Ex-sócio da J. Virgílio afirma conhecer “pessoalmente” servidores da prefeitura

Na CEI das Pastinhas, Paulo Silas defendeu empreendedores que não queria perder “direito” de construir dentro do Plano Diretor de 2004 

Ex-sócio da J. Virgílio presta depoimento na CEI | Foto: Thais Borges

Ex-sócio da J. Virgílio presta depoimento na CEI | Foto: Thais Borges

Ex-sócio da J. Vergílio e atual dono da SIM Construtora, Paulo Silas foi o depoente da CEI das Pastinhas na manhã desta sexta-feira (11/9). Durante o depoimento de mais de uma hora, o empresário afirmou conhecer “pessoalmente” servidores da prefeitura que são investigados por supostamente favorecerem construtoras.

Afastado da empresa do irmão há quase três anos, ele confirmou que não só respeitou, assim como outras pessoas, o prazo legal de 20 de agosto de 2010 para protocolar processos na Secretaria do Planejamento Urbano e Habitação (antiga Seplam).

Silas, que se considera empresário “de pequenas obras”, disse que não se lembra de “muita coisa”, mas que conhece os procedimentos da prefeitura desde os 15 anos de idade — antes mesmo de se formar em Engenharia Civil. “Nunca tive despachante. Sempre fui pessoalmente aprovar meus projetos. Fazia o que a prefeitura falava”, relatou.

Dessa forma, Paulo Silas desenvolveu uma relação “pessoal” com alguns dos funcionários da antiga Secretaria do Planejamento Urbano e Habitação (antiga Seplam), como as analistas Kellen Mendonça e Magalli Daher, bem como o ex-diretor Douglas Branquinho e o próprio ex-secretário Sebastião Ribeiro de Sousa. “Conheço, sim. Eu vivo lá”, reconheceu.

Questionado pelos vereadores sobre algum tipo de participação no suposto esquema em que empresários protocolavam pastas vazias para serem incluídos no Plano Diretor de 2004, mesmo após a vigência do novo, em 2007, o ex-sócio da J. Virgílio negou. No entanto, sugeriu: “É lógico que ninguém queria perder o direito de construir dentro do Plano Diretor de 2004, que era menos rigoroso que o atual”.

Após o depoimento, Paulo Silas — que esteve durante todo o tempo da CEI das Pastinhas solícito e pronto —  se negou a falar com a imprensa. “Falem o que quiserem”, respondeu em tom ríspido.

O advogado do empresário, Francisco Florentino, atendeu aos jornalistas presentes. Segundo o defensor, seu cliente obedeceu a todos os prazo legais para o protocolo de documentos na prefeitura.

Para o presidente da CEI, Elias Vaz (PSB), o depoente foi sincero em muitas questões. “Admitiu que entregou documentos fora do prazo e a assinatura de alvarás [por parte de servidores] após a data determinada.”

 

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