Hospital Araújo Jorge passa a oferecer testes moleculares de HPV a 1.200 pacientes do SUS em Goiânia
22 setembro 2026 às 10h14

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O Araújo Jorge – Hospital de Câncer, em Goiânia, começou a realizar testes moleculares capazes de identificar o HPV oncogênico, tecnologia que deve beneficiar 1.200 mulheres atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na Região Metropolitana da capital goiana. A iniciativa integra o projeto OncoHPV – Tempo é Vida, aprovado pelo Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (PRONON), e tem como foco ampliar o diagnóstico precoce da infecção pelo vírus, principal responsável por cânceres como o do colo do útero.
Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar 19.310 novos casos de câncer do colo do útero por ano ao longo do triênio 2026-2028. Atualmente, a doença ocupa a sexta posição entre os tipos de câncer mais incidentes no país e é o terceiro mais frequente entre as mulheres, dado que reforça a necessidade de ampliar o acesso a exames de detecção precoce dentro da rede pública.
As pacientes contempladas pelo projeto têm entre 15 e 64 anos e chegam ao programa por meio de encaminhamento direto da Atenção Básica, seja em casos de suspeita de infecção por HPV, seja para complementar exames citopatológicos considerados inconclusivos. De acordo com o analista de Biologia Molecular da instituição, Dr. João Antonio Xavier Manso, a solicitação do exame segue um fluxo específico: é o profissional de saúde responsável pelo atendimento na Atenção Básica quem pede o teste, respeitando os critérios definidos pelo projeto e pela rede de saúde.
Uma vez coletadas, as amostras passam por análise no Laboratório de Biologia Tumoral e Oncogenética da instituição, referência em pesquisa e diagnóstico oncológico desde sua fundação, em janeiro de 2010. Ali, os testes utilizam a técnica de PCR em Tempo Real para identificar até 21 subtipos do vírus HPV. Quando surge alguma inconsistência entre o quadro clínico da paciente e o resultado obtido, no entanto, o material pode seguir para uma etapa adicional: o Sequenciamento de Nova Geração (NGS). “Essa tecnologia permite uma análise mais detalhada e de maior resolução, contribuindo para esclarecer casos que não sejam totalmente resolvidos pelo teste convencional”, explica Manso.
Para viabilizar essa nova frente de diagnóstico, o hospital investiu na aquisição de equipamentos de ponta, entre eles um extrator e purificador de material genético, termociclador de PCR em tempo real, freezer para congelamento rápido, freezer laboratorial, geladeira e uma plataforma Illumina de sequenciamento de DNA de nova geração. Juntos, esses aparelhos ajudam na incorporação da medicina de precisão à rotina hospitalar, um avanço especialmente relevante, segundo a equipe técnica, diante da alta variabilidade genética do papilomavírus humano, que reúne mais de 200 tipos virais diferentes.
Veja fotos do processo de análise:
Além da estrutura tecnológica, o projeto também prevê o desenvolvimento de protocolos operacionais padronizados para todas as etapas do processo, da coleta das amostras até a entrega dos resultados, bem como ações de educação em saúde voltadas à comunidade, com o objetivo de reforçar a importância da prevenção e do diagnóstico precoce dos cânceres associados ao HPV.
Na avaliação do coordenador do projeto e de Diagnóstico e Imagem do Araújo Jorge, Dr. Cesar Vilanova, o investimento em tecnologia é determinante para melhorar os resultados do tratamento oferecido às pacientes. “Para otimizar os resultados do tratamento e melhorar a qualidade de vida das pacientes, é necessário ampliar o investimento e a utilização de recursos tecnológicos que possibilitem oferecer um diagnóstico precoce, especializado, rápido e contínuo”, destaca o coordenador.
Já o Dr. João Antonio Xavier Manso reforça que a nova capacidade instalada vai muito além da ampliação da oferta de exames. “Também possibilitará maior autonomia na realização desses testes e contribuirá para a melhoria da assistência aos pacientes do SUS”, afirma.
Segundo ele, a principal vantagem está em fortalecer a estrutura própria do hospital para apoiar o rastreamento e o acompanhamento das pacientes. “Dessa forma, o hospital passa a contar com uma estrutura própria para apoiar o rastreamento, a detecção precoce e o acompanhamento das pacientes, fortalecendo a assistência prestada pelo SUS. Além de permitir uma identificação mais precisa da infecção, a nova estrutura contribuirá para o diagnóstico precoce, possibilitando um acompanhamento mais adequado das pacientes e, quando necessário, uma intervenção mais rápida na prevenção e na redução do risco de evolução para o câncer do colo do útero”, aponta.
Vale lembrar que a atuação do laboratório não se restringe à oncologia: durante a pandemia de COVID-19, a estrutura também serviu como importante centro de apoio a testes moleculares para diagnóstico da infecção pelo SARS-CoV-2, auxiliando diversas unidades hospitalares de Goiás.
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