Artistas circenses negros de diferentes regiões do país se encontram em Goiânia entre os dias 4 e 7 de setembro para a terceira edição do Kizomba – Festival de Palhaçaria Preta. Com entrada gratuita, o evento terá espetáculos, oficinas, shows, rodas de conversa e exposição artística na sede do Orum Aiyê Quilombo Cultural.

Realizado desde 2023, o festival propõe valorizar a produção artística negra e a cultura afrodiaspórica por meio do circo, da palhaçaria, da música e das artes visuais. Neste ano, a programação presta homenagem ao Mestre Jamelão (1947–2025), conhecido como “Diamante Negro” e considerado uma referência do circo brasileiro.

Entre os espetáculos confirmados estão “Sob(re) a pele”, com Matheus Alcantara (GO); “Quizumba”, com Loi Lima (SP); “Oras Bolas!!!”, com Antonio Mendoza, da Venezuela; e “Chica da Silva YALODÊ”, com Eliziane Monteiro (MG).

Artistas de diferentes estados

A programação inclui ainda uma noite de “Variété”, que reunirá diferentes números circenses. Cauê Marques (GO) apresentará um número de faixa, enquanto Luciene Machado (GO) participa com performances em lira e tecido. Marcelo Venâncio (SP) levará ao público números de malabares e monociclo, e Maré Oliveira (SP) se apresentará no tecido.

A curadoria dos espetáculos e números circenses é assinada por Marcelo Marques e Saracura do Brejo. A cerimônia será conduzida por Saracura e pelo palhaço Mocotó.

Além das apresentações, o público poderá visitar a exposição “Kizomba: o Riso se faz Quilombo”. Com curadoria de Raquel Rocha, a mostra reúne trabalhos de Bulacha (GO) e Heluander Patrocínio (MG), aproximando as artes visuais da linguagem circense.

Palhaçaria como espaço de representatividade

O festival também propõe discutir o protagonismo de artistas negros e a presença da cultura afro-brasileira no circo. Segundo Marcelo Marques, produtor e idealizador do evento, a proposta é transformar o picadeiro em um espaço no qual artistas negros estejam no centro das próprias narrativas.

“A palhaçaria preta surge aqui como uma ferramenta de subversão do status quo, uma forma de rir das estruturas opressoras e forjar novas realidades”, afirma.

Para Marques, a presença de artistas negros em diferentes linguagens também contribui para criar referências para crianças e jovens.

“Ao verem artistas pretos exercendo o domínio de suas artes e ocupando lugares de poder criativo, crianças, jovens, adultos e idosos negros encontram espelhos que não refletem a alienação do racismo, mas sim a potência e a majestade de sua própria ancestralidade”, acrescenta.

Homenagem ao Mestre Jamelão

A terceira edição será marcada por uma homenagem ao Mestre Jamelão, que morreu em 2025. Conhecido como “Diamante Negro”, ele construiu uma trajetória como pirofagista, palhaço, faquir e acrobata.

Jamelão também atuou como mestre da Escola Nacional de Circo e participou da formação de diferentes gerações de artistas circenses.

O nome escolhido para a edição, “Kizomba”, remete à ideia de festa, encontro, união e resistência coletiva. O festival surgiu em Goiás em 2023 e chega ao terceiro ano com a proposta de ampliar a visibilidade da produção circense negra.

Acessibilidade e sustentabilidade

Os espetáculos contarão com tradução simultânea em Libras, e as atividades serão realizadas em espaços com estrutura de acessibilidade.

A programação também terá ações ambientais, como descarte adequado de resíduos em parceria com cooperativas de reciclagem e uma oficina de arte reciclável.

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