Governador anuncia volta da navegação na hidrovia Paranaíba-Tietê-Paraná

Marconi Perillo (PSDB) afirmou que retomada do transporte hidroviário nesses rios é motivo de comemoração, após dois anos de reuniões e negociações com ministros, governo federal e Estado de São Paulo

Governador Marconi Perillo (PSDB) falou sobre volta da navegação na hidrovia | Foto: Eduardo Ferreira

Governador Marconi Perillo (PSDB) falou sobre volta da navegação na hidrovia | Foto: Eduardo Ferreira

Por volta das 10h30 desta sexta-feira (11/3), na companhia do prefeito Márcio Vasconcelos (PMDB), de representantes das empresas que operam a hidrovia em São Simão (GO), do secretário Vilmar Rocha (Secima), prefeitos e demais lideranças da região e de outros estados, o governador Marconi Perillo (PSDB) acionou a botoeira que deu início ao carregamento das chatas que formam o comboio de barcaças de soja que deixará o porto goiano com destino a cidade de Pederneiras (SP), onde se localiza o terminal intermodal que promove a transferência da mercadoria para trens cargueiros que seguem em direção ao Porto de Santos (SP).

Depois de dois anos, muitas reuniões e gestões junto ao Ministério de Minas e Energia e outros órgãos do governo gederal e outros estados, o governador Marconi Perillo (PSDB) pôde enfim comemorar nesta sexta-feira a reabertura da hidrovia Paranaíba-Tietê-Paraná, no canal da cidade de São Simão, no extremo Sudoeste do Estado.

O empenho do governador para a retomada da navegação foi comemorado por todas as autoridades que discursaram na solenidade realizada nas dependências da Caramuru Alimentos, para uma plateia superior a 200 pessoas. O prefeito de São Simão agradeceu Marconi “pelo empenho que sempre teve” e por ter “comprado briga em 2001 quando a hidrovia corria o risco de ser desativada”.

Márcio Vasconcelos testemunhou que nestes dois anos em que a hidrovia permaneceu fechada, “centenas de famílias perderam os seus empregos enquanto a economia do município definhava”. Na estimativa do prefeito, o prejuízo neste período pode ter chegado a R$ 1 bilhão.

Raimundo Holanda, presidente da Federação Nacional das Empresas de Navegação Aquaviária, disse que o governador Marconi Perillo quebra o paradigma de que político só trabalha por voto. “Digo isso porque navegação não dá voto”, salientou para completar que o trabalho desenvolvido pelo Governo do Estado “nos dá esperanças de um Brasil melhor, feito por pessoas que trabalham com seriedade e dedicação”.

Disse também que a hidrovia São Simão-Pederneiras movimenta R$ 10 bilhões por ano em produtos de Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo. “São seis milhões de toneladas transportadas por ano, operações que demandam o trabalho de poucas dezenas de marinheiros”.

Segundo Raimundo Holanda, a mesma quantidade de grãos exigiria o trabalho de 200 mil caminhões caso o transporte fosse realizado por rodovias. Outro dado relevante é que, transportando uma tonelada de carga, a distância percorrida com um litro de combustível é de 220 quilômetros pela hidrovia, 85 quilômetros por ferrovia e 25 quilômetros pelo modal rodoviário.

Cada comboio fluvial, formado por quatro chatas e um empurrador, transporta seis mil toneladas de carga por viagem. O transporte entre São Simão e Pederneiras (SP) é feito em quatro dias. Some-se a isso a economia superior a 30% no preço do frete praticado no Brasil, fator que representa diminuição de custo e consequente aumento de renda para os produtores.

Diretor da Louis Dreyfus Commodities, Luis Barbieri também elogiou a “incansável batalha do governador Marconi Perillo pela reativação da hidrovia”. Ele lembrou que o governador foi a primeira autoridade a sair em defesa da hidrovia quando ela foi fechada há dois anos. “Sem o empenho do governador talvez não estivéssemos aqui hoje”, salientou.

