Uma pesquisa recente indica que microrganismos da Terra podem resistir às condições extremas do espaço e, potencialmente, contaminar outros planetas. O estudo, publicado na revista Applied and Environmental Microbiology, analisou fungos encontrados em ambientes altamente controlados e aponta riscos para missões espaciais, especialmente em relação a Marte.

O levantamento foi conduzido por cientistas de universidades dos Estados Unidos e da Alemanha, que investigaram microrganismos presentes em salas limpas da NASA, locais projetados justamente para evitar a presença de contaminantes biológicos durante a montagem de espaçonaves.

Mesmo com protocolos rigorosos de esterilização, os pesquisadores identificaram espécies com alta capacidade de sobrevivência. Ao todo, foram analisados esporos de 27 tipos de fungos, além de outros microrganismos já conhecidos por sua resistência a condições extremas.

O destaque foi o fungo Aspergillus calidoustus, que apresentou resistência significativa a fatores como radiação ultravioleta e ionizante, variações bruscas de temperatura e baixa pressão atmosférica, condições semelhantes às enfrentadas em missões espaciais e na superfície de Marte.

Os testes também simularam a exposição ao regolito marciano, camada de poeira e rochas que cobre o planeta vermelho, além de radiação por longos períodos. Mesmo nessas condições, os esporos do fungo sobreviveram por cerca de 1.500 minutos. Apenas a combinação de frio extremo com alta radiação foi capaz de eliminá-los.

Segundo os autores, os resultados não indicam que a contaminação de Marte seja inevitável, mas reforçam a necessidade de aprimorar medidas de proteção planetária, conjunto de protocolos que busca evitar a transferência de vida entre planetas durante missões espaciais.

A pesquisa também chama atenção para o fato de que esporos de fungos podem ser mais resistentes do que bactérias em determinados cenários, o que exige revisão dos métodos de descontaminação atualmente utilizados.

Os cientistas afirmam que compreender esses riscos é fundamental para garantir a integridade de futuras missões de exploração e para evitar interferências em possíveis estudos sobre a existência de vida fora da Terra.

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