Guerra na Ucrânia completa 1 mês sem previsões de acordos de cessar-fogo

Com bombardeios diários, mais de 3,6 milhões de ucranianos já deixaram o país

A guerra na Ucrânia completa um mês nesta quinta-feira, 24. Sem nenhum acordo previsto de cessar-fogo, o país ucraniano segue sofrendo com bombardeios diários e já soma mais de 3,6 milhões de refugiados. O conflito entre Rússia e Ucrânia é antigo, iniciando-se em 2014, mas chegou em seu ápice no começo deste ano.

Nomeada de “operação militar especial” pelo presidente russo, Vladimir Putin, a invasão à Ucrânia virou a maior crise militar da Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Os motivos alegados por Moscou para iniciar a guerra são, dentre os principais, a aproximação da Ucrânia à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), no final de 2021, e o reconhecimento por parte dos ucranianos à independência das “autoproclamadas” províncias de Donetsk e Luhansk.

Putin considerou a possível aliança da Ucrânia com a Otan como uma ameaça do Ocidente à segurança territorial de seu país. Donetsk e Luhansk, localizadas em Donbass, nas províncias do leste ucraniano, passaram a ser tratadas pela Rússia como Estados independentes e, para “assegurar a paz”, Putin enviou a província entre janeiro e fevereiro 150 mil soldados.

Desde a reunião das tropas de Putin no entorno da Ucrânia, diversos esforços pela paz e diplomacia foram feitos por líderes mundiais, mas que não resultaram em nenhum acordo. Alegando em um vídeo que a “operação militar especial” tinha como objetivo “desmilitarizar e desnazificar” o Estado ucraniano, na madrugada do dia 24 de fevereiro Moscou iniciou sua invasão à Ucrânia.

Quando as forças russas invadiram a Ucrânia, o presidente ucraniano Volodimir Zelensky veio à público e decretou que “qualquer pessoa com experiência militar” fosse convocada a se apresentar para defender o país. Com isso, diversos civis se apresentaram para defender a Ucrânia. Além disso, o presidente ucraniano também liberou o uso de armas e incentivou ações de resistência civil para a defesa do território. “Cada cidadão da Ucrânia deve decidir o futuro de nosso povo. Qualquer pessoa com experiência militar que puder ajudar na defesa da Ucrânia deve se reportar às estações”, disse o líder ucraniano que também afirmou não temer Putin e que não deixaria seu país.

O que as tropas russas não esperavam encontrar era uma intensa resistência ucraniana. Supostamente, Putin pretendia tomar Kiev, capital da Ucrânia, em poucos dias e tirar Zelenski do poder e colocar em seu lugar alguém que fosse pró-Rússia. Mas diante da resistência da Ucrânia e das duras sanções impostas pelos países do Ocidente à Rússia, Moscou vem mudando seu discurso para um acordo mais “diplomático”.

Desde então, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 900 civis vieram à óbito na Ucrânia. A guerra já atravessou momentos muito críticos como a ameaça de Putin de usar armas nucleares caso algum país da Otan tentasse interceder na guerra e os ataques de soldados russos à usina nuclear ucraniana de Zaporizhzhia, a maior da Europa.

Recentemente, Moscou chegou a divulgar o que seria a lista de exigências da Rússia para iniciar um cessar-fogo imediato. Dentre os pedidos de Putin, estão: a Ucrânia deve alterar sua constituição e garantir neutralidade em relação à União Europeia (UE) e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan); deve reconhecer a independência de Donetsk e Lugansk; também deve reconhecer a Crimeia como território russo; os ucranianos devem se render e parar a ação militar.

De início, Zelenski afirmou que as exigências da Rússia eram impossíveis de serem cumpridas, mas diante de tantos bombardeios, mortes e obstáculos, no começo do mês de março, o presidente ucraniano veio à público dizer que estava repensando à aliança com a Otan. “Em relação à Otan, moderei a minha posição sobre esta questão há algum tempo, quando entendemos que a Aliança Atlântica não está pronta para aceitar a Ucrânia. A aliança tem medo de qualquer controvérsia e de um confronto com a Rússia”, afirmou Zelenski em entrevista transmitida pelo canal de TV americano ABC.

O presidente da Ucrânia também afirmou que está disposto a chegar a um “compromisso” sobre o status dos territórios separatistas no leste da Ucrânia. “Podemos discutir e chegar a um compromisso sobre o futuro. O importante para mim é como vão viver as pessoas que estão nesses territórios e que querem fazer parte da Ucrânia”, disse na mesma entrevista.

Observados pelo mundo inteiro que temem que o conflito se desenvolva em uma Terceira Guerra Mundial, o desfecho da guerra entre os países vizinhos ainda é incerto. Especialistas dos mais renomados tentam fazer previsões sobre os possíveis desdobramentos do conflito nos próximos dias, mas tudo é incerto e nebuloso. Se é esperado um encontro entre Putin e Zelenski; os soldados russos estão mais próximos de tomar Kiev, mas também estão sofrendo com falta de assistência; o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, está na Europa para aplicar mais sanções à Rússia. Apenas assistindo os próximos capítulos dessa guerra para descobrir o que acontecerá em seguida.

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