Fica 2015 divulga filmes selecionados e tem recorde de produções goianas

Foco, segundo secretária Raquel Teixeira, é recuperar o modelo original do festival. Temática principal será água e apresentações musicais serão feitas apenas por goianos

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Secretária Raquel Teixeira: “Agora a intenção é recuperar o modelo original do festival, que veio para ficar” | Foto: Mônica Salvador

A secretária de Educação, Cultura e Esporte, Raquel Teixeira, anunciou na manhã desta sexta-feira (26/6) os 21 filmes selecionados para a Mostra Competitiva do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica) deste ano. Com maior presença de produções goianas, secretária garante que pretende marcar o festival com um perfil voltado ao audiovisual e meio ambiente, prestigiando artistas goianos.

A ser realizado entre os dias 11 e 16 de agosto na Cidade de Goiás, o festival destinará um total de R$ 240 mil para a premiação de filmes da Mostra Competitiva. “Temos a intenção de recuperar o modelo original do festival, que veio para ficar”, informou Raquel, que quer instituir um modelo de evento voltado ao Estado, com debate aprofundado.

A temática principal do Fica 2015 será a questão da água, com representantes renomados para o debate sobre a situação ambiental e sobre o audiovisual. De acordo Raquel Teixeira, durante o festival, as manhãs serão ocupadas com oficinas e workshops, as tardes serão marcadas pela mostra competitiva e à noite serão vistos shows e apresentações.

Este ano, o Fica traz 28 shows de artistas goianos. A abertura será feita pela Orquestra Jovem de Goiás e o encerramento pela Orquestra Filarmônica, que prepara um repertório com temas de filmes.

Segundo a secretária, a escolha das obras não foi fácil. “Vimos muitos filmes bons”, disse. Foram 327 filmes inscritos, 111 internacionais, 200 nacionais (55 goianos) e 16 co-produções entre Brasil e outros países.

A seleção ocorreu do dia 4 a 25 de junho, no Cine Cultura. O júri de seleção foi composto pelo representante da Associação Brasileira de Documentaristas (ABD), Kim-Ir-Sem, do Conselho Estadual de Cultura, Leandro Cunha, e da Associação de Cinema Independente de Goiás (Acine), Roxane Torres.

A lista de filmes possui 12 nacionais, 9 internacionais e 7 filmes goianos. São 5 longas-metragens, 3 médias-metragens e 13 curtas-metragens. As obras selecionadas representam seis Estados brasileiros e o Distrito Federal: Goiás, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Pernambuco, São Paulo e Espírito Santo. Além do Brasil, Venezuela, Suíça, França, Espanha, Reino Unido, Portugal e Índia estão sendo representados no festival.

Fica 2015

Filmes inscritos
Filmes brasileiros: 200 (sendo 55 goianos)
Filmes internacionais: 111
Coproduções entre Brasil e outros países: 16
Total de filmes inscritos: 327

Mostra Competitiva
Total de filmes selecionados: 21
Longa-metragens: 5
Média-metragens: 3
Curta-metragens: 13
Filmes brasileiros: 12
Filme internacionais: 9
Filme goianos: 7
Documentários: 17
Animações: 4

Longa-metragens selecionados

1. Desculpe pelo Transtorno: A História do Bar do Chico (Brasil/SC, Documentário, 79 minutos, 2014)

Direção: Todd Southgate

“Desculpe pelo transtorno: A História do Bar do Chico” é um documentário que narra a história de Seo Chico, cujo pequeno e rústico bar à beira-mar, tornou-se o marco-zero na batalha de uma comunidade que vem lutando para proteger os seus meios de subsistência, a sua cultura e, como alguns ainda colocam, o bem-estar de toda a ilha.

2. El Rio que nos Atraviesa (Venezuela, Documentário, 71 minutos, 2013)

Direção: Manuel Blanco

“El Rio que nos Atraviesa” é um documentário autorreflexivo que busca registrar e questionar uma realidade que será transformada pela exploração petrolífera, ali exatamente onde, desde épocas ancestrais, gerou-se a vida: o Rio Orinoco. Há um conflito quando pensamos em todos os benefícios que o Projeto Orinoco Magna Reserva trará para a Venezuela como país em crescimento. Mas realmente vale a pena contaminar este rio que nos deu tanto e é uma reserva da memória milenar de nossos povos indígenas?

