As festas juninas podem se tornar patrimônio cultural e imaterial goiano. Mas, para isso, ainda depende que o projeto apresentado pelo deputado Charles Bento (MDB) na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) seja aprovado. A previsão é que a primeira votação já ocorra a partir da semana que vem, no dia 15 de fevereiro, quando retornam os trabalhos legislativos.

O projeto já passou pela Comissão de Constituição e Justiça, pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte, e está na pauta para ser apreciada em primeira discussão e votação. Na justificativa, Bento lembrou que junho é um dos meses do ano mais esperados em Goiás e que é uma tradição forte dentro das escolas. “Os alunos se divertem com comidas típicas e decorações. A grande maioria dessas festas auxilia na arrecadação de fundos para as escolas. Nesse espaço, o público se mistura entre crianças e adultos”, pontuou o deputado na propositura.

O presidente da Federação das Quadrilhas Juninas do Estado de Goiás, Thiago Henrique, comemorou a possibilidade do reconhecimento. Ele lembra que a pandemia atingiu em cheio o setor, que teve que cancelar as festividades. “Estamos com sede de voltar”, revelou, lembrando que “os ensaios das quadrilhas já estão a todo vapor e os grupos já estão começando a fazer eventos para arrecadar fundos”.

Thiago Henrique afirma que a falta de fomento é o principal gargalo das quadrilhas juninas hoje no Estado. “Os dançarinos, muitas vezes, não têm condições financeiras e faltam políticas públicas para o movimento junino”, pontuou. Goiânia já foi premiada nacionalmente em concurso nacional de quadrilhas juninas e os incentivos dados pelo município de Goiânia atualmente, segundo ele, não são suficientes para atender todos os grupos. Das 16 quadrilhas juninas da capital, apenas 5 recebem verba municipal.

Foto: Letícia Almeida

Para o professor doutor em performances culturais pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Samuel Ribeiro Zaratim, caso aprovado, o projeto tem uma grande importância para a preservação da prática cultural. Para ele, que é um estudioso das quadrilhas juninas, esse pode ser o pontapé inicial para a criação de políticas públicas de conservação da memória festeira junina.

“É uma festa que vem desde a colonização do Brasil e que envolve a economia e questões antropológicas e sociais”, comentou Samuel. O professor explicou ainda que, apesar de ser uma festividade que existe em todo o Brasil, cada localidade tem sua especificidade. “Em Goiás, as festas juninas têm similaridade muito grande com as que são realizadas em Minas Gerais e São Paulo”, disse.

Mesmo assim, o professor reforça que a catira, por exemplo, é um traço cultural goiano que é um diferencial das festividades realizadas em Goiás. Samuel ainda destaca as comidas típicas, a música e os cenários como elementos importantes nesse contexto e reforça que as escolas e igrejas têm papel importante na preservação da tradição.