A chegada do senador Flávio Bolsonaro (PL) aos Estados Unidos provocou críticas de parlamentares democratas e mobilização nas redes sociais pela deportação do brasileiro e de seus familiares. A hashtag #DeportTheBolsonaros, que significa “Deportem os Bolsonaros”, passou a ser utilizada por americanos e brasileiros contrários à permanência da família em território americano.

Vídeos publicados nas redes sociais mostram americanos criticando a decisão do presidente Donald Trump de permitir a entrada do senador e de seus familiares no país. As manifestações questionam a política migratória do governo republicano e cobram explicações sobre o tratamento concedido ao parlamentar.

Um dos participantes dos vídeos ironiza a ausência de agentes de imigração diante da chegada do brasileiro.“Ah, um famoso imigrante criminoso procurado no nosso país? Nenhum agente do ICE [Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos] à vista”, diz. Em outra gravação, um americano questiona a política migratória de Trump. “Donnie, isso não é nada firme com a imigração e o crime da sua parte, é?”, afirma, em referência ao presidente.

Americanos cobram explicações de Donald Trump

Parte das críticas se concentra na decisão do governo americano de conceder vistos a Flávio Bolsonaro e aos familiares que o acompanham. Um dos participantes dos vídeos afirma que a recepção ao senador brasileiro contradiz o discurso de Trump sobre segurança e imigração.

“Donald Trump fez mais pelo Flávio Bolsonaro do que jamais fez por nós, o povo americano”, declara outro crítico. O jornalista Don Lemon também questionou a postura do presidente americano. “Donald Trump precisa explicar esse tapete de boas-vindas. O que aconteceu com toda aquela conversa sobre lei e ordem?”, afirmou.

As manifestações também fazem referência à atuação do ICE. Os críticos cobram coerência entre as medidas adotadas pelo governo e o discurso republicano sobre o controle da imigração. Em outro vídeo, um participante resume a mobilização com uma frase em inglês: “Não sei falar português, mas… deportem o Bolsonaro”.

A campanha também ganhou manifestações em tom de ironia. Um dos americanos questiona a presença do senador em Miami: “Como assim o Bolsonaro está em Miami? O quê?”. Outro vídeo critica a entrada de estrangeiros que o participante considera criminosos. “Por que estamos permitindo que criminosos imigrem para os Estados Unidos?”, pergunta.

Críticas associam família Bolsonaro a autoritarismo

Parte dos vídeos ultrapassa a discussão sobre imigração e aborda questões políticas. Um dos participantes compara a recepção a Flávio Bolsonaro à entrada de pessoas que considera autoritárias nos Estados Unidos. “Quando aceitamos criminosos de guerra e aspirantes a ditadores no nosso país, é porque esperamos, seja em um ano ou em dez anos, reinstaurá-los como regimes que sirvam aos Estados Unidos”, afirma.

Outro participante diz que o senador estaria nos Estados Unidos para evitar as consequências de sua situação política no Brasil. “E agora ele está nos EUA se escondendo”, declara. Em outro vídeo, um americano canta ao piano uma música que associa a saída de Bolsonaro do Brasil à derrota eleitoral. A letra afirma que o senador deixou o país após perder a eleição e o chama de criminoso.

Flávio Bolsonaro desembarcou em Miami na quarta-feira, 28, acompanhado da esposa e das duas filhas, depois de passar por outros países durante o deslocamento. A viagem ocorreu após a derrota eleitoral no Brasil, no último domingo, 25, quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu a disputa presidencial.

Antes de deixar o país, Flávio havia afirmado publicamente que não sairia do Brasil e que entregaria seus passaportes após uma determinação judicial. A entrada da família nos Estados Unidos foi viabilizada pelo governo Donald Trump.

Segundo informações atribuídas a fontes da Casa Branca pela imprensa, o presidente americano autorizou a concessão de vistos ao senador e a seus familiares. Inicialmente, aliados de Flávio mencionaram a possibilidade de um pedido de asilo político. Trump manifestou apoio à entrada do brasileiro e afirmou considerar que Flávio e seus familiares eram pessoas decentes.

Parlamentares democratas criticam concessão de vistos

A decisão do governo republicano provocou reação entre parlamentares democratas. O deputado Joaquin Castro, do Texas, questionou a concessão de proteção a Flávio Bolsonaro e argumentou que uma derrota eleitoral não constitui motivo para receber asilo político.

Já o deputado Shri Thanedar, de Michigan, criticou a saída do senador do Brasil em meio a investigações. O candidato democrata ao Congresso pelo Texas Isaiah Martin também se posicionou contra a permanência da família nos Estados Unidos. Ele afirmou que defenderia a deportação dos integrantes do grupo caso os democratas tivessem condições políticas para adotar a medida.

A repercussão da chegada de Flávio Bolsonaro ocorre em meio à disputa política nos Estados Unidos, às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato, previstas para o próximo dia 3 de novembro. Os democratas têm utilizado decisões do governo Trump como alvo de críticas à administração republicana.

Nesse contexto, a concessão de vistos à família Bolsonaro passou a integrar o debate sobre imigração, política externa e prioridades do governo americano. Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta semana apontou 32% de aprovação e 66% de desaprovação ao governo Trump.

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