Bastidores de filme sobre Bolsonaro acumulam denúncias de assédio, atrasos em pagamento e precariedade
15 maio 2026 às 12h15

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O filme “Dark Horse”, filme que conta a historia do ex-presidente Jair Bolsonaro, já havia se envolvido em polêmicas outras vezes. Antes da revelação de um investimento de R$ 61 milhões feito por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a produção já havia sido alvo de denúncias por condições precárias.
Funcionários relataram comida estragada, alimentação insuficiente para longas jornadas de trabalho, atrasos de pagamento e revistas consideradas abusivas durante as gravações ocorridas em São Paulo.
As declarações constam em um relatório de de dezembro do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões de São Paulo (SATED/SP), ao qual o g1 teve acesso. Segundo o documento, há relatos de figurantes e técnicos envolvidos na produção do cinebiografia.
Na época, ao todo, foram feitas ocorrências formais por trabalhadores por meio do canal de denúncias Reclame SATED. O documento reúne relatos de figurantes brasileiros, artistas com e sem registro profissional (DRT) e técnicos que participaram das gravações de “Dark Horse”.
O diz o documento
No relatório, os denunciantes afirmam ter havido tratamento desigual entre o elenco estrangeiro e os figurantes brasileiros.
Segundo os relatos reunidos no documento, enquanto a equipe principal tinha acesso a café da manhã e almoço em sistema self-service, os figurantes recebiam apenas um kit lanche com pão com frios, uma maçã, uma paçoca e um suco. Os trabalhadores afirmam que a alimentação não era suficiente para jornadas que ultrapassavam oito horas.
O relatório também cita denúncias sobre o fornecimento de comida estragada no dia 30 de outubro de 2025. Parte das reclamações teria sido encaminhada ao sindicato por meio de mensagens de WhatsApp.
Além disso, os denunciantes relataram atrasos nos pagamentos, cachês considerados abaixo do valor praticado no mercado e contratações informais feitas por grupos de WhatsApp. Há ainda queixas sobre pagamentos realizados em dinheiro, sem emissão de nota fiscal.
Outro ponto levantado pelos trabalhadores envolve o transporte até os locais de gravação. Segundo os relatos, alguns figurantes precisavam pagar R$ 10 pelo deslocamento, valor que podia ser cobrado em espécie ou descontado do cachê no fim da diária.
O documento também reúne denúncias de episódios frequentes de assédio moral e de condições consideradas precárias durante as filmagens. Em um dos relatos, um figurante afirma ter sido agredido fisicamente no set. De acordo com o sindicato, ele registrou boletim de ocorrência e informou que faria exame de corpo de delito.
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