Ex-diretor do IMAS contratou, em sua gestão, clínica na qual era um dos sócios

Carlos Henrique Duarte Bahia é citado em relatório da Controladoria Geral do Município, que aponta diversas irregularidades na plano de saúde dos servidores municipais

A Controladoria Geral do Município enviou ao promotor Fernando Krebs, do Ministério Público de Goiás (MP-GO), um relatório em que aponta diversas irregularidades da atual e na antiga gestão do Instituto de Assistência à Saúde e Social dos Servidores Municipais de Goiânia (Imas), plano de saúde dos servidores municipais. Entre os apontamentos, está a de que o médico Carlos Henrique Duarte Bahia, então diretor do instituto até o início deste ano, contratou em sua gestão a clínica Urgembras, na qual era um dos sócios.

O conflito de interesses de Carlos Bahia foi investigado pela controladoria, que solicita apuração dos fatos. O médico foi exonerado pela prefeitura em abril deste ano.

O relatório revelou ainda outras suspeitas de má gestão no Imas. O texto aponta que, depois que o sistema do instituto foi alterado, pessoas de até 15 anos puderam se consultar com geriatras, além da realização de exames em pacientes que já tinham falecido. No relatório é apresentado a solicitação com data posterior ao atestado de óbito de um paciente. A suspeita é que os exames e consultas não tenham sido realizados, mas o repasse feito aos prestadores.

“Diante do exposto, considerando o que consta do presente Relatório de Auditoria e Anexos em sobretudo, que as fiscalizações realizadas por esta Equipe de Auditoria a partir da data de demissão da Ordem de Serviço n} 022/2018, apreciadas conclusivamente, revelaram a ocorrência de irregularidades que comprometessem a gestão orçamentário-financeira e patrimonial do Instituto de Assistência à Saúde e Social dos Servidores Municipais de Goiânia, sob o s aspectos da legalidade, legitimidade, economicidade, eficiência e eficácia, opinamos, recomendamos, encaminhamos e sugerimos o contido acima”, diz a conclusão do relatório sobre medidas a serem tomadas tanto pelo Imas quanto pelo Conselho Regional de Medicina e outras entidades.

Por conta das denúncias, o MP-GO irá propor uma ação contra atuais e ex-diretores do Imas, pedindo a exoneração dos atuais. O Jornal Opção tentou contato com o promotor Krebs, mas não obteve sucesso. Em suas redes sociais, ele escreveu que o caso é “de polícia”. “Auditoria da Controladoria Geral do Município é um escândalo! Até morto foi examinado! Diversos pacientes que teriam sido examinados negaram os atendimentos e não conhecem sequer os médicos! Caso de polícia”, escreveu.

Atual presidente do IMAS, Sebastião Peixoto disse que ainda iria se informar sobre as denúncias, mas afirmou à reportagem que o tudo “está em ordem”. O antigo diretor Carlos Bahia ainda não foi localizado.

O vereador Jorge Kajuru (PRP) afirmou que mais essa denúncia será anexada ao pedido de impeachment do prefeito Iris Rezende (MDB), apresentado na última quarta-feira (30/5).

Procurada, a prefeitura de Goiânia disse que, após denúncia do MP apresentada à Controladoria Geral do Município, foi realizada uma auditoria profunda no Imas, o que gerou um relatório. “A direção do instituto acolheu e encaminhou todas as recomendações apontadas pelos auditores da prefeitura, inclusive com o afastamento de servidores e suspensão de pagamentos. A determinação do prefeito é de que todas as denúncias sejam apuradas e que as medidas cabíveis sejam adotadas na garantia e proteção do serviço de saúde do servidor municipal e do dinheiro público”, disse em nota.

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