Helio de Sousa: “Não trabalho com a hipótese de ‘funcionários fantasmas’ da Alego”

Presidente da Assembleia elencou ações tomadas para coibir prática, mas reconhece que não tem controle sobre os comissionados dos gabinetes dos deputados

Presidente Helio de Sousa diz que não opina sobre padre Luiz Augusto  | Foto: Carlos Costa

Presidente Helio de Sousa diz que não opina sobre padre Luiz Augusto | Foto: Carlos Costa

O presidente da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), deputado Helio de Sousa (DEM), afirmou que não acredita na existência de outros “servidores fantasmas” naquela casa de leis. Em entrevista ao Jornal Opção Online, o democrata garantiu que “não trabalha com tal hipótese” e detalhou as medidas que a atual gestão tem tomado para coibir a prática.

Após o programa da Rede Globo “Fantástico” veicular na noite do último domingo (7/6) reportagem especial sobre desvios de verba pública por deputados em todo o Brasil — incluindo o célebre caso do padre Luiz Augusto –, o presidente goiano saiu em defesa dos colegas.

De acordo com ele, os deputados estaduais estariam preocupados com a credibilidade e não querem “cometer deslizes”. “Tenho conversado muito com eles… O risco é muito grande. Ninguém quer manchar seu currículo com um escândalo desses”, sustentou.

No entanto, o presidente fez questão de ressaltar que há uma diferença entre os funcionários comissionados da Assembleia e o dos gabinetes. São 1,2 mil servidores não-efetivos ligados diretamente à Casa de Leis — sob os quais Helio de Sousa garante ter total controle. Outros 1,2 mil estão subordinados aos gabinetes do deputados, sendo que cada um dos 41 tem direito a ter até 35 comissionados, “dependendo do salário. O limite é R$ 69 mil mensais”.

“A responsabilidade é de cada deputado. Ainda não temos a quantidade exata dos gabinetes, mas estamos tomando medidas, inclusive a pedido da Procuradoria da Casa, para fazer esse levantamento e disponibilizar no Portal da Transparência”, anunciou o presidente. A informação é de que está sendo feito o recadastramento de todos os funcionários da Assembleia Legislativa de Goiás — incluindo comissionados dos parlamentares.

Questionado se é possível que haja funcionários que não trabalham, efetivamente, dentro da Alego, Helio de Sousa explica que a Legislação permite que os deputados (estaduais e federais, também) possam ter comissionados em suas “bases eleitorais”. “Eu mesmo tenho um escritório em Goianésia, mas todo mundo que trabalha lá cumpre horário e a cidade inteira os conhece”, assegura.

Quanto às suspeitas de nepotismo na Alego — como mostrado com exclusividade pelo Jornal Opção Online em maio –, o democrata acredita que, “se houver, são casos isolados”.

Medidas

O presidente da Alego aproveitou para elencar, ainda, as medidas tomadas pela atual gestão para coibir (novos) escândalos de corrupção. “Exoneramos todos os servidores ‘fantasmas’; instituímos o ponto eletrônico; criamos o Portal da Transparência e o Conselho de Gestão — que faz o controle das frequências; além de disponibilizarmos o teletransparência, pelo qual qualquer cidadão pode fazer denúncias”, relatou Helio de Sousa.

Além disso, está vigente desde o dia 6 de junho a Avaliação Trimestral do Servidor. Cada gabinete terá que entregar uma avaliação de cada servidor lotado, detalhando o que é feito e o desempenho deste a cada três meses. “Estamos repartindo responsabilidades. Tenho certeza que ninguém vai querer avalizar ou abonar um funcionário que não trabalha”, completa o democrata.

Caso do padre
Padre Luiz Augusto deve ser julgado pela Alego | Foto: Reprodução/Facebook

Padre Luiz Augusto deve ser julgado pela Alego | Foto: Reprodução/Facebook

Sobre a situação atual do padre, o presidente da Alego explica que “o funcionário Luiz Augusto” está de licença para interesse particular (não remunerada) desde o dia 1º de maio e que ele deverá ser julgado por uma comissão.

Desde que o caso foi deflagrado, a Procuradoria da Assembleia Legislativa de Goiás abriu um processo administrativo disciplinar interno que, durante 60 dias, vai apurar a vida funcional do padre na Casa.

Composta por dois procuradores e um funcionário efetivo do Recursos Humanos, a comissão vai decidir o futuro de Luiz Augusto — que poderá ser suspenso e até exonerado. “Em minha posição prefiro não fazer pré-julgamentos. Acatarei a decisão”, arrematou.

O resultado do processo deve ser divulgado no começo de julho.

2 respostas para “Helio de Sousa: “Não trabalho com a hipótese de ‘funcionários fantasmas’ da Alego””

  1. Avatar Mario Borges disse:

    Aproveitem e já podem ir escalando alguém para continuar os obras do Padre Luiz, são inúmeras e todos dependem de dinheiro para se sustentarem , por exemplo.. os drogados , as pessoas velhas e sem lugar para ficar, a casa de apoio aos doentes terminais , e várias outras, o Jornal Opção bem que poderia fazer uma reportagem e verificar se estas obras são mesmo necessárias , o Jornal tem credibilidade, quem sabe a Camara dos Deputados votem um verba neste sentido, compete ao Estado dar segurança social à população mais carente.

  2. Avatar Lita Carneiro disse:

    Lá vem mais um querendo justificar a ilegalidade. “O padre é bonzinho, ajuda os pobres pratica a caridade”. Enquanto fecharmos os olhos para esse tipo de comportamento, o país não tem conserto nem sai do lamaçal em que estamos mergulhados. Não podemos deixar que a emoção ocupe o lugar da razão. Lei é lei precisa ser cumprida. O que podemos esperar de uma Nação onde o sujeito, – do maior ao menor – desrespeita tripudia de uma decisão da Justiça? Reflita!

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