Goianos podem encontrar dificuldades na hora de reclamar por falta de luz

Contratação emergencial de empresa paulista para teleatendimento da Celg D causa demissão de 560 trabalhadores terceirizados e possível queda de qualidade no serviço

(Foto: Marcos Santos/USP Imagens)

(Foto: Marcos Santos/USP Imagens/Fotos Públicas)

Com o início do período chuvoso, os problemas com o sistema de distribuição de energia no Estado se multiplicam e a falta de luz se torna uma desagradável constante. Para se ter uma ideia, nos últimos meses do ano, o serviço de teleatendimento da Celg chega a receber 650 mil chamadas por mês, sendo, a maioria, reclamações por conta das frequentes quedas de energia.

Aliada à esta demanda, a mudança de gerência no serviço de telemarketing da Celg, prevista para a próxima quinta-feira (6/11), pode proporcionar aos goianos dificuldades durante a realização de queixas à distribuidora. Ao menos é o que garante Luís Claudio Clemente, gerente regional da Tellus S/A, empresa responsável pelo teleatendimento da Celg D atualmente.

Acontece que, com o fim do convênio com a empresa, a Celg resolveu, por meio de contratação emergencial, terceirizar o serviço de uma companhia sediada em Santos, São Paulo, com o nome de Tivit. O que, segundo Luís Claudio, poderá comprometer o serviço oferecido pela distribuidora goiana, uma vez que a empresa paulista não possuiria o conhecimento necessário para empenhar a função. Para o dirigente, será uma transição “abrupta”, já que os novos terceirizados, segundo ele, terão apenas uma semana de treinamento, sem realização de testes de operação, por exemplo.

“A empresa não conhece o produto. Além disso, serão demitidas 560 pessoas empregadas aqui em Goiás. A nova empresa é localizada em Santos, não tem como fazer a deslocação. A Aneel é muito criteriosa e essa mudança pode causar penalidades para a Celg”, explicou Luís Claudio em entrevista ao Jornal Opção Online nesta terça-feira (4).

De acordo com ele, a Celg e a Tellus, mesmo com o fim da parceria contratual, poderiam ter dado prosseguimento ao convênio, uma vez que a contratação em modo emergencial permitiria a manutenção das relações entre as empresas durante o prazo de 90 dias em que deve durar o novo acordo. “A Celg nem chegou a nos procurar. Não tivemos a oportunidade de fazer uma contraproposta”, argumentou o gerente regional.

A preferência pelo contrato emergencial ocorreu após o desembargador Fausto Moreira Diniz conceder uma antecipação de tutela, suspendendo a licitação do contrato de uma nova empresa que passaria a operar o serviço. A medida tutelar foi oferecida por conta de uma série de exigências, as quais a empresa ganhadora do certame, a Audac Serviços de Cobrança e Atendimento, não preencheria.

Durante entrevista, Luís Claudio lembrou também que, ao longo dos sete anos em que a Tellus S/A esteve à frente do telemarketing da distribuidora, o serviço contou com um enorme “salto de qualidade”, ampliando consideravelmente o número de atendimentos por mês. “Durante este tempo, a Celg nunca foi multada, ao menos não por sua área de telemarketing”, acrescentou.

O Jornal Opção Online tentou contato com a Celg D durante a tarde desta terça-feira, mas não obteve sucesso. Os diretores da distribuidora preferiram não comentar o assunto e a assessoria de imprensa se comprometeu a enviar uma nota de esclarecimento à reportagem quanto às mudanças no serviço de teleatendimento. Entretanto, até a publicação desta matéria, o comunicado ainda não havia sido disponibilizado pela equipe de comunicação.

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