3. My Name is Salt (Suíça, Documentário, 92 minutos, 2013)

Direção: Farida Pacha

Anos após ano, ao longo de intermináveis oito meses, milhares de famílias se mudam para um deserto na Índia com o objetivo de extrair sal do solo escaldante. A cada monção, os campos de sal são lavados pela chuva, quando o deserto vira mar. Ainda assim, elas retornam, lutando para produzir o sal mais branco do mundo.

4. O Veneno está na mesa II (Brasil/RJ, Documentário, 110 minutos, 2014)

Direção: Sílvio Tendler

Após impactar o Brasil mostrando as perversas consequências do uso de agrotóxicos em “O Veneno está na Mesa”, o diretor Sílvio Tendler apresenta, no segundo filme, uma nova perspectiva. “O Veneno Está Na Mesa II” atualiza e avança na abordagem do modelo agrícola nacional atual e de suas consequências para a saúde pública. O filme apresenta experiências agroecológicas empreendidas em todo o Brasil, mostrando a existência de alternativas viáveis de produção de alimentos saudáveis, que respeitam a natureza, os trabalhadores rurais e os consumidores. Com este documentário, vem a certeza de que o país precisar tomar um posicionamento diante do dilema que se apresenta: em qual mundo queremos viver? O mundo envenenado do agronegócio ou da liberdade e da diversidade agroecológica?

5. The E-Waste Tragedy (França/Espanha/Reino Unido, Documentário, 86 minutos, 2014)

Direção: Cosima Dannoritzer

Uma sequência do premiado “The Light Bulb Conspiracy”, este filme investiga o mundo do tráfico ilegal de lixo eletrônico. A cada ano, quase 50 milhões de toneladas de lixo desse tipo – computadores, televisores, celulares, eletrodomésticos – são descartadas no mundo desenvolvido. Setenta e cinco por cento desses resíduos desaparece dos sistemas legais de reciclagem e grande parte é descartada em países do Terceiro Mundo, onde destrói ecossistemas e prejudica vidas. Este documentário leva o espectador numa jornada investigativa pela Europa, China, África e Estados Unidos, revelando um comércio tóxico global alimentado pela sede de lucro e pela corrupção.

Média-metragens:

6. Bientôt dans vos assiettes ! (de gré ou de force…) (Transgenic Wars, França, Documentário, 52 minutos, 2014)

Direção: Paul Moreira

Há uma chance de 50 por cento de que a carne de porco de seu jantar de ontem tenha vindo de um animal alimentado com soja transgênica. Para muitos, isso pode ser uma surpresa, pois supermercados, fazendeiros e a indústria em geral guardam um silêncio suspeito ao redor do tema. Por que se preocupam? Com mais um escândalo alimentar? A marcha rumo à dominação de produtos geneticamente modificados começou há 15 anos. Ela chegará a termo? Visitamos fazendas na Dinamarca onde a quantidade de porcos nascidos com deformidades ou que morrem por doenças gástricas aumentou dramaticamente. Os animais recebem como ração uma combinação de soja geneticamente modificada tratada com o herbicida glifosato. Hoje, na Argentina, toda a agricultura é transgênica, mas depois de 15 anos as pragas se adaptaram e o glifosato já não surte efeito. Em função disso, os fazendeiros começaram a utilizar químicos nocivos de forma indiscriminada e sem fiscalização.

Em algumas áreas, as taxas de deformidades genéticas sérias em crianças vêm explodindo. Fomos atrás de famílias e médicos convencidos de que a proximidade de culturas transgênicas é a causa por trás disso. Como a agricultura transgênica conseguiu dominar a agricultura de forma tão rápida? Enquanto o governo americano é refém do lobby transgênico, muitos países europeus ainda resistem, mas até quando?

7. Guinée: Le Territoire des Oubliés (França, Documentário, 49 minutos, 2013)

Direção: Philippe Lafaix

Na Guiné, sobre estradas esburacas, motoristas de táxi lutam para entregar medicamentos e vacinas em menos de 24 horas do outro lado do país. Um incrível “road movie”, na região de floresta onde começou a epidemia de Ebola. Uma país decadente onde descobrimos, chocados, um hospital sem eletricidade, emergências grotescas e crianças de seis anos de idade sendo exploradas. A câmera do diretor filma o impensável: bebês desnutridos à espera de remédios e vacinas, enquanto jovens escravos lixam móveis em marcenarias para ganharem o suficiente para sobreviver. Imagens terríveis e perturbadoras que lembram que a esperança de vida não ultrapassa 50 anos nesse país à beira do caos. A Guiné é rica em minérios e diamantes, mas a maioria da população jamais vê sua cor, vivendo em enorme pobreza e sem qualquer acesso a cuidados básicos. O filme testemunha o ambiente dramático em que vive a população de um país cuja economia está em colapso.

