Grande parte das doações da JBS foi feita via partidos políticos

Lista divulgada na última terça-feira (30/5) apontou que 12 deputados goianos receberam recursos da empresa

Joesley Batista durante delação ao MPF | Foto: divulgação

Em uma lista divulgada pelo “Congresso em Foco” na última terça-feira (30/5), os delatores da J&F, holding que controla a JBS Friboi, elencam os mais de 2 mil políticos que foram financiados pela gigante da carne em 2014.

De Goiás, seis deputados federais e seis estaduais foram apontados como beneficiários do grupo naquele ano. No entanto, dois pontos precisam ser esclarecidos sobre o tema.

O primeiro deles é que, apesar de Joesley Batista (ex-presidente e sócio) e Ricardo Saud (diretor de Relações Institucionais) relatarem o pagamento de propina, caixa dois e contrapartidas oferecidas pelos então candidatos, há uma parte que apenas recebeu doações — legais e declaradas à Justiça Eleitoral.

Foi neste sentido a defesa dos deputados estaduais Simeyzon Silveira (PSC) e Bruno Peixoto (PMDB): ambos relatam que receberam os valores por “dobradinhas” que fizeram com deputados federais. Daniel Vilela, presidente do PMDB de Goiás, também garantiu que os valores recebidos foram aprovados em sua prestação de contas.

Como até 2016 as doações privadas a campanhas políticas eram previstas na Legislação, em tese, não há qualquer irregularidade no recebimento de recursos da JBS — e de qualquer empresa. O problema se dá justamente quando há repasses não contabilizados e, claro, promessas de benefícios por parte dos políticos.

Não obstante, é preciso destacar que grande parte dos repasses que a JBS indica ter feito aos políticos se deu via partidos. Quer dizer, os diretórios estaduais e nacionais das legendas recebiam as doações empresariais e repassavam aos candidatos.

Foi assim com Adriana Accorsi, que recebeu R$ 5 mil do diretório nacional do PT; e o mesmo se passa com Magda Mofatto (PR) e Rubens Otoni (PT), deputados federais que estão na lista.

É o caso também do vereador Antônio Gomide (PT). que, em entrevista ao Jornal Opção, esclareceu que as doações feitas pela JBS à campanha do PT em Goiás chegaram via diretório nacional, e constam na prestação de contas feita ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Gomide apresentou ainda um documento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que mostra o repasse do Diretório Nacional do PT para o partido em Goiás, com a JBS como doadora originária, no valor de R$ 950 mil cada, nos dias 5 de setembro e 3 de outubro de 2014.

Partidos menores, como o PP, de Roberto Balestra (também citado), tendem a fazer altos repasses a candidatos que têm potencial para serem eleitos. É assim que garantem tempo de televisão, fundo partidário e representatividade no Congresso. Os candidatos beneficiários não têm, pelo menos em um primeiro momento, como saber a origem dos recursos que recebem via diretórios.

Justamente por isso é preciso, como defendem os próprios citados, avançar nas investigações e descobrir o que, de fato, é doação legal e o que foi feito de forma ilegal.

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Jeblin A Abraao

O mesmo aconteceu com o então candidato a deputado Federal Edward Madureira, citado em nota divulgada por este jornal e não citado nesta reportagem. O professor Edward é candidato a Reitor da UFG e a nota divulgada não deixa claro a legalidade do recebimento feito pelo Diretório Estadual do PT, dando a entender que existe por trás dessa divulgação nítida intensão de prejudicar sua candidatura.