Grupo de Sara Winter previa ser preso, diz jornalista infiltrada

“Vi que eles estavam formando pessoas para ir a Brasília, dar suor e sangue, encarar a possibilidade de irem presas, tudo isso aliado a uma espécie de formação”, diz relato

A jornalista Jessica de Almeida se infiltrou em abril deste ano no canal recém-criado por Sara Winter no Telegram para a criação do “maior acampamento pelo fim da corrupção e da esquerda no Brasil”. Ela relata que desde a criação do grupo já se falava na possibilidade de prisão.

Dois meses depois, Sara e outros integrantes do acampamento, apelidado 300 do Brasil, estão presos, fruto de um inquérito aberto pela Procuradoria-Geral da República (PGR) para apurar atos antidemocráticos em Brasília. Agora a PGR investiga quem financiou o grupo.

“Vi que eles estavam formando pessoas para ir a Brasília, dar suor e sangue, encarar a possibilidade de irem presas, tudo isso aliado a uma espécie de formação. E tinha esse jogo de palavras: você não é militante, você é um militar”, diz Jessica.

Segundo Jessica, o discurso ganhava um tom mais “estranho” na medida em que os detalhes sobre o suposto treinamento, pré-requisito para se unir ao acampamento de Sara, iam sendo divulgados. Os organizadores informaram aos participantes que não poderiam levar celulares para os treinos, realizados a partir de 27 de abril, e que o endereço não seria divulgado previamente.

“Falavam para os participantes usarem roupas confortáveis para entrar em combate com outras pessoas. Naquele fim de semana as enfermeiras e o fotógrafo Dida Sampaio foram agredidos e eles [grupo de Sara] publicaram que aquilo era só o começo, que eles iam aumentar o tom”, relata a jornalista.

Jessica de Almeida denunciou o caso à Polícia Civil de Brasília. Com receio de ser perseguida, ela aceitou ajuda do policial Leonel Radde, para assumir a denúncia no Ministério Público. Radde é conhecido por integrar o movimento antifascismo. Segundo ela, o grupo dos 300 do Brasil no Telegram morreu após seu relato ser divulgado no Twitter.

As últimas mensagens datam de 2 de maio, véspera de manifestações na Esplanada dos Ministérios. Desde então, a organização dos atos e treinamentos internos do grupo se mantiveram mais discretos. Constantemente, participantes do acampamento publicam fotos e vídeos no Instagram do ambiente interno da chácara onde estão hospedados. As informações são de O Globo.

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