8. Índio Cidadão? (Brasil/DF, Documentário, 52 minutos, 2014)

Direção: Rodrigo Siqueira

A União das Nações Indígenas, em ato de desobediência civil contra a tutela do Estado, coordena movimento político de participação popular na Constituinte (1987/88). Vinte e cinco anos depois, o movimento indígena ocupa o plenário da Câmara dos Deputados e realiza a Mobilização Nacional em Defesa dos Direitos Constitucionais ameaçados pelo próprio Congresso Nacional. A Nação Kaiowá e Guarani, alienada do direito e da justiça, revela a narrativa testemunhal do genocídio indígena em marcha no estado do Mato Grosso do Sul.

Curta-metragens:

9. Ainda Existe (Brasil/GO, Documentário, 15 minutos, 2015)

Direção: Pedro Diniz

Pelos caminhos escondidos dos sertões, carreiros, com seus carros de bois, sulcam histórias e tradições. Carreiam toras, víveres e paixões, resistem. Cada qual na sua toada e canto, ainda existe.

10. Aniz, a Bruxinha Aprendiz (Brasil/GO, Animação, 7 minutos, 2014)

Direção: Guilherme Araújo

“Aniz, a bruxinha aprendiz” é uma história baseada no livro infanto-juvenil de mesmo nome, da escritora brasileira Sueli Maria de Regino. A animação conta a história de uma garota chamada Aniz, que tem uma avó chamada Belatrix, que é uma bruxa. Aniz entra no porão de sua avó e toda a magia acontece.

11. A Ria por Dentro (Portugal, Documentário, 24 minutos, 2014)

Direção: Ana Maria Rodrigues

A Ria de Aveiro é um ecossistema estuarino que apresenta uma elevada biodiversidade de invertebrados. Em geral pouco conhecidos, os invertebrados são a base do alimento para muitas das aves e peixes da Ria e englobam espécies de elevado valor econômico. Para os conhecermos melhor, temos de olhar dentro do sedimento ou mergulhar nas águas turvas da Ria.

12. Baque Solto en Buenos Aires (Brasil/GO e PE, Documentário, 20 minutos, 2013)

Direção: Ângelo Lima

Todo ano, o Maracatu Estrela Dourada se junta e faz um trabalho coletivo para sair durante o carnaval. Trabalhadores da cana se transformam em dançarinos e brincam o Maracatu.

13. Babilônia (Brasil/GO, Documentário, 20 minutos, 2014)

Direção: Cristiano Sousa

No final do século 18, numa cidade no interior de Goiás, nasce uma criança de família simples, humilde, que perde os pais logo cedo e acaba sendo dada aos padres jesuítas, o que foi sua salvação. Esta é a história por trás da Fazenda Babilônia e de seu papel na história de Goiás.

14. Galus Galus (Venezuela, Animação, 12 minutos, 2013)

Direção: Clarissa Duque

Quem sabe, algum dia, ele tenha tido uma família. Quem sabe, uma vez, tenha sido amado, esperado e tenham sentido sua falta. Hoje, ele é apenas uma sombra, perdida entre todas as sombras dos dias que começam e ninguém vê. É uma sombra que desperta na calçada e perambula em meio ao lixo à procura de garrafas plásticas para ganhar alguns centavos e sobreviver mais um dia, todo dia, mais um dia.

15. Girassol de Plástico (Brasil/GO, Documentário, 13 minutos, 2015)

Direção: Amarildo Pessoa

Assim como o girassol volta sua corola buscando força no sol que passou, este documentário propõe, através da memória, manter a imagem do rio vivo no percurso do tempo. Esta imagem é a senha para decifrar as contradições entre a vida e a morte que o Rio Meia Ponte hoje nos apresenta.

