Família cobra museu para acervo doado à PUC Goiás que pode ser o maior de ornitologia do Brasil
07 setembro 2026 às 17h56

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A família do professor José Hidasi cobra da PUC Goiás a criação do museu que permita o acesso público ao que pode ser o maior acervo de ornitologia do Brasil, que foi reunido pelo pesquisador ao longo da vida. Doado à universidade há mais de dez anos, o material reúne mais de 100 mil exemplares de animais, além de pedras preciosas e outros itens relacionados à história natural.
Segundo os familiares, a instituição mantém parte do acervo em salas do complexo do Memorial do Cerrado, mas apenas uma quantidade reduzida está disponível para visitação. A estimativa é de que menos de 500 exemplares estejam atualmente expostos.
O Jornal Opção entrou em contato com a PUC Goiás por meio de sua assessoria de imprensa mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para manifestações.
Neto de José Hidasi, o advogado Pedro Hidasi afirma que o objetivo da doação nunca foi apenas transferir a guarda do material para uma instituição de ensino, mas garantir que a coleção permanecesse reunida e pudesse ser conhecida pela sociedade.
“O sonho do meu avô era que o museu não ficasse na família para que ele pudesse ser aberto ao público. Porque, se ficasse na família, ia acabar que as obras se dispersariam”, afirmou ao Jornal Opção.
Pedro Hidasi explica que a família confiou à universidade a preservação da coleção justamente pela possibilidade de manter o acervo de forma integrada. De acordo com ele, a PUC Goiás teria se comprometido a dar continuidade ao Museu de Ornitologia criado por Hidasi em Campinas, em Goiânia.
“Desde que foi doado, a família tem essa expectativa de que o museu seja construído pela PUC Goiás”, disse. “A universidade sempre nos honrou muito, honrou meu avô em vida. Nós temos uma amizade e uma confiança. Porém, a universidade está em falta com essa construção do museu.”
O familiar ressalta que a cobrança não envolve uma reivindicação financeira. O que está em discussão, segundo ele, é o acesso da população ao trabalho desenvolvido pelo professor José Hidasi.
“A obra está incompleta porque ela não expõe para a população os animais. Muitos deles estão seriados, engavetados. Poucos cientistas têm acesso e a comunidade geral não tem”, afirmou. “A sociedade perde como um todo por não ter esse museu ativo, esse museu exposto.”
Acervo permanece em salas da universidade
Roberto Hidasi, filho do professor, também defende que a PUC Goiás tire do papel o Museu de História Natural Professor José Hidasi. Segundo ele, não houve, no momento da doação, um prazo formal estabelecido para a construção do espaço.
“Não tinha data, não tinha previsão. Nenhum prazo”, afirmou. Apesar disso, Roberto considera que a universidade precisa ser cobrada porque existe um projeto para o museu, mas a estrutura ainda não foi construída.
Ele também disse que a família não recebeu uma explicação formal sobre a demora. A última conversa com representantes da instituição, conforme relatou, ocorreu de maneira informal, cerca de dois ou três anos antes da morte de seu pai, que faleceu aos 95 anos. “Hoje, para te falar a verdade, eu acho que não vai sair. Só vai ficar no papel por enquanto”, disse Roberto.
De acordo com ele, a maior parte do acervo está armazenada em grandes gavetas, em salas localizadas em outra ala do complexo do Memorial do Cerrado. O material é organizado de forma seriada, mas não fica disponível para visitação ampla.
O acervo é considerado pela família o maior conjunto de ornitologia do Brasil e, segundo os relatos, reúne exemplares de diferentes grupos da biodiversidade, como aves, mamíferos e répteis. Também fazem parte da coleção pedras preciosas e outros elementos relacionados à história natural.
Legado de José Hidasi
Roberto destaca que o acervo representa o resultado de décadas de trabalho do pai, que chegou ao Brasil vindo da Hungria e escolheu Goiás para desenvolver sua trajetória como pesquisador.
“É um legado fantástico, porque ele veio da Hungria sem falar português direito, construiu esse acervo no peito e na raça, sozinho”, afirmou. Segundo ele, José Hidasi não contou com apoio dos governos estadual ou municipal para formar a coleção.
O professor também deixou três livros publicados. Para Roberto, a criação do museu seria uma forma de preservar não apenas os exemplares, mas a memória de um pesquisador que dedicou a vida à biodiversidade.
“Ele deixou um legado bacana, um propósito de vida”, disse. “Às vezes, ele deixava de pôr comida em casa da família para pôr no museu dele, no projeto dele. Comprar passarinho, comprar alguma coisa para o museu.”
Roberto afirmou esperar que a universidade cumpra o compromisso de criar o espaço. “Eu espero que construa esse, mais do que justo, Museu de História Natural Professor José Hidasi”, declarou.
A família informou que pretende localizar uma cópia do contrato de doação para verificar as condições estabelecidas no acordo. Pedro Hidasi também se colocou à disposição para continuar o diálogo sobre o assunto e afirmou que a cobrança busca garantir que o acervo seja disponibilizado à sociedade.
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