Alberto Borges, diretor-presidente da Caramuru Alimentos, declarou que a retomada da navegação representou a vitória “da bandeira que levantaram o governador Marconi Perillo e o secretário Vilmar Rocha. Os desafios foram enormes. Se o governador não liderasse esse processo, a hidrovia teria ficado pelo caminho”.

O presidente da Caramuru, uma das quatro operadoras do porto de São Simão (as outras são a ADM, Louis Dreyfus Commodities e TNPM), recordou que foi graças à insurgência do governador Marconi Perillo, quando do anúncio de fechamento do canal de Pereira Barreto (SP), que a hidrovia foi mantida. “Se o canal fosse fechado, seria o fim da hidrovia, uma vez que ela só tem sentido se ligar São Simão a Pederneiras”, acrescentou.

Ele destacou ainda que a hidrovia, quando teve sua navegabilidade interrompida, vinha registrando crescimento acima de 12% ano. “Agora temos que começar tudo novamente para alcançarmos esse patamar”, observou.

O secretário Vilmar Rocha iniciou sua fala rogando que esta seja a última vez que retorna a São Simão para participar de ato solene de retomada da hidrovia. “Estamos comemorando uma vitória. Tomara que daqui para a frente estejamos aqui para anunciar outras conquistas”, declarou para anunciar em seguida que está em estudo preliminar a extensão da hidrovia para os municípios de Catalão e Itumbiara. “Há estudos preliminares que indicam ser possível”, garantiu.

O secretário da Secima anunciou ainda ter recebido comunicação do Governo de São Paulo de que na próxima semana vai abrir licitação no valor de R$ 300 milhões para o derrocamento das pedras existentes no reservatório de Três Irmãos, próximo à eclusa de Nova Avanhandava, no sentido São Paulo.

A navegação na hidrovia havia sido suspensa pela Marinha devido ao baixo calado (profundidade segura para a navegação) representado pelo excesso de pedras no reservatório de Três Irmãos. A interrupção da navegabilidade deve-se ainda à prioridade dada pelo Governo de São Paulo à geração de energia.

A mesma água da navegação é demandada para a geração de energia e nos dois últimos anos, a prioridade foi usar o recurso nas hidrelétricas em detrimento da hidrovia.

O governador discursou lembrando que esteve em São Simão há 14 anos para impedir que a hidrovia fosse fechada. Na época havia racionamento de energia e o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso havia optado pelo fechamento da hidrovia para privilegiar a produção energética.

No entendimento do tucano, o escoamento da produção de grãos através de hidrovia, aumenta o lucro dos produtores em pelo menos 15%, além de representar queda no preço do frete e menor emissão de gás estufa na atmosfera. “Esta será a única hidrovia que oferece a intermodalidade de transportes – rodovia/hidrovia/ferrovia – até o Porto de Santos. Isso mudará de forma definitiva a história econômica e social de São Simão.”

Por ser mais conhecida como hidrovia Tietê/Paraná, e levando-se em conta a importância de São Simão para a operacionalidade do modal, Marconi apelou a todos que se habituassem, daqui para a frente, a denominar a hidrovia de Paranaíba-Tietê-Paraná. “Afinal, a hidrovia começa aqui em São Simão, no rio Paranaíba, em Goiás”, frisou.

O governador agradeceu o reconhecimento de todos ao trabalho que desenvolveu ao lado do secretário Vilmar Rocha e citou a “colaboração imprescindível e sempre presente do governador Geraldo Alckmin, de São Paulo”.

O governador e comitiva estiveram nos terminais hidroviários da Louis Dreyfus e da Caramuru Alimentos localizadas no Distrito Agroindustrial de São Simão (às margens do rio Paranaíba).

