Ex-presidentes da Andifes divulgam manifesto em defesa das universidades federais

“É inadmissível a transferência da gestão acadêmica, administrativa e financeira das universidades federais para Organizações Sociais”, defende o documento lido no Plenário da Câmara dos Deputados

Foto: Reprodução | Câmara

Um documento assinado por 24 ex-presidentes da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) traz um alerta sobre a urgente necessidade de diálogo direto e responsável entre o Governo Federal e a Andifes, assim como com os dirigentes das instituições federais de ensino superior do País.

“A sociedade brasileira tem manifestado sua preocupação em relação ao bloqueio orçamentário das universidades federais em, pelo menos, 30%, atingindo, em alguns casos, mais de 50% das despesas discricionárias. Se mantido, o contingenciamento poderá comprometer o funcionamento de mais de 300 campi instalados em todos os rincões do extenso território brasileiro, além de milhares de unidades de ensino, pesquisa e extensão”, destaca o manifesto.

Segundo os reitores, as universidades federais, somadas a outras instituições de formação e pesquisa públicas, concentram mais de 90% de toda a produção científica do País, levando o Brasil a ocupar a 14ª posição na produção cientifica mundial, das humanidades às engenharias, passando por todas as áreas do conhecimento humano.

“O Parlamento tem se manifestado e se comprometido com a busca do diálogo e caminhos para evitar o corte no orçamento das Universidades Federais. Há que se reconhecer e estimular o esforço de deputados e senadores e, sobretudo, da Frente Parlamentar pela Valorização das Universidades Federais. O diálogo é a palavra-chave desses caminhos demandados pelos brasileiros”, diz outro trecho do documento.

A Andifes alega ainda que sempre se pautou pelo diálogo direto com as autoridades governamentais. “Não será distinto agora no que se refere à proposta do MEC, denominada Future-se. O diálogo é imperativo e absolutamente necessário, mas é inadmissível a transferência da gestão acadêmica, administrativa e financeira das Universidades Federais para Organizações Sociais, afrontando o princípio constitucional da Autonomia Universitária, nos termos do Artigo 207 da Constituição Federal. Há que se preservar, igualmente o papel das Reitorias e dos Conselhos Superiores. O debate maior certamente se dará com a sociedade brasileira através do Parlamento brasileiro”.

O documento em defesa das universidades federais brasileiras foi levado e lido nesta terça-feira, 17, ao Plenário da Câmara dos Deputados.

 

Assinam:

Alan Kardec Martins Barbiero (UFT) 2009-2010

Amaro Henrique Pessoa Lins (UFPE) 2008-2009

Ana Lucia Almeida Gazzola (UFMG) 2004-2005

Angela Maria Paiva Cruz (UFRN) 2016-2017

Antonio Diomário de Queiroz (UFSC) 1995-1996

Arquimedes Diogenes Ciloni (UFU) 2007-2008

Carlos Edilson de Almeida Maneschy (UFPA) 2012-2013

Emidio Cantidio de Oliveira Filho (UFRPE) 2000-2001

Emmanuel Zagury Tourinho (UFPA) 2017-2018

Jesualdo Pereira Farias (UFC) 2013-2014

Joao Luiz Martins (UFOP) 2011-2012

José Ivonildo do Rego (UFRN) 1998-1999

Maria Lucia Cavalli Neder (UFMT) 2015-2016

Nelson Maculan Filho (UFRJ) 1992-1993

Newton Lima Neto (UFSCAR) 1994-1995

Odilon Antonio Marcuzzo do Canto (UFSM) 1996-1997

Osvaldo Baptista Duarte Filho (UFSCAR) 2005-2006

Paulo Speller (UFMT) 2006-2007

Reinaldo Centuducatte (UFES) 2018-2019

Rodolpho Joaquim Pinto da Luz (UFSC) 1999-2000

Targino de Araujo Filho (UFSCAR) 2014-2015

Tomás Aroldo da Mora Santos (UFMG) 1997-1998

Vanessa Guimarães Pinto (UFMG) 1990-1992

Wrana Maria Panizzi (UFRGS) 2003-2004

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