Goiás debate potencial para produção de hidrogênio verde

Live promovida pelo Coinfra apresenta diferenciais do Estado, que se destaca pela localização privilegiada e capacidade instalada para produção de biogás e biomassa

Goiás está no chamado Cinturão do Sol e recebe radiação solar média de 5.7kWh/m², acima da nacional. O potencial de energia solar no Estado corresponde a um dos mais favoráveis do Brasil, sobretudo no Nordeste goiano. Com isso, o Conselho Temático de Infraestrutura (Coinfra) da Fieg promoveu na quarta-feira, 27, a live Hidrogênio Verde e sua Aplicação na Indústria. No webinar, acompanhado por empresários e profissionais do setor, foi apresentado panorama mundial da nova tecnologia e o potencial do Brasil para se tornar líder na geração de H2 Verde até 2050.

Os investimentos são de mais de US$ 500 bilhões até 2030. Essa é soma das aplicações mundiais projetadas para produção de hidrogênio verde nos próximos anos. “Percebemos que o avanço dessa matriz energética é um caminho sem volta e, em Goiás, temos uma grande vocação para a produção de energia limpa. O movimento é pela descarbonização da produção industrial e a Fieg está engajada nesse debate”, afirmou o presidente do Coinfra, Célio Eustáquio de Moura, na abertura do evento.

Para a especialista Monica Saraiva Panik, e diretora da Associação Brasileira de Hidrogênio (ABH2), o fato de estar situado em uma das regiões mais privilegiadas do país, significa um melhor aproveitamento da geração de energia limpa e renovável. “Entretanto, essa matriz energética corresponde, ainda, a apenas a 0,3%”, analisou.

A especialista apontou ainda o potencial de capacidade instalada no Estado para produção de biogás e biomassa, processos que também podem derivar hidrogênio verde, além de oportunidade na produção de amônia verde, insumo que pode substituir o tradicional usado pela indústria de fertilizantes.

“Goiás está entre os quatro maiores produtores de biomassa no Brasil e possui grande potencial para gerar energia elétrica a partir de fontes limpas e renováveis, considerando-se especialmente o grande volume de resíduos do agronegócio como insumo”, afirmou Panik.

Sistema energético mundial

Os dados apresentados mostram que, para o mundo atingir o objetivo do Acordo de Paris de reduzir as emissões de gases de efeito estufa, limitando o aumento médio da temperatura global a 2ºC, será necessário descarbonizar grande parte do sistema energético mundial. Com isso, uma quantidade significativa de fontes de energia renovável precisa ser instalada e integrada e setores que demandam energia, como o transporte e a indústria.

Considerado o combustível do futuro, o hidrogênio verde é derivado de fontes renováveis, como a água, e pode ser usado para fornecer energia à indústria pesada e abastecer veículos de grande porte, como aviões e navios. Com mercado global crescente, estimativas do Goldman Sachs avaliam que o hidrogênio verde deve valer US$ 11 trilhões até 2050.

A partir de 2017 iniciou-se um movimento global do hidrogênio como vetor para descarbonização do planeta, com investimentos expressivos de países da União Europeia, além de Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul, China, Austrália e Canadá.

Atualmente, existem HUBs de produção de hidrogênio verde instalados no Japão, Países Baixos e no Porto de Sines, em Portugal, além de iniciativas como rota de importação e exportação de H2 verde – entre Japão e Austrália –, geradores estacionários e produção de veículos preparados para abastecer com a nova tecnologia.

Produção de H2 Verde no Brasil

No Brasil, o projeto-piloto implantado no Porto de Pecém, no Ceará, destacou-se pelos investimentos mobilizados em curto espaço de operação, incentivando iniciativas similares no Porto de Açu (Rio de Janeiro) e Porto de Suape (Pernambuco), além de estudos em andamento no Rio Grande do Norte e em Minas Gerais.

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