Início da retomada do transporte hidroviário na Paranaíba-Tietê-Paraná | Foto: Eduardo Ferreira

Início da retomada do transporte hidroviário na Paranaíba-Tietê-Paraná | Foto: Eduardo Ferreira

Primeiro passo

No dia 26 de janeiro passado, na presença do secretário Vilmar Rocha, que representou o governador Marconi Perillo, o governador de São Paulo, Geraldo Geraldo Alckmin, acionou a reativação da navegação na Hidrovia Paranaíba/Tietê-Paraná, no trecho entre o km 99,5 do reservatório de Três Irmãos e a eclusa inferior de Nova Avanhandava.

A hidrovia é gerenciada pelo Departamento Hidroviário (DH), órgão vinculado à Secretaria de Logística e Transportes, e beneficia diretamente os Estados de Goiás, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Paraná.

Por causa do baixo nível do rio Tietê, o trecho foi interditado em maio de 2014 depois que algumas barcaças encalharam no trecho paulista. Durante todo esse período, cerca de quatro milhões de toneladas de grãos, principalmente soja, deixaram de ser transportadas pela hidrovia, um prejuízo de quase R$ 1 bilhão para o setor. Cerca de duas mil pessoas foram demitidas. Só no porto de São Simão (GO), as quatro empresas operadoras do sistema pararam as operações.

A navegação no trecho foi reativada com o calado de 2,80 metros, estabelecido pelo Departamento Hidroviário a partir da manutenção da cota dos reservatórios definida em 325,94 metros pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), órgão federal responsável pelo setor energético.

A Hidrovia ocupa importante papel no escoamento de cargas, além de ser um dos principais corredores de exportação do país. De 2006 a 2013, a quantidade de cargas cresceu de cerca de 3,9 milhões de toneladas para 6,3 milhões de toneladas. Alguns dos principais produtos transportados são: milho, soja, óleo, madeira, carvão, cana de açúcar e adubo.

Com a reativação da passagem de cargas de longo percurso, a projeção de movimentação na hidrovia, em 2016, é superar o montante de 6,3 milhões de toneladas de cargas registrado em 2013. Para o ano de 2017, a expectativa é de que essa quantidade suba para 7 milhões de toneladas.

A suspensão da navegação do trecho em Buritama (SP) atingiu as cargas de longo percurso provenientes de São Simão (GO) e Três Lagoas (MS), que compreendem soja, milho, celulose e madeira. No restante do trecho paulista da hidrovia, houve navegação de cana de açúcar e areia.

No ano em que o ponto foi interrompido, em maio de 2014, foram movimentados 4,6 milhões de toneladas de cargas. Já em 2015, o movimento registrado foi de 4,5 milhões de toneladas.

Hidrovia

Foto: Eduardo Ferreira

Foto: Eduardo Ferreira

A hidrovia Tietê-Paraná possui aproximadamente 1.700 quilômetros de extensão, 800 quilômetros localizados no Rio Paraná, administrado pela Ahrana – Administração da Hidrovia do Paraná (ligada ao Ministério dos Transportes),  554 quilômetros no rio Tietê e afluentes, sob responsabilidade do Departamento Hidroviário do Estado de São Paulo, e 180 quilômetros no rio Paranaíba. A hidrovia conecta áreas de produção aos portos marítimos e serve os principais centros do Mercosul.

O Departamento Hidroviário executa o Programa de Modernização da Hidrovia Tietê-Paraná, que prevê investimentos da ordem de R$ 1,5 bilhão, conforme convênio assinado entre o Estado de São Paulo e o Governo Federal, em 2011. Deste montante, R$ 900 milhões são provenientes da União e R$ 600 milhões do Tesouro do Estado. O programa tem como objetivo realizar melhorias e modernização no trecho paulista da hidrovia. (Com Gabinete de Imprensa)

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Welbi Maia Brito

Com o fim da estiagem que paralisou as operações na Hidrovia Tietê-Paraná, cerca de 100 mil viagens de caminhões serão evitadas. Com isso, além do frete ficar mais barato, centenas de empregos serão retomados.