negativas.
De acordo com a análise da Gedin, essas perdas representaram menos de 2,2% do estoque de trabalhadores de cada segmento. O estudo também aponta que algumas das atividades que registraram redução apresentam menor rotatividade. Na captação, tratamento e distribuição de água, por exemplo, o tempo médio de permanência dos trabalhadores desligados era de 73,1 meses.
Na metalurgia, a média chegou a 42,6 meses, enquanto na fabricação de produtos farmoquímicos e farmacêuticos foi de 27,9 meses. Goiânia apresentou o maior saldo absoluto de empregos industriais no primeiro semestre, com 2.959 novas vagas. Na sequência aparecem Santa Terezinha de Goiás, com 1.580, Anápolis, com 1.429, e Rio Verde, com 984.
Quando o critério é o crescimento proporcional do estoque de trabalhadores, entretanto, municípios menores aparecem entre os primeiros colocados. Santa Terezinha de Goiás teve expansão de 121,8%, seguida por Serranápolis (49,1%), Uruaçu (41,3%), Minaçu (34,7%) e Rubiataba (22,1%).
Em Santa Terezinha de Goiás, praticamente todo o saldo foi concentrado na construção de rodovias e ferrovias, atividade que respondeu por 1.584 vagas. Em Uruaçu, o resultado foi influenciado pela fabricação de álcool e pela distribuição de energia elétrica. Serranápolis e Rubiataba tiveram expansão concentrada na fabricação de álcool. Já em Minaçu, o crescimento esteve relacionado às obras de montagem industrial e ao beneficiamento de minérios metálicos não ferrosos.
Maior parte das vagas foi para funções operacionais
O levantamento também mostra que a expansão do emprego industrial ocorreu principalmente em funções diretamente ligadas à produção. Essas ocupações tiveram saldo de 13.387 vagas, quase dois terços do total registrado no semestre. Na outra ponta, os grupos de alta gestão e gerência tiveram saldo negativo de 259 postos, enquanto profissionais especializados registraram redução de 154 vagas.
Por faixa etária, os trabalhadores de 18 a 24 anos concentraram o maior saldo, com 8.679 vagas. Pessoas entre 30 e 39 anos tiveram saldo de 3.412 postos, seguidas pela faixa de 40 a 49 anos, com 2.987. Em relação à escolaridade, trabalhadores com ensino médio completo representaram a maior parcela das admissões, perfil associado principalmente às funções operacionais e técnicas.
Já os trabalhadores com ensino superior apresentaram menor renovação dos vínculos no período. Com a expectativa de menor ritmo de contratações no segundo semestre, o comportamento do emprego industrial em Goiás dependerá, segundo a análise, da manutenção dos investimentos e do nível de produção. O resultado dos primeiros seis meses, portanto, não deve ser considerado isoladamente para avaliar a trajetória do setor até o fim do ano.
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