Goiás registra 45,2% de aumento em extinção de empresas

Nos três primeiros meses de 2016, já foram 2.600 pedidos de fechamento, enquanto em 2015, foram 1.790 no mesmo período. Crise, agora, deve atingir comércio varejista

Com os efeitos das crises política e econômica sentidos com maior seriedade, 2015 foi um ano difícil para a economia brasileira. O Produto Interno Bruto (PIB) recuou 3,8%, o dólar chegou a patamares inéditos, batendo os R$ 4, e o número de falências cresceu 16,4%, segundo dados do Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito).

Em Goiás, muitos empresários optam por fechar as portas antes mesmo de chegar em situação de falência, mas isso não quer dizer que o cenário vai bem. Na Junta Comercial do Estado de Goiás (Juceg), não há dados oficiais sobre quantos pedidos de falência foram registrados até março de 2016, mas há outro dado que preocupa: o número de extinção de empresas nos três primeiros meses deste ano é 45,2% maior que o total do mesmo período de 2015.

Segundo dados da Juceg, no primeiro trimestre de 2015, Goiás teve 1.790 pedidos de extinção registrados. Em 2016, já foram 2.600 empresas extintas. Se a tendência de aumento na extinção continuar, o Estado deve fechar o ano com um saldo bem maior que o de 8.214 empresas fechadas em 2015. Em março, o pior mês até agora, foram 948 pedidos.

Este panorama se repete em todas as três maiores cidades goianas. Na capital, o total de extinções saltou de 605 para 932 nos três primeiros meses de 2015. Em Aparecida de Goiânia, foram extintas 124 empresas até março de 2016, enquanto no ano passado foram 101. Por fim, Anápolis viu seu número de empresas extintas crescer de 88 no primeiro trimestre de 2015 para 141 em 2016.

Além do número de extinções de empresas ser alto, também houve redução no número de aberturas. Enquanto no primeiro trimestre de 2015 a Juceg registrou 4.817 aberturas, a quantidade caiu para 4.243 em 2016.

Um dos fatores que mais preocupa é que a crise agora deve chegar a um dos setores que mais mantinha bons resultados até então, o do comércio varejista. Em 2015, o varejo foi responsável por grande parte das aberturas de empresa: naquele ano, por exemplo, 4.849 das 18.688 eram desta área.

No primeiro trimestre, no entanto, já houve redução na abertura de novas empresas: no primeiro trimestre de 2015, foram abertas 1.254 empresas, enquanto no mesmo período de 2016, o número caiu para 1.134. Embora os números sejam preocupantes, especialistas na área dizem o cenário já era esperado.

“Situação em Goiás ainda é melhor que no resto do país”

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Para Rafael Lousa, é preciso planejamento para sair na frente em períodos de crise

Segundo o presidente da Juceg, Rafael Lousa (PSDB), mesmo com os números altos de extinção de empresas, a situação de Goiás ainda é melhor que a de outros estados brasileiros. “A situação no resto do país é grave. No geral, graças ao agronegócio, que emprega bastante, os estados do Centro-Oeste se saíram melhor”.

Para ele, o número de extinções é consequência direta do processo de estagnação econômica do país, mas que em Goiás, além da estrutura econômica, a atuação governamental também ajudou a conter os efeitos negativos. “Temos uma relação governo-mercado muito próxima”, destacou.

O mais preocupante de acordo com Lousa é que se em 2015 o setor que mais sentiu os efeitos da crise foi o industrial, agora a situação pode piorar para o comércio. No ano passado, a maioria das empresas abertas eram deste setor, com destaque para a venda de artigos de vestuário e acessórios, com 602 novas empresas, de produtos alimentícios, com 483 empresas registradas, e de produtos farmacêuticos, com 376 novas empresas. Em 2016, no entanto, o número deve apresentar redução.

Outro aspecto levantado por ele em relação ao número de registros e extinção de empresas é que muitas dessas pessoas estão, na verdade, mudando sua área de atuação. “Tem muita gente driblando a crise ao mudar de área ou mudando de posicionamento no mercado, por exemplo”.

O empreendedorismo também foi ressaltado pelo presidente da Juceg. Os números do órgão não consideram microempreendedores individuais, mas o número provavelmente registrou aumento, já que, em tempos de crises, as demissões em grande escala inspiram pessoas a empreender.

Lousa também lembrou que é preciso ter sensibilidade e correr atrás de crescimento principalmente em períodos de dificuldades econômicas. “Precisamos reconhecer a crise e buscar saídas. Quem tem planejamento adequado e uma boa estratégia montada sai na frente e colhe os frutos depois”, defendeu ele.

“As pessoas estão lutando pra não fechar as portas”

Foto: Reprodução Facebook

Presidente da Acieg critica instabilidade financeira e jurídica no país | Foto: Reprodução Facebook

Para o presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços do Estado de Goiás (Acieg), Euclides Siqueira, que atua diariamente junto ao empresariado, a principal causa das extinções é o sentimento de instabilidade do país. “Primeiro, a instabilidade jurídica: Não tem como viver nesse cenário, todo dia se criam leis novas, fazem novas exigências pra empresa”, reclama.

Além do aspecto jurídico ainda há, segundo ele, a instabilidade financeira do real: “O empresário vai investir no Brasil nesse cenário político?”, questiona Alcides. “A intenção é ter o mínimo de lucro para poder reinvestir e crescer. Aí se faz uma previsão de gastos e o dólar cresce 10, 20 centavos de um dia pro outro, é muita indefinição”, pontua ele.

Segundo Euclides, a retração no comércio, por exemplo, já era esperada como consequência da crise no setor industrial. “A indústria entra em dificuldade, demite. O que que acontece no comércio? Desacelera, porque não tem dinheiro circulando”, esclarece.

“Passe na Bernardo Sayão para você ver, está tudo fechado”, diz, se referindo à rua de comércio popular conhecida principalmente pelas lojas de vestuário. “Ah, os comerciantes foram para a Rua 44… É só ir na 44 pra ver, as pessoas estão lutando pra não fechar as portas”.

Uma resposta para “Goiás registra 45,2% de aumento em extinção de empresas”

  1. Avatar Vinicius disse:

    Muito Obrigado pela noticia Mas queria ver a situação de extinção apenas Industrial,Obrigado !!!

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