Indústrias afirmam que não têm mais capacidade de absorver os sucessivos aumentos dos custos do milho e da soja utilizados na produção de rações e terão de repassar parte destes aumentos

O setor de avicultura em Goiás (e em todo o País) tem enfrentado desde 2020 forte aumento de custos, principalmente com a produção das rações para as aves, que é composta em mais de 80% por milho e soja. A preocupação do setor é que estes custos devem subir ainda mais no primeiro semestre deste ano, agravados com os recentes problemas na produção agrícola gerados por fatores climáticos.

A Região Sul do País enfrenta a pior seca em 17 anos, o que tem prejudicado as safras de milho e soja. Em outras regiões as chuvas são o principal problema. Muitos municípios do Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Goiás, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia, por exemplo, recentemente, chegaram a declarar situação de emergência.

Os produtores de ovos já foram obrigados a reduzir parte de seus plantéis por não terem condições de alimentar as galinhas poedeiras e a situação chega a um ponto em que os ovos que as galinhas produzem não pagam nem as rações que elas comem.

Com o frango não é diferente. As agroindústrias produtoras de frangos absorveram a maior parte dos aumentos dos custos no ano passado na expectativa de uma boa safra 2021/2022, porém efeitos climáticos estão provocando sucessivos aumentos dos cereais que compõem as rações. Milho e soja batem recordes de preços. A carne de frango foi, no ano passado, a principal alternativa dos brasileiros em relação às demais proteínas, a carne bovina foi às alturas.

Devido aos recentes problemas na produção agrícola do País as empresas perderam suas margens e não têm condições de absorver os atuais aumentos de custos, afirma o presidente da Associação Goiana de Avicultura (AGA), Cláudio Almeida Faria. A conta não fecha e a reposição de plantéis já está comprometida. O momento é de cautela, naturalmente estes custos, como em todos os segmentos, vão refletir diretamente nos preços dos frangos. O cenário mais crítico é o do milho, cuja produção já foi menor em 2021.

No ano passado, as agroindústrias arcaram com grande parte dos aumentos de custos, mas isso não se sustenta no longo prazo. “Para se ter uma ideia, embora a inflação oficial do País (medida pelo IPCA) tenha ficado na casa dos 10% em 2021, os custos de produção na avicultura aumentaram cerca de 40% no ano passado e continuam com forte viés de alta neste início de 2022”, frisa Faria. As indústrias estão recompondo seus estoques de milho e soja com outros patamares de preços.