Incentivos e infraestrutura são fundamentais para Goiás, defendem lideranças em Anápolis

Segundo seminário do Movimento em Defesa do Desenvolvimento e dos Empregos reafirmou importância da união do setor produtivo, dos trabalhadores e do meio acadêmico para formular propostas visando crescimento econômico e social do Estado

Foto: Divulgação

O município de Anápolis é o melhor exemplo da importância dos incentivos fiscais e de uma boa infraestrutura para a industrialização de uma região do Estado. Criado na década de 1970, o distrito agroindustrial (Daia) só experimentou crescimento a partir de 1984, com o Fomentar, e foi se transformou em um polo que hoje emprega 20,5 mil pessoas com o Produzir, a partir dos anos 2000.

Com este exemplo, lideranças empresariais e dos trabalhadores de mais de 30 entidades enfatizaram na noite de segunda-feira, 7, no segundo seminário do Movimento em Defesa do Desenvolvimento e dos Empregos, realizado em Anápolis, a importância de políticas de atração de investimentos e de uma boa infraestrutura para o Estado alavancar sua economia. Por cerca de quatro horas, o seminário realizado no auditório do Senai reafirmou a importância da união do setor produtivo, dos trabalhadores e do meio acadêmico para formular propostas visando o crescimento econômico e social de Goiás.

Presidente da Facieg, Ubiratan Lopes lembrou que mesmo com uma das melhores infraestruturas do Brasil, o Daia teve apenas cinco indústrias por longo período porque não havia uma política pública de atração de novos empreendimentos. O presidente da Regional Anápolis da Fieg, Wilson Oliveira, narrou os passos para que o distrito anapolino fosse o local escolhido pela Caoa para instalar sua montadora de veículos Hyundai e, mais recentemente, Chery. Ter uma lei de incentivo semelhante à da Bahia, concorrente direta na época, foi fundamental.

O polo farmoquímico do Daia, que hoje produz 40% dos medicamentos consumidos no Brasil, também nasceu dos incentivos fiscais, mas sem eles corre sério risco de migrar para outras regiões do País, alertou o presidente do Sindicato das Indústrias Farmacêuticas do Estado de Goiás (Sindifargo), Marçal Henrique Soares. “Como o investidor pode ter um planejamento se estão alterando as regras do jogo?”, criticou, se referindo à retirada de incentivos fiscais por parte do atual governo e a ampliação do Protege para 15%, além de cortes no crédito outorgado.

O prefeito Roberto Naves ressaltou que as entidades empresariais e representantes dos trabalhadores agem certo ao discutir as políticas para o setor. “Mostra que queremos um modelo mais viável, mais sólido, que atenda todas as indústrias. Devemos discutir não o que pode ser mantido, mas o que pode ser ampliado”, frisou. O advogado Sóstenes Arruda afirmou que Anápolis pode perder a oportunidade de ampliar seu parque industrial com empresas da área de defesa se não cuidar dos incentivos fiscais e da sua infraestrutura.

Membro do Comitê da Indústria de Defesa e Segurança de Goiás (Comdefesa-GO), Sóstenes frisou que é preciso concluir o aeroporto da cidade, o tornando multifuncional e não apenas de carga, além de dar prosseguimento na plataforma logística multimodal. E nesses dois projetos é preciso reservar espaço para empresas do setor aeroespacial. Enfatizou ainda que o incremento na infraestrutura deixaria Anápolis mais atraente, já que ela apresenta algumas características importantes, como sua localização – 85% do PIB nacional está ao alcance de um raio de 1,2 mil km da cidade.

Trabalhadores pregam união com setor produtivo

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Anápolis (Sindimetana), Reginaldo José de Faria, foi claro em relação à participação dos trabalhadores no Movimento em Defesa do Desenvolvimento e dos Empregos, que também conta com o setor produtivo: a necessidade real de se proteger os empregos em Goiás. A entidade que ele preside tem cerca de 9 mil filiados na cidade, distribuídos em 474 empresas, com um terço desse contingente trabalhando no Daia. “Um distrito que a gente vê vários terrenos vazios”, disse o sindicalista. Para ele, parte dos problemas está na insegurança jurídica criada a partir da redução de incentivos fiscais e do debate político que contamina o ambiente de investimentos.

Reginaldo deu a dimensão dos prejuízos para a sociedade com a saída de uma empresa do porte da Caoa Hyundai de Anápolis. “São 1,5 mil empregos. Somente de vale-refeição, por ano, são colocados R$ 12 milhões no mercado”. Ele disse ainda que o anapolino gosta de trabalhar, mas se o governo não rever algumas situações, o sonho de muita gente deixará de existir. “Que possamos dar as mãos nessa caminhada”.

O presidente da Federação dos Trabalhadores na Indústria nos Estados de Goiás, Tocantins e Distrito Federal (Ftieg), Pedro Luiz Vicznevski, fez coro à importância dos incentivos fiscais e questionou a necessidade da “caça as bruxas” promovida pela CPI na Assembleia. Segundo ele, as leis de incentivo já possuem dispositivos para identificação daqueles que sonegam. O movimento em prol dos empregos, continuou Vicznevski, é um passo importante para a sociedade goiana. “Porque é o trabalho que dá dignidade à pessoa”.

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