Gestão Iris ignorou completamente Conselho de Políticas Urbanas, critica especialista

Há dois meses do fim do prazo de entrega da revisão do plano diretor, Jornal Opção ouve especialistas candidatos ao Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Goiás

Atual presidente do CAU-GO, Arnaldo Mascarenhas | Foto: Alexandre Parrode

Mayara Carvalho

O Plano Diretor de Goiânia completou dez anos e uma revisão deve ser feita e apresentada até o dia 31 de dezembro deste ano, segundo prazo estipulado pelo Estatuto das Cidades. No entanto, muito do que estabelece a legislação em vigor foi descumprido e as leis complementares carecem de regulamentação em pontos considerados cruciais até hoje.

Essa é uma das principais falhas do plano diretor apontada pelo arquiteto urbanista Arnaldo Mascarenhas, candidato da chapa 1 que pretende comandar o Conselho de Arquitetura e Urbanismo em Goiás (CAU-GO).

“O plano tem muitas falhas, muitos erros de forma geral. Mas as principais falhas são de implantação, e não de concepção. Muitas propostas do plano sequer chegaram a ser implantadas. Por exemplo, o plano diretor previa um monitoramento bairro a bairro com acompanhamento por parte da população que nunca aconteceu. Isso é muito grave”, analisa.

O arquiteto, que é o atual presidente do conselho, avalia que  objetivo final do Plano Diretor, que é estabelecer diretrizes que permitam o desenvolvimento da cidade e de suas funções sociais, além de garantir à população a requalificação do território do município e uma cidade mais justa e sustentável, não está sendo atingido.

Para ele, o Plano Diretor não tem sido tratado com a atenção que o assunto merece. “A gestão Iris ignorou completamente a existência do Conselho Municipal de Políticas Urbanas (Compur). Já são 10 meses de administração e até hoje o conselho não teve uma reunião se quer. O órgão poderia contribuir grandemente para as discussões do plano diretor como já foi feito no passado”, lamenta.

Outro ponto destacado por Arnaldo como primordial é a questão da densidade demográfica, que segundo ele precisa ser melhor organizada em várias áreas da metrópole. “Nós não temos, por exemplo, uma política de ocupação do Centro da cidade. Muitos edifícios estão subutilizados ou até abandonados. Abaixo da avenida Goiás as ruas estão numa situação muito séria de mau uso do espaço urbano”, exemplifica.

Responsável pela revisão do plano, equipe técnica da Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Habitação (Seplanh)  foi constituída em 16 de janeiro deste ano. Apesar do longo tempo, a discussão ainda aguarda apresentação do relatório de prognósticos, ou seja, as “soluções” para a cidade nos próximos 10 anos.

Eleição 

Nesta terça-feira (31/10), os arquitetos e urbanistas de Goiás elegem a nova diretoria que comandará a entidade entre 2018 e 2020. Em todo o Estado, o número de profissionais aptos a votar é de 2.265, segundo lista publicada pela Comissão Eleitoral Nacional (CEN).

São três chapas concorrendo. Confira a composição de cada uma e as propostas apresentadas: Chapa 1, Chapa 2 Chapa 3.

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