Contato com agrotóxicos pode ter causado formação de gêmeas siamesas nascidas em Goiânia, diz médico

Em tom reservado, Zacharias Calil confessou não estar otimista quanto a recuperação das irmãs, que, segundo ele, tem apenas 1% de chance de sobreviverem

Fotos: Arquivo pessoal

Fotos: Arquivo pessoal/ Jornal Opção Online

As gêmeas siamesas que nasceram no mês passado no Hospital Materno Infantil (HMI) e foram separadas no último sábado (3/1) seguem internadas em estado gravíssimo. De acordo com cirurgião pediátrico Zacharias Calil, o fato raro pode ter sido ocasionado devido ao contato da mãe das crianças, Iara Pereira Dourado, de 24 anos, com agrotóxicos sete meses antes de engravidar.

O uso de defensivos agrícolas é atualmente o principal método usado contra as doenças e pragas em plantações. “Uma das nossas teorias é a alteração no meio ambiente com o uso de agrotóxicos. A família teve contato com um avião de pulverização de lavoura na zona rural da cidade onde moram, em Ibipeba, na Bahia”, acredita o médico-chefe da equipe que cuida de Anny Beatriz e Anny Gabrielly.

Ainda em tom reservado, Zacharias Calil confessou não estar otimista quanto a recuperação das irmãs, que, segundo ele, tem apenas 1% de chance de sobrevivência. “Agora, devemos esperar que o organismo das meninas reajam de forma independente, já que estão separadas. Mas acentuo que as chances são mínimas. Elas estão tomando medicamentos para controlar a pressão arterial e realizando transfusão de sangue diariamente”, disse durante coletiva de imprensa na manhã desta segunda-feira (5).

Em forma de pedido, o médico informou que o tipo sanguíneo das irmãs é O+, ou seja, podem receber transfusão de qualquer pessoa: “Quem quiser doar, pode encaminhar-se ao Hemocentro. Toda ajuda é bem vinda”, salientou Zacharias Calil.

Anny Beattriz, que possui 2,3 kg e 45 cm, e Anny Gabrielly, que está com 1,5 km e 36 cm, seguem internadas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal e estão sendo observadas constantemente por dois médicos intensivistas. Ainda de acordo com informações de Zacharias Calil, Anny Gabrielly tem apenas um rim, no entanto se recupera melhor que Anny Beatriz — “que tem mais complicações cardíacas”.

Casos atendidos em Goiás

Em 1999, foi realizada no HMI a primeira cirurgia de separação de gêmeos siameses da região Centro-Oeste. O fato ganhou repercussão nacional e, desde então, outros 27 casos vindos de vários estados brasileiros foram acompanhados pela equipe médica da unidade de saúde localizada no Setor Oeste, em Goiânia.

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“Hoje somos referência neste tipo de tratamento pediátrico”, disse Zacharias Calil | Foto: Fernando Leite/ Jornal Opção

Conforme informou Zacharias Calil ao Jornal Opção Online, dos 27 casos, 15 morreram no parto ou logo após o nascimento, 12 chegaram a ser operados e, deste número, 6 sobreviveram. “Ainda sim esse índice de 50% de sobrevivência dos casos que foram separados é altíssimo. Hoje somos referência neste tipo de tratamento pediátrico. É difícil encontrar um hospital que realize no Brasil a separação de recém-nascidos”, pontuou.

Histórico

As crianças nasceram no dia 10 de dezembro, com 37 semanas, e eram unidas pelo tórax e abdômen, compartilhando o fígado. A operação de separação foi realizada no sábado. Ao todo, 12 profissionais, entre cirurgiões pediátricos, médicos intensivistas, anestesistas, cardiologista, nefropediatra e enfermeiros participaram da cirurgia.

As meninas são filhas do técnico agrícola Jeiel dos Santos, de 25 anos, e Iara Pereira. O casal é da Bahia e veio para Goiás em busca do tratamento. “Estamos na casa da minha irmã. Viemos somente por causa de minhas filhas”, explicou o pai.

Uma resposta para “Contato com agrotóxicos pode ter causado formação de gêmeas siamesas nascidas em Goiânia, diz médico”

  1. João disse:

    É errada a afirmação de que, por possuírem sangue do tipo O+, as irmãs possam receber transfusão de qualquer pessoa. Apenas indivíduos pertencentes aos grupos O+ e O- podem doar para elas. O tipo sanguíneo considerado ‘receptor universal’ é o AB+.

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