Pré-candidato do PSB ao Governo do Distrito Federal e ex-interventor federal na segurança pública de Brasília após os atos de 8 de janeiro, Ricardo Cappelli afirmou ao Jornal Opção que apoiará qualquer decisão política tomada pela vereadora de Goiânia Aava Santiago no cenário eleitoral goiano de 2026.

“Minha preferência é por quem a Aava Santiago decidir apoiar. Em Goiás, eu sou do time da Aava”, declarou Cappelli ao ser questionado sobre a disputa pelo Palácio das Esmeraldas.

Durante a entrevista, Cappelli elogiou a atuação da dirigente socialista e destacou sua capacidade de dialogar com setores evangélicos sem abandonar pautas progressistas.

“A Aava é uma pessoa extraordinária, uma liderança muito especial. Ela é uma mulher evangélica que consegue fazer com que o campo progressista e democrático tenha voz e interlocução junto aos evangélicos”, afirmou. E ainda cravou: “Estou com Aava e não abro”.

A fala ocorre em meio às discussões internas da esquerda goiana sobre o papel que Aava poderá desempenhar em 2026. Embora a vereadora sustente publicamente a intenção de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, setores do campo progressista defendem que ela entre na corrida ao governo de Goiás, em uma possível composição com o PT.

Questionado se Aava deveria reconsiderar a decisão de não disputar o Palácio das Esmeraldas, Cappelli evitou pressionar a aliada e reforçou apoio irrestrito à socialista. “Eu apoio qualquer decisão que a Aava tomar. Estou com a Aava e não abro. Tenho certeza de que qualquer escolha dela será a melhor decisão”, disse.

Trajetória nacional

Natural do Rio de Janeiro, Cappelli construiu carreira ligada a movimentos estudantis e à esquerda brasileira. Filiado ao PCdoB por quase três décadas antes de migrar para o PSB, presidiu a União Nacional dos Estudantes (UNE) nos anos 1990 e ocupou cargos em diferentes governos.

Entre as funções exercidas estão a de secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública, onde atuou como braço direito do hoje ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino, além da chefia interina do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

Cappelli ganhou projeção nacional ao assumir a intervenção federal na segurança pública do Distrito Federal após os ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023. Posteriormente, publicou um livro relatando os bastidores da atuação durante a crise institucional.

Atualmente filiado ao Partido Socialista Brasileiro, ele se prepara para disputar o Governo do Distrito Federal em 2026. Na entrevista, fez críticas ao grupo político do governador Ibaneis Rocha e da vice-governadora Celina Leão, especialmente em relação às investigações envolvendo o BRB e o Banco Master.

Apesar do foco na disputa no DF, Cappelli afirmou manter boa relação com lideranças políticas goianas, incluindo o ex-governador Marconi Perillo e o vice-governador Daniel Vilela. “Eu me dou muito bem com o ex-governador e atual pré-candidato Marconi Perillo. E também estudei com o atual governador, Daniel Vilela”, afirmou.

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