16. Lobo Solitário – A Saga de um Brasileiro (Brasil/GO, Documentário, 28 minutos, 2015)

Direção: Ranulfo Borges

Este filme conta a história de Waltercílio Pereira Alves, o Pocotó, ex-carateca e ex-policial que já passou por várias regiões do país até virar catador de papéis nas ruas de Goiânia. Exemplo de luta e superação, Pocotó não tem família e dedica sua vida aos seus animais a quem dá nomes de pessoas famosas. São mais de dez cães, além dos cavalos usados na carroça, onde escreveu o nome “Lobo Solitário”, retirado do filme Rambo. Uma figura chapliniana, Pocotó tem também seu lado de artista de circo, com direito até a uma cadela amestrada. Sem casa própria, está sempre em busca de um lote baldio onde possa armar a barraca para morar provisoriamente. Onde chega, uma das primeiras providências que toma é plantar girassóis, hortaliças e ervas medicinais. Faz isso não no quintal, mas na calçada, para que a vizinhança possa também usufruir. O diretor o acompanhou durante sete anos nestas mudanças, de casa em casa, ou de lote em lote, estabelecendo também

um paralelo de sua vida com as alterações no espaço urbano. Pocotó e seus bichos de estimação são expulsos, geralmente, para dar lugar ao concreto e a depósitos de ferro velho.

17. Maria Macaca (Brasil/GO, Documentário, 15 minutos, 2015)

Direção: Lázaro Ribeiro

Maria Macaca é um documentário narrado por Dona Nesci, neta de Maria, e dramatizado pela atriz Elisa Lucinda. Juntas, elas rememoram a vida difícil de uma carregadeira de água negra, alta, magra e alegre…de pés firmes, nas pedras das ruas da velha Goiás, saltitante com sua lata na cabeça a equilibrar o líquido que nutre e preserva a vida, mulher que clama por chuva e reza pelo futuro da humanidade.

18. Matias (Brasil/SP, Documentário, 26 minutos, 2014)

Direção: Ricardo Martensen & Felipe Tomazelli

A somente 165 quilômetros de distância da maior cidade do hemisfério sul, São Paulo, em uma pequena cabana, vive Matias. Cercado pelo que resta de uma floresta exuberante, Matias passa a vida com seus cães e galinhas, um homem que incorpora toda uma cultura ameaçada de extinção.

19. No Jile (Venezuela, Animação, 10 minutos, 2015)

Direção: Carolina Dávila

Um idoso ligado à sua terra natal precisa lutar por água para sobreviver, uma batalha perdida. Ele é forçado a deixar seu país e se torna um refugiado do clima. Este é um curta que tem como pano de fundo as mudanças climáticas e suas consequências: aumento de temperatura, secas, perda de safras e migrações.

20. The Thirsty Crow (Índia, Animação, 7 minutos, 2013)

Direção: Snehasis Das

O conhecimento tradicional de povos indígenas sempre teve um papel significativo na solução de problemas, incluindo aqueles relacionados a mudanças e à variabilidade climática. Povos indígenas, que vivem próximos a seus recursos naturais, com frequência observam os eventos à sua volta e são os primeiros a identificarem mudanças e adaptarem-se a elas. O corvo dessa antiga história tem enorme significado para a atual geração das civilizações humanas, que não apenas começaram a esquecer a história do corvo e da água,

mas também da própria importância da conservação dos recursos hídricos. Nosso corvo, portanto, não apenas luta para obter sua própria água, mas também envia uma mensagem para que conservemos cada gota de água. Seria bom se tivéssemos muitos corvos como esse em nossas sociedades.

21. Últimos Refúgios: Reserva Biológica de Duas Bocas (Brasil/ES, Documentário, 28 minutos, 2013)

Direção: Alexandre Barcelos

O documentário “Últimos Refúgios: Reserva Biológica de Duas Bocas” traz como mensagem principal a importância da preservação dos recursos hídricos e também destaca diversas espécies de fauna e flora que habitam os cerca de 30 mil hectares dessa unidade de conservação. Diante dos problemas ambientais mundiais como aquecimento global, derretimento de geleiras, escassez de água, extinção de espécies e desertificação, devemos cada vez mais lutar pela conscientização ambiental, única forma de combater a degradação desenfreada de nosso meio ambiente. A preservação da área, considerada um laboratório vivo de remanescentes de ecossistemas da Mata Atlântica, está diretamente ligada à história do abastecimento de água na capital capixaba e acontece há cerca de cem anos, antes mesmo da instituição da reserva.

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