Ideologia de gênero na mira dos vereadores de Goiânia

Projeto do Plano de Educação da capital foi lido no plenário da Casa nesta terça-feira (16). Base e oposição reagiram e querem remover termos do texto

Com apoio da base e da oposição, Célia Valadão quer suprimir "ideologia de gênero" do PME | Foto: Marcello Dantas

Com apoio da base e da oposição, Célia Valadão quer suprimir termos do PME | Foto: Marcello Dantas

A Câmara de Vereadores Goiânia pretende suprimir pelo menos cinco artigos do projeto do Plano Municipal de Educação (PME) que menciona em sua redação o termo “gênero”, “orientação sexual” e “sexualidade”. O texto foi lido em plenário pelo presidente da Casa, Anselmo Pereira (PSDB), nesta terça-feira (16/6).

A emenda para a exclusão é de Célia Valadão (PMDB), a ser apresentado na Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ). Estão na mira dela os artigos 3.7, 3.12, 3.21,9.9 e 15.13. A peemedebista conseguiu aprovar requerimento solicitando audiência pública para discutir o tema na quinta-feira (18), às 8h30, no auditório Jaime Câmara. Ela ganhou o apoio não só de Anselmo, mas de grande parte dos vereadores. “Não só concordo, mas assino com você também”, disse o presidente.

A ideologia de gênero estabelece que o homem e a mulher não se diferem pelo sexo, mas sim pelo gênero, sendo que este não possui “base biológica”. Célia Valadão, cantora de música gospel e representante do seguimento católico no Poder Legislativo, defende que a expressão “gênero” fere os princípios da família cristã. “Existe uma distorção e confusão em vários pontos que trazem para gente muita preocupação. Até um tempo atrás, quando se falava de gênero, tratava-se de masculino e feminino. Hoje não, [pois] existe uma ampliação e diferenciação dessa concepção de gênero.”

A vereadora relata que tem dúvidas sobre o termo e, por isso, propôs a audiência pública. “De que maneira a inserção da ideologia de gênero vai interferir na educação de nossas crianças?”, questiona, realçando que é favor da maioria das metas previstas no PME.

Ela aponta também que, além de muito recente, o debate é “apenas” ideologia. “Não se pode tirar o direito da família em criar os filhos. Está havendo uma transferência de responsabilidade para uma criança de três, quatro, cinco anos… É como se tivéssemos em uma locomotiva desgovernada. É uma proposta equivocada”, avaliou.

O plano apresentado no início mês pelo Paço Municipal parte de orientação do Plano Nacional de Educação (PNE) estabelecido pelo Ministério da Cultura (MEC). Os trechos referentes à ideologia de gênero também foi excluído das metas nacionais e de outras cidades, como São Paulo.

Agora, o PME segue para (CCJ), presidida por Elias Vaz (PSB). Ainda não há relator definido. O prazo para a segunda e última votação do plano na Casa é dia 24 de junho. Caso contrário, a Prefeitura de Goiânia perde repasses da União para a a área educacional.

Parada Gay

Na semana passada, Célia deu apoio às falas do vereador-pastor Fábio Lima (PRTB), que usou a tribuna para condenar a Parada Gay de São Paulo deste ano. “Foi uma cristofobia”, disse ele. Além dela, outros colegas ligados ao segmento religioso criticaram a performance da transexual crucificada durante o evento.

A peemedebista ressalta que sua fala sobre a ideologia de gênero nada tem a ver com o posicionamento com a Parada LGBT. “Aquele foi um momento em que se incitou a falta de respeito e a provocação à fé cristã. Agora, o que estamos votando hoje não é discriminação”, resumiu.

Apoio da presidência

O tucano recebeu o projeto das mãos da secretária de Educação, Neyde Aparecida em um momento curioso: enquanto o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), concedia coletiva em corredores do auditório da Casa, que sediava encontro do PTB em Goiás.

E antes mesmo de anunciá-lo aos pares, Anselmo articulava com Neyde (ao pé do ouvido de Cunha) a supressão dos pontos.

O plano

O diagnóstico do novo PME, divulgado no início do mês, concluiu que a Prefeitura de Goiânia precisa universalizar o ensino infantil, aumentar o número de escolas de tempo integral e criar, pelo menos, 50% de vagas para crianças de 0 a 5 anos, além de atender toda a demanda de alunos de quatro e cinco anos, conforme o Plano Nacional de Educação (PNE), do Ministério da Cultura (MEC).

O cumprimento da meta vale para os próximos 10 anos. A prioridade é estabelecer planejamentos e estratégias para pensar a quantidade de dinheiro a ser aplicada pelo município no período, a fim de alcançar os objetivos.

A proposta foi elaborada durante um ano pelo Fórum Municipal de Educação e encaminhada ao Poder Executivo. A vistoria é de responsabilidade do Conselho Municipal.

15 respostas para “Ideologia de gênero na mira dos vereadores de Goiânia”

  1. Avatar Fransco Amorim disse:

    A ciência e psicologia afirmam que o homossexualismo e suas variáveis são comportamentos, portanto não tem amparo sua inclusão como 3º gênero(não existe 3º sexo). Obrigar a população a engolir esta mentira e ainda por cima vomitar esta ideologia nefasta sobre as crianças, demostra claramente a ação do PT e de seus asseclas socialistas para destruir nossa sociedade baseada nos valores judaicos cristãos da família. Para isso, estão fomentando e usando esta “inclusão” GLBTS para destruir os valores morais de nossa sociedade que ainda estão impedindo seus planos de transformação do Brasil em uma sociedade parte do império e ideologia socialista/comunista.

    • Avatar Maria Joana disse:

      sabe o que é laico???? Com o avanço da tecnologia a tendência é a merda da nefasta religião desaparecer.

      • Avatar José disse:

        não precisa precisa ser religioso pra saber que homem tem pênis e mulher tem vagina… quem não consegue entender isso?…

      • Avatar Marcos disse:

        Religião é uma coisa, cara Maria, mas os preceitos Cristãos nunca se esvaem, são 2000 anos de história. A propósito, a Bandeira da Suécia tem a cruz de Jesus.

      • Avatar João Paulo Silveira disse:

        E os Suecos só vão a igrejas em batizados e casamentos…..rsrs

      • Avatar Marcos disse:

        Pra vc ver, até a base familiar (irmãos e país morando na mesma casa) é influenciada pela religião.

      • Avatar João Paulo Silveira disse:

        Não sei se fui claro. Quis dizer que há um grande número de sujeitos na Suécia que participam de rituais apenas nominalmente, sem envolvimento com a doutrina ou com os preceitos morais dela.

      • Avatar Lélandi Assis disse:

        Fica claro que a senhora não faz ideia do que é Estado laico. Se a tecnologia pudesse suprimir a estupidez já será um grande passo. Espero que os cientistas, tanto cristãos, que são inúmeros, quanto os de outras religiões possam desenvolver algo pra auxiliar as pessoas a lerem mais e falarem menos asneiras.

      • Avatar Márcio Batista de Oliveira disse:

        Acho que a senhora, Da. Maria Joana, é que não sabe o que é laico. Então vou-lhe explicar: significar garantir a TODAS as religões o livre direito de professar sua fé publicamente em termos respeitosos. É diferente de Estado atéu, que é o que o PT quer implantar no Brasil. Mas acreditamos que ainda neste ano a digníssia Sra. Dilma ainda saíra da Presidência (aonde nunca diveria ter chegado) e levará sua agenda de gênero .

    • Avatar João disse:

      Parei de ler em Ciência.
      Expressar opinião usando como argumento de autoridade aquilo que não se conhece é uma falácia. Digo mais: uma ignorância patológica.

  2. Avatar Jose Gonçalves disse:

    A sociedade deveria protestar não levando a criança pra escola, assim o governo não precisaria repassar recurso pra ensinar as crianças que um pênis pode ser uma vagina ou vice-versa… Francamente…

  3. Avatar Lucas Panthera disse:

    Reduzir os “estudos de gênero” ao termo “ideologia de gênero” é tarefa tendenciosa e de extrema ignorância feita por parte de fundamentalistas e religiosos sobre um questão que lhes foge à incompreensão, uma vez que é necessário considerar a complexidade e multiplicidade dos assuntos que interessam aos estudos. Deve-se ter cuidado ao tratar como ideologia o campo dos estudos de gênero e posicioná-lo à condição de doutrina, pensamento impositivo, instrumento de regulação, o que vai na contramão dos entendimentos até aqui adquiridos sobre gênero, já que o nesmo baseia-se na compreensão e emancipação dos sujeitos.

    • Avatar João Paulo Silveira disse:

      Exatamente! O lance desse pessoal é fazer um espantalho de uma teoria que tem 50 anos de existência. Nunca se preocuparam com a escola e agora plantam “pânico moral” para mobilizar os mais incautos. A polêmica rende capital político e religioso, diga-se. E o bom ainda que alguns usam a palavra ciência para justificar conteúdos de moral e fé.

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