As cidades mais admiradas do mundo ensinam que a verdadeira qualidade de vida não depende apenas de belas edificações ou de grandes avenidas. Ela nasce, sobretudo, da forma como as pessoas vivem os espaços públicos. Paris é um dos melhores exemplos dessa realidade. Seus cafés ao ar livre, distribuídos pelas praças e calçadas, constituem muito mais do que estabelecimentos comerciais: são lugares de convivência, cultura, diálogo e contemplação da vida urbana.

Ali, as calçadas transformam-se em extensões da própria casa. Pessoas de todas as idades sentam-se para conversar, ler, escrever, apreciar a paisagem ou simplesmente observar o movimento da cidade. Essa permanência cria vitalidade, fortalece o comércio, estimula a cultura e aumenta a sensação de segurança pela presença constante de cidadãos ocupando os espaços públicos.

Na Antiguidade, esse papel era desempenhado pelas ágoras gregas, onde a vida social, política e cultural acontecia naturalmente. Hoje, cafés, restaurantes e espaços gastronômicos ao ar livre representam as ágoras contemporâneas, devolvendo às cidades o espírito do encontro e da convivência.

Goiânia nasceu sob uma concepção urbanística inovadora. Planejada como cidade-jardim, foi concebida para harmonizar urbanização e natureza, oferecendo amplas avenidas arborizadas, parques e praças que permanecem como um de seus maiores patrimônios. Entretanto, grande parte desse potencial ainda pode ser melhor aproveitada. Em muitos locais, especialmente na região central, faltam ambientes capazes de estimular a permanência das pessoas e transformar o espaço público em um verdadeiro cenário de convivência.

É nesse contexto que o programa Goiânia Cidade Vida Verde adquire especial significado. A proposta não se limita ao plantio de árvores ou à preservação ambiental. Ela busca integrar natureza, cultura, gastronomia, lazer e urbanismo, formando uma cidade mais humana, acolhedora e vibrante. Cafés, bares, restaurantes e espaços culturais ao ar livre, cuidadosamente integrados ao paisagismo, à iluminação e à segurança, podem revitalizar o centro histórico e devolver-lhe o protagonismo que sempre teve.

Uma cidade torna-se memorável quando oferece experiências. O visitante guarda na memória não apenas seus monumentos, mas os encontros, os aromas, as conversas e os momentos vividos em suas ruas e praças. É essa atmosfera que transforma uma cidade em referência internacional.

Goiânia reúne todas as condições para construir essa identidade. Sua tradição paisagística, seu patrimônio Art Déco, seus parques, sua gastronomia e a hospitalidade de seu povo constituem bases sólidas para um novo modelo de desenvolvimento urbano.

Mais do que criar novos estabelecimentos comerciais, trata-se de recuperar a essência da cidade como lugar de encontro. Afinal, uma cidade verdadeiramente verde não é apenas aquela que possui muitas árvores; é aquela em que a natureza e a convivência caminham lado a lado, fazendo do espaço público um patrimônio vivo de todos os seus cidadãos.

Goiânia, 19 de julho de 2026

Narcisa Cordeiro

Narcisa Abreu Cordeiro

2ª Titular

Cadeira: 35

Natural de Goiânia, formou-se em Arquitetura e Urbanismo pela UCG, com especialização em Planejamento Regional pelo CNDU.
 

Também diplomou-se em Botânica pelo Departamento de História Natural da UCG. Atuou com projetos de urbanismo, paisagismo e fotografia, defendendo as áreas verdes de Goiânia em seminários e congressos. Destacou-se como escritora, poeta, escultora, cantora e historiadora. Como escultora, foi aluna da renomada professora Ana Maria Pacheco e realizou exposições nacionais e internacionais. Coordenou o Museu de Escultura ao Ar Livre, na Praça Universitária. Integra treze instituições culturais no Brasil e no exterior, entre elas AFLAG, IHGG e União Brasileira de Escritores. Possui trabalhos publicados em jornais, revistas e dicionários lítero-culturais. Entre suas obras estão In Totum e estudos sobre o plano urbanístico de Goiânia. Na música, lançou o LP Narcisa e o CD Oráculo, como compositora e soprano dramático.

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