Por uma decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), o senador e candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), tornou-se oficialmente investigado no âmbito do inquérito que apura a produção e financiamento do filme ‘Dark Horse’, que retrata o ex-presidente e pai de Flávio, Jair Bolsonaro.

Com isso, passou-se a levantar, inevitavelmente, o questionamento: agora que é investigado, Flávio corre o risco de ser preso? Para um reconhecido criminalista de Goiás ouvido pelo Jornal Opção, a resposta é direta: sim.

O Jornal Opção entrou em contato com Flávio Bolsonaro por mensagem via WhatsApp. Mas até o fechamento desta matéria, não houve retorno. O espaço permanece aberto.

A decisão de Mendonça sobre Flávio foi proferida em 22 de julho, a pedido da Polícia Federal (PF). Na ocasião, a instituição solicitou a apuração de “possível prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos correlatos” no contexto do financiamento da produção de ‘Dark Horse’ junto ao Banco Master, de Daniel Vorcaro.

Leia também: Fachin pede e Mendonça retira sigilo de parte do caso Master

E segundo o advogado criminalista e professor universitário Gilles Gomes, de Goiás, alguns dos possíveis crimes citados pela PF são considerados “continuados”, ou seja: “enquanto não se descobre para onde o valor foi ocultado, o crime continua acontecendo”.

“Essas situações autorizam a prisão preventiva. Então, sim, ele pode ser preso. Não é necessária a conclusão do inquérito para que haja um pedido de prisão”, explica Gomes.

Vale destacar que o senador Flávio Bolsonaro é citado pela PF como “interlocutor direto” do ex-banqueiro Daniel Vorcaro nas negociações envolvendo o financiamento do filme Dark Horse. Segundo a instituição, há indícios de que o presidenciável participou de cobranças por pagamentos, esteve em reuniões presenciais e acompanhou o andamento das gravações.

As informações fazem parte de uma representação encaminhada pela PF ao ministro André Mendonça. Os documentos tiveram o sigilo retirado na noite de quinta-feira, 10.