Falsa biomédica fez curso de duas semanas para aplicação de hidrogel e diz que não é responsável por morte de paciente

Raquel Policeno possui apenas o segundo grau, mas alega estar apta a realizar procedimento

Em depoimento à polícia na tarde desta segunda-feira (3/11), Raquel Policeno Rosa, de 27 anos, acusada de causar a morte da auxiliar de leilão Maria José Medrado de Souza Brandão, de 39 anos, contou que possui um curso de bioplastia, realizado em duas semanas em um município do interior de São Paulo. Segundo a polícia, Raquel pode ter provocado a morte de Maria José após aplicar hidrogel nos glúteos da paciente, sem a devida capacitação.

Em entrevista ao Jornal Opção Online, a delegada Myrian Vidal, responsável pelo caso, informou que Raquel possui apenas o segundo grau, mas que alega estar apta a realizar o procedimento. Na avaliação da investigada, a morte da auxiliar de leilão não foi motivada pela aplicação do produto.

Além de Maria José, a falsa biomédica teria realizado o procedimento em outras três mulheres. “Ela disse que não conhece as outras pacientes e que também não possui o contato delas, já que seu celular teria desaparecido”, narrou a titular à reportagem.

Sobre a suposta participação do namorado de Raquel Policeno durante as aplicações de hidrogel, a falsa biomédica alegou que o parceiro apenas acompanhava os procedimentos, mas que chegou a “massagear” os glúteos de Maria José para que o produto fosse aplicado de maneira uniforme.

A suspeita teria adquirido o hidrogel em uma cidade do interior de São Paulo, sem emissão de nota fiscal. A polícia aguarda agora o laudo do Instituto Médico Legal (IML) para identificar a causa da morte de Maria José e, assim, dar prosseguimento às investigações.

O caso

Maria José morreu após complicações em sua segunda aplicação de hidrogel para aumento das nádegas. O resultado do primeiro procedimento não a teria agradado, o que fez com que recorresse a outra clínica, encontrada por meio de anúncios na internet.

Ela entrou em contato com a profissional responsável, que se dizia biomédica. A mulher residia em Catalão e ia para Goiânia com frequência para realizar aplicações em salas de hotéis e clínicas alugadas.

Após o procedimento, Maria José passou mal e foi encaminhada para o Cais do Setor Vila Nova. No entanto, com a gravidade da situação, foi levada para a UTI do Hospital Jardim América. De acordo com a família, ela faleceu por volta das 5h da manhã de sábado (24) por embolia pulmonar.

Por meio de nota, o Conselho Regional de Biomedicina da 3ª Região (CRBm-3), responsável pelos Estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Minas Gerais e Distrito Federal, informou que não possuía qualquer registro da profissional apontada como responsável pela aplicação. “Isso nos leva a crer que ela não seja biomédica”, disse o presidente da entidade, Rony Marques de Castilho. Ele ressaltou ainda que o tipo de procedimento realizado não é de competência de um biomédico.

Já a empresa fabricante do produto aplicado informou que só se manifestará a respeito após a conclusão do laudo do IML.

2 respostas para “Falsa biomédica fez curso de duas semanas para aplicação de hidrogel e diz que não é responsável por morte de paciente”

  1. Avatar Mário Borges disse:

    Certamente foi alergia ao produto , uma simples injeção pode provocar a morte, e Ela não teve a intenção de matar a moça, deve ser julgada conforme a lei, pura e simplesmente.

  2. Avatar Demetryus disse:

    Isso configura DOLO EVENTUAL, ministrar, injetar substancia produto em alguém sem capacitação técnica. Ela efetivamente embora não quisesse o resultado morte, assumiu o risco de produzi-lo.

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