Falta de leite prejudica crianças com necessidades especiais em Goianira

Matéria da Record Goiás denuncia atraso no repasse por parte da prefeitura. Primeira-dama se envolveu em polêmica ao se negar a dar resposta a jornal 

A falta de repasse de leite para crianças portadoras de necessidades especiais preocupa famílias de Goianira, a 29 quilômetros da capital. Após uma denúncia feita pelo site de notícias Portal Goianira, a Record Goiás também foi à cidade para reportagem.

Exibida no Balanço Geral, apresentado por Oloares Ferreira, a matéria mostra  o drama da desempregada Marinelza Ferreira da Silva, de 52 anos, que tem duas filhas com paralisia cerebral. Moradora do Setor Parque dos Girassóis, ela relata que há quatro meses deixou de receber o benefício.

Segundo ela, a gestão do prefeito Miller Assis (PSD) tinha que entregar oito latas de leite especial da marca Fortini. Contudo, quando ainda recebia, eram só quatro e tinha que comprar as outras quatro — o preço médio é de R$ 47, cada.

A mãe conta que atrasava algumas contas, conseguia “se virar” para sobreviver sem trabalhar, tendo que comprar, além do leite que não recebia, remédios, fraldas e mantimentos para casa.

Só que a situação da filha Micaele Ferreira Nunes, de 20 anos, piorou. A menina não anda, é totalmente dependente e não pode se alimentar com comida. Recentemente, passou por três cirurgias no Centro de Reabilitação Henrique Santillo (Crer) e, agora, precisa de um leite ainda mais caro, chamado Fortifit — que custa R$ 180 a lata.

Em entrevista ao Jornal Opção, ela confirmou a situação delicada e lamentou ter que procurar a imprensa para tentar resolver o problema. “É triste ficar se humilhando desse jeito. Não queria estar passando por esse momento, mas não estou dando conta”, conta.

A reportagem da Record Goiás procurou a Secretaria Municipal de Promoção Social e a Secretaria Municipal de Saúde de Goianira, mas não obteve resposta. Segundo o editor-chefe do Balanço Geral, Zeca Ribeiro, a produção aguarda, até agora, o retorno.

O Portal Goianira também tentou falar com a prefeitura, mas a busca por informações acabou na delegacia. O repórter Vinycius Ferreira prestou queixa contra a primeira-dama e secretária de Promoção Social, Michelle Mariano, alegando que foi agredido por ela.

Veja a matéria da Record Goiás:

Recorrente

Jornal Opção apurou, ainda, que o caso de Marinelza não é único na cidade. Há um grupo de dezenas de mães que passam pela mesma dificuldade. A jovem Kétina Alves Gomes, de 24 anos, tem uma filha de sete, totalmente dependente, que sofre de Hidrocefalia (acúmulo de líquido nas cavidades cranianas). Por isso, não pode trabalhar.

Desde o começo de 2016, a prefeitura de Goianira não entrega as 22 latas de Fortini necessárias para a alimentação da filha. “Não tenho condições de comprar, por isso estou dando Ninho, que é mais barato. Mas não é indicado”, lamenta.

Para se ter ideia, a criança de sete anos pesava 12 kg se alimentando apenas de Fortini. Com Ninho, o peso caiu para assustadores 5 kg. “Nesta semana, me deram 12 latas, só que não vai dar”, completa.

Questionada sobre os motivos alegados pela prefeitura, Kétina diz que a administração culpa um suposto problema com “fornecedores”. “Ficavam me enrolando, tinha que fazer uma solicitação, mas não era feita. Disseram que agora está com outro fornecedor e a entrega está normalizada para o ano inteiro. Só que me deram 12 latas, sendo que o total é 22. Dá para acreditar?”, arremata.

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