Governo estadual resolve problema que gestão Iris se negava a enfrentar

Prefeito de Goiânia disse em entrevista que para “cobrar das empresas” seria preciso aumentar a passagem. Governador Marconi mostrou que não

Prefeito Iris Rezende: gestão municipal nada fez para impedir o aumento | Foto: Fernando Leite/ Jornal Opção

Desde que ventilada a possibilidade de um reajuste no valor da passagem do transporte coletivo de Goiânia e da Região Metropolitana, diversos movimentos contrários — a maioria por parte da sociedade — tomaram o centro do debate popular.

Enquanto as empresas concessionárias alegavam déficit e a necessidade de reajustar a tarifa para pelo menos R$ 4, a Câmara de Vereadores e a própria população criticaram a baixa qualidade do serviço oferecido e a necessidade de mudanças drásticas.

Desde o final de fevereiro, a Câmara Deliberativa do Transporte Coletivo (CDTC), presidida pelo prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (PMDB), vinha tentando chegar a um consenso sobre o tema. Ao que tudo indicava, nesta semana, o colegiado acabaria aprovando o aumento.

No entanto, após intensa (e silenciosa) negociação junto ao sindicato e às empresas concessionárias do transporte coletivo, o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), conseguiu a façanha de evitar o reajuste em 2017, congelando a passagem em R$ 3,70.

A conquista só foi possível porque o governo estadual se comprometeu a assumir 100% do pagamento da gratuidade de estudantes (Passe Livre Estudantil) e, com isso, as empresas de ônibus assimilarão a correção contratual de 2017 — estimada em 8,5% pela Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC).

Ao contrário do que muitos dizem, o pagamento de tal gratuidade não era de responsabilidade total do estado. Em 2014, ficou pactuado que o governo pagaria 50% do Passe Livre Estudantil e as prefeituras da região, 50%. Como os municípios não conseguiram arcar com a responsabilidade, as empresas foram obrigadas a incluir no valor da passagem de todos os usuários.

Apesar de não ser responsabilidade do governo estadual, Marconi diz em vídeo que não poderia deixar de garantir segurança aos trabalhadores da capital, que enfrentam altas taxas de desemprego e a crise que assola o país desde 2015.

Por outro lado, o prefeito da capital, Iris Rezende (PMDB), pouco fez para evitar o iminente reajuste. Aliás, para o decano peemedebista — que sofre com uma gestão engessada, com problemas em todas as áreas e coberta de crises –, o caminho era na verdade aceitar o aumento.

Durante coletiva de imprensa, ele afirmou categoricamente que era preciso “compreender” a necessidade de permitir o aumento para que a prefeitura tivesse “mais autonomia” para cobrar as melhorias.

“Eu determinei que se estude e vê o que estabelece o contrato. A CMTC com a Câmara Deliberativa estão debruçados sobre isso. Foi uma proposta minha ainda de candidato consertar o transporte coletivo da Grande Goiânia. Nós não temos autoridade para exigir hoje se nós não cumprirmos com nossa parte que é o reajuste da passagem. Aumentar mais 20, 30 centavos nos dará direito de exigir da empresas que cumpram o contrato ou vamos tomar medidas mais radicais”, justificou à época.

Evidentemente que os técnicos da CMTC seguem debruçados — quiça dormindo — pois não houve ação por parte da Prefeitura de Goiânia (nem sequer para pagar os 50% da gratuidade que foram pactuados) para resolver o impasse.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.