Ex-presidente da Agetul nega denúncias da Mutigrana e ataca atual gestão

Ouvido pela CEI da Herança, Dario Paiva negou qualquer envolvimento em esquema ilícito que desviou pelo menos R$ 2 milhões dos parques Mutirama e Zoológico 

Foto: Bruna Aidar/Jornal Opção

Apontado pelo Ministério Público do Estado de Goiás como um dos líderes do esquema de corrupção que desviou pelo menos R$ 2 milhões dos parques Mutirama e Zoológico de Goiânia, o ex-presidente da Agência de Turismo e Lazer de Goiânia (Agetul) Dario Paiva negou na tarde desta segunda-feira (28) envolvimento em qualquer esquema ilícito e condenou a atual gestão do órgão municipal.

Ele foi ouvido por vereadores na Comissão Especial de Inquérito (CEI) que investiga as últimas gestões do PMDB e do PT em Goiânia. Em entrevista coletiva, após ser sabatinado, o ex-gestor, que chegou a ser preso em junho no âmbito da Operação Mutigrana, sugeriu interesses escusos por parte do atual presidente da pasta, Alexandre Magalhães, autor da denúncia ao Ministério Público de Goiás.

“Falando em relação ao Mutirama a gente vê um parque que funciona há mais de 50 anos e nunca registrou um acidente daquela dimensão como ocorreu em julho. Mas já em relação ao processo, ao menos sobre isso, eu prefiro ficar em silêncio, até porque muita coisa ainda deve acontecer”, ponderou.

Depois, entretanto, questionado novamente pela reportagem sobre quais seriam as intenções da atual gestão nas denúncias, Dario sugeriu motivação política. “Tenho certeza que ficou muito clara a intenção do atual presidente nesta denúncia”, disse.

Durante a entrevista, o ex-presidente também falou sobre uma suposta tentativa de delação premiada que teria sido oferecida a ele por um dos promotores da Operação Mutigrana. “Houve sim sugestões. Um promotor chegou a dizer que tinha muita sorte, que eu ia falar e podia ir embora, mas não tenho nada a falar. Quem tem que provar é o Ministério Público que ofereceu a denúncia”, contou.

Quanto à sua participação no esquema, Dario Paiva negou qualquer envolvimento, mas, ao mesmo tempo, não garantiu que a agência, durante sua gestão, estivesse livre de conluios ilícitos. Segundo alegou, o órgão tinha, à época, quase 500 profissionais e, por isso, não haveria condições de “garantir que nada estava errado”. “Não sou capaz de comprovar, mas, se houve, não participei”, garantiu.

Sobre a informação de que, durante o tempo em que esteve à frente da pasta, a arrecadação dos parques teria caído em cinco vezes, o ex-gestor voltou a apresentar uma série de justificativas, a qual, segundo ele, não foi considerada na denúncia do MP, Entre as explicações, Dario cita a crise econômica de 2016, o não funcionamento do teleférico do Mutirama, a instalação de parques privados itinerantes na capital e o fato da gestão anterior não bancar propagandas dos espaços de lazer na imprensa.

Operação Mutigrana

A operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do MP-GO (Gaeco), que foi batizada de Multigrana, já teve duas fases e revelou possível prejuízo de aproximadamente R$ 3 milhões aos cofres públicos.

As investigações indicam que a organização criminosa aproveitava-se da dificuldade de monitoramento dos valores referentes aos ingressos dos parques, pagos sempre em dinheiro nas bilheterias.

Caso os bilhetes já utilizados fossem descartados de forma intacta, eram reaproveitados e “vendidos” novamente. Por outro lado, se os bilhetes fossem rasurados ou rasgados, fazia-se uma duplicação e reimpressão desse ingresso, devolvendo para o caixa, para contabilização do dinheiro a menos. Nos dois casos, os valores com a segunda venda dos ingressos ficavam com o grupo.

Segundo o Gaeco, as investigações prosseguem, mas, até o momento, é possível apontar que o esquema operou pelo menos entre os anos de 2014 e 2017.

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