Fátima Mrué acusa imprensa e vereadores de distorcer dados de ocupação de UTIs

Para a secretária de Saúde de Goiânia, os números que apontam queda na taxa de ocupação em 2017 não foram interpretados da maneira correta

Vereadores durante depoimento da secretária de Saúde, Fátima Mrué | Foto: Reprodução

A cada oitiva da Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Saúde com a secretária Fátima Mrué, o clima fica mais tenso e a troca de farpas entre a chefe da pasta e os vereadores fica mais evidente.

Nesta segunda-feira (26/3), Mrué respondeu à sua sexta convocação para esclarecer declaração em entrevista recente na qual afirmou não ter conhecimento quanto ao relatório sobre ocupação de leitos de UTI em Goiânia.

“Eu realmente não tenho como saber o teor de um relatório específico, uma vez que a CEI da Saúde já solicitou 84 à SMS”, alfinetou a secretária. “Eu reconheço o relatório, mas naquele momento não sabia a qual se referia. Se não fica claro a qual relatório se refere, eu não tenho como saber”, respondeu aos vereadores.

Depois, Fátima ainda acusou a CEI e a imprensa de tratar os números de forma equivocada, negando uma queda na ocupação de leitos de UTI em Goiânia. “A população precisa ter calma. Não se pode criar alarde. Os dados precisam ser interpretados de forma correta”. disse a secretária.

De fato, numericamente, a ocupação aumentou em números, mas, na comparação com a quantidade de leitos disponíveis, a taxa de ocupação dos mesmos sofreu uma queda ao longo dos anos de 2015, 2016 e 2017, quando a taxa atingiu 41,2%.

O presidente da CEI, vereador Clécio Alves (MDB), se irritou com o posicionamento da secretária. “Não queremos maquiar dados ou alarmar quem quer que seja. Queremos ajudar. A imprensa noticia a situação e as pessoas vivem isso todo dia. Será que todo mundo está errado e só a senhora está correta?”, questionou.

Imbróglio

A polêmica dos leitos de UTI em Goiânia se arrasta desde novembro do ano passado, quando a Secretaria Estadual de Saúde do Estado de Goiás (SES-GO) divulgou dados comprovando que Goiânia teria leitos suficientes para zerar a fila de espera.

Na semana passada, a SES publicou nota reafirmando que a secretaria municipal não atualiza os dados junto ao Ministério da Saúde e, portanto, o relatório encaminhado à CEI teria incongruências.

Na sexta-feira (23/3), o Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) abriu inquérito para investigar possíveis irregularidades no gerenciamento de leitos de UTIs na